Arquivo do mês: setembro 2016

Sócrates e Epicuro

socrates

O primeiro jogou no Corinthians, mas na época não tinha essa barba. O segundo jogou no infantil do Madureira, mas rompeu o menisco esquerdo num carrinho maldoso por trás e teve que abreviar a carreira. Ambos foram colegas na Faculdade de Filosofia (mas naquele época era Philosophia) e fizeram bons trabalhos de conclusão, pelo menos eles passaram a vida divulgando suas ideias. Eles tiveram muito seguidores apaixonados.

epicuro

Em sua despedida da escola de Philosophia Sócrates escreveu sobre “O não saber-se quem se é-se“, um épico do desconhecimento absoluto de si mesmo. Enquanto isso, seu colega Epicuro resolveu dedicar-se a um tema que lhe foi muito próximo, por isso apresentou o tema “A ataraxia e meu joelho – a inutilidade da filosofia nas rupturas meniscais“. Tanto Sócrates quanto Epicuro foram aprovados com “C”, mas apenas porque as fotos que usaram na apresentação eram de baixa resolução. Banca de TCC é sempre essa aporrinhação.

Ambos desistiram de Filosofia. Sócrates, como sabemos, dedicou-se ao futebol mas faleceu por efeitos da bebida. Epicuro teve vários empregos, mas no fim da vida trabalhava como plastificador de estátuas e escovador de cães em pet shops de Aricanduva.

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Túnel do Tempo

Parto realizado no Hospital da Aeronáutica de Canoas em 25 de março de 1992. Parabéns aos pais pelo lindo parto e pela filha, que veio trazer alegrias e esperanças.

Repetindo, para que não reste dúvida: o parto, como componente da vida sexual normal de uma mulher, será SEMPRE palco de disputas. Negar estes conflitos, entendendo o parto como evento meramente mecânico e biológico, serve aos interesses daqueles que historicamente oprimiram as mulheres fazendo delas objetos de troca. Aceitar que a visão sobre o parto muda no tempo e nas latitudes nos permite sonhar com uma era de pleno protagonismo e segurança para o nascimento.

A quem interessa impedir esse sonho?

“O parto vai congregar de forma exemplar todos os valores que circulam no campo simbólico. Sendo um aspecto da sexualidade feminina sua expressão será tão livre quanto livre for a mulher no tempo e espaço no qual ocorrer. Não existe parto livre em sociedades opressivas com as mulheres, e ele jamais será violento em um lugar onde a mulher sabe o papel fundamental a ela destinado pela vida.”

Esse parto aconteceu no HACO, hospital da aeronáutica em Canoas no ano de 1992. A paciente me trouxe essa cópia, a qual pude assistir quase 1/4 de século depois. O privilégio de atender nascimentos por 34 anos foi o maior presente que eu poderia imaginar para uma vida. A todas as mulheres que me ensinaram sobre o milagre da vida através dos seus partos os meus mais calorosos agradecimentos.

Ha 24 anos o simples fato de ser um parto de cócoras causava horror na comunidade médica. Tamanha era a repulsa por qualquer método “alternativo” de atenção ao parto que até hoje, duas décadas e meia depois, o parto deitado e imóvel ainda é ensinado nas universidades e serviços obstétricos anacrônicos da minha cidade como se fosse a única forma possível – e aceitável – de atender um parto. A pesquisa “Nascendo no Brasil” mostrou que 91% dos partos no nosso país acontecem nessa posição, que há décadas sabemos ser prejudicial para ambos, mãe e bebê.

Imaginem como os meus colegas me olhavam naquela época, e terão uma ideia do ódio e ressentimento que os “donos” do parto aqui na província sempre cultivaram por mim.

Parto realizado no Hospital da Aeronáutica de Canoas em 25 de março de 1992. Parabéns aos pais pelo lindo parto e pela filha, que veio trazer alegrias e esperanças.

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Humaniza

escadaria

“Para mudar o mundo é necessário coragem para produzir o enfrentamento necessário, resiliência para suportar os ataques inevitáveis e sabedoria para entender as dores que surgem como elementos de uma trilha natural de crescimento.”

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