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Preparos

Não acredito em “preparo” para maus resultados. Acho que isso é uma fantasia criada pelo mercado para produzir a ideia de que “se você souber antes poderá se preparar“. Qual o preparo precisa ser feito para receber um bebê com síndrome de Down? Qual a diferença de “adaptação” se você receber a resposta vinda diretamente do profissional imediatamente depois do parto? Você terá 40 ANOS para se adaptar a um filho sindrômico; os 5 meses de gestação não terão nenhum impacto positivo nesse processo.

A história desses exames tecnológicos sempre se faz através da criação de “necessidades artificiais”. “Você precisa de um carro novo“, “Você tem que comprar o novo IPhone“, “Você precisa ir para um hospital aparelhado“, “Você precisa fazer uma ecografia!!!“. Todas essas falsas vantagens de modelos novos e modernidades FALHAM de forma constante em demonstrar IMPACTO na sobrevida de mães e bebês, mas MESMO ASSIM as mantemos na cultura porque, porque, porque…

Ora… por causa do capitalismo. É exatamente esse direcionamento irracional que nos obriga a entrar na “roda da fortuna” para manter girando uma sociedade de consumo. Monitorização eletrônica, hospitalização, exames de ultrassom, roupas especiais, afastamento da família, camas elétricas, TV de plasma no quarto…. NADA disso produz qualquer melhoria nas taxas de morbimortalidade de mães e bebês. O impacto na saúde das pessoas é ZERO, e mesmo assim continuamos a investir em tais artefatos. Por certo que são rituais do mundo tecnocrático – padronizado, repetitivo e simbólico de valores culturais ou crenças – mas quando eles começam a entrar em crise e sua eficiência (con)testada surgem fantasias mirabolantes, verdadeiras maquinações publicitárias, para nos fazer crer que tais brinquedos tecnológicos realmente produzem benefício.

Um deles é dizer que as pessoas podem se “preparar” para um resultado negativo durante os poucos meses da gestação. A verdade para mim, depois de 3 décadas atendendo partos, é que as ecografias são parte fundamental da alienação da gestação para as mãos da corporação de profissionais. Reféns de clínicas e laboratórios, as mães vão paulatinamente perdendo sua autonomia e a capacidade de tomar decisões. “Por que você fez esse exame? Você sabe para que serve?” perguntava eu para as pacientes recém chegadas. “Meu outro doutor pediu, mas não me explicou para o que desejava“, respondiam elas, quase envergonhadas. Pior, era óbvio que o seu doutor também jamais havia questionado o uso de uma tecnologia moderna (como ultrassom) aplicada à gestação, porque os avanços tecnológicos são – na prática – inquestionáveis em medicina. Funcionam como Éditos da Santa Igreja, sobre os quais não cabe discussão.

As pessoas não conhecem a história toda das ultrassonografias. Quando me pediam transluscência nucal – porque “todo mundo faz” – eu respondia: “estás realmente disposta a ir até o final dessa jornada?”

Sim, porque a transluscência lhe dará um índice de risco, não a resposta definitiva. Se o exame vier alterado o médico lhe recomendará uma amniocentese. O exame será feito com 13 ou 14 semanas da gestação e sai caro. Só este resultado lhe dará razoável garantia de um transtorno genético (e, como tudo, nunca é 100%).

Só com 14 ou 15 semanas você terá uma resposta genética confiável e NENHUM aborteiro aceitará seu caso, mesmo pagando muito. Portanto, seus exames – de imagem e genético – não lhe ofereceram nenhuma resolutividade; terá de esperar igual. “Ahh, mas pelo menos agora eu já sei“, dizem alguns, mas eu duvido que essa informação produza efeitos positivos no sujeito, como já expus anteriormente.

Na verdade, as pessoas sucumbem à sua curiosidade e ao desejo de reforços externos à sua combalida autoestima. Como a chance de um resultado negativo em uma transluscência é por volta de uma em duas mil existem 1999 vezes em que o resultado é comemorado para apenas um resultado que produz tristeza. Quem faz essas ecografias escolhe o suspiro: são exames sedativos, mas também uma roleta russa com uma bala em um tambor de dois mil buracos. Atire… mas se a notícia ruim vier lembre que ainda há vários meses de gestação pela frente.

Esse exame serve para oferecer ao médico o poder de decretar se o seu bebê está (ou não) bem. Talvez seja possível dizer que, junto com a própria “primeira consulta” médica, este exame sela definitivamente a alienação dos pacientes das decisões que se seguirão, garantindo aos profissionais e suas máquinas mirabolantes o poder e a glória de fazer todas as escolhas por elas.

A alienação é oferecida de forma sorrateira e só quem é muito atento escapa dela, e mesmo assim pagando caro. Somos bombardeados por esses penduricalhos tecnológicos para que o mercado continue nos cegando à realidade cristalina que se esconde por detrás de tantas prateleiras: as mulheres querem que seus partos sejam atendidos por pessoas da sua confiança, com segurança e em um nível local, seja num pequeno hospital de sua cidade ou bairro, casa de parto ou em suas casas.

O resto é muito menos importante, por mais que a publicidade seja fulgurante e sedutora. Pense no pastel e no amor: o que é bom de verdade nem precisa propaganda.

 

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Médicos e Política

 

“As posturas dos profissionais da medicina são mais do que conservadoras e vocês nao deviam se surpreender com este fato. Conheço muito bem pois convivi com essa turma durante 40 anos. Posições de vanguarda, à esquerda, solidárias, inclusivas, garantistas, distributivas ou meramente proponentes de reparação e justiça social são uma raridade absoluta. Quando expressas publicamente são sujeitas ao escárnio e ao deboche. “Vai pra Cuba”, “Vagabundos e ladrões”, “Ralei muito para chegar onde cheguei” são lugares comuns dos debates nas salas de “conforto médico”.

Por outro lado os posicionamentos elitistas, dinheiristas, punitivistas, meritocráticos são mais do que a tônica nas conversas de centro cirúrgico ou ambulatórios; eles são exaltados como a única posição possível e admissível pelos profissionais. Mais do que a maioria, as posições que tendem ao fascismo e à exclusão são uma espécie de passaporte para adentrar nos círculos autoritativos da comunidade médica.

A medicina precisa uma revolução inclusiva. Temos uma profissão médica que, a exemplo da magistratura, é dominada por setores da elite branca mais atrasada e retrógrada, a mesma que odeia uma mulher presidente e um nordestino torneiro mecânico como chefe da nação.”

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Enfermeiras

 

“Enfermagem é o pelotão de frente da atenção à saúde. O trabalho é árduo, complexo, multitarefa, humano, conflituoso e desafiador. O que existe de complicado na atenção à saúde não é essa fantasia de Dr. House, a aventura intelectual de achar diagnósticos brilhantes ou fazer cirurgias incríveis que duram horas e separam xifópagos. Tais eventos são raridades e, apesar de serem espetaculares, não produzem nenhum impacto sobre a saúde de uma população. O que é verdadeiramente difícil na arte de atender é olhar os pacientes nos olhos, encarar suas dificuldades e paradoxos e encontrar a SI MESMO nas falas de quem nos procura.

Eu lembro de um colega envolvido com pesquisa de infertilidade e que dizia, com ar de arrogância e superioridade, que “nem todos podem ser cientistas“, mas no meu íntimo eu achava que os “médicos cientistas” eram os mais frágeis, aqueles que se escondiam nos laboratórios para não ter que encarar as feras, os demônios de si mesmos, transformados em falas e dores que brotavam do discurso dos pacientes.

Para a enfermagem não há escolha, pois faz do dia-a-dia essa batalha. Não existe descanso. O acolhimento e o cuidado – elementos centrais do paradigma da enfermagem – não permitem o afastamento da pessoa real. Não há “carinho in vitro”, e nem consolo “virtual”. O olhar que afaga e a palavra de ânimo de uma enfermeira são essenciais para a resposta de cura que pode (ou não) surgir a seguir.

Entretanto, a sobrecarga e o peso da responsabilidade desse contato são fatores que podem desestabilizar. Quando não metabolizados adequadamente estes sentimentos podem resultar em raiva e ressentimento, que são respostas sempre possíveis no horizonte. Por esta razão, creio que toda enfermeira devia ter suporte psicológico para dar conta dos choques inevitáveis que sua ação profissional propicia.”

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Curso Homeopatia para Profissionais do Parto

Curso Homeopatia para Profissionais do Parto

Duração: 16h (2 dias)

Valor promocional: R$ 700,00

Data:_______

Programa:

  1. Por quê homeopatia?
  2. Paradigmas de compreensão do binômio saude-doença.
  3. Antropologia da doença e formas terapêuticas.
  4. Hahnemann e a história da Homeopatia
  5. O que é homeopatia? Individualização, dinamização, abordagem sistêmica e paradigma relacional.
  6. Repertórios, pesquisas e Matérias Médicas
  7. Humanização do Nascimento
  8. Quando e porque tratar com homeopatia
  9. Homeopatia na Gestação
  10. Homeopatia no parto
  11. Homeopatia no puerpério
  12. Principais medicamentos e seu uso
  13. Como formar uma botica homeopática.

Para maiores informações entrar em contato:

Ricardo Herbert Jones

Fone: 55 51 999810445

ricardoherbertjones@gmail.com

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Depressão

 

Quando vejo pacientes chorando em vídeos na internet dizendo “Não menosprezem a minha dor; depressão é uma doença grave e precisa de tratamento” eu automaticamente me compadeço e me identifico com o sofrimento do sujeito. Mais ainda, reconheço a necessidade de olhar para a depressão com cuidado e seriedade. Entretanto, por trás desses depoimentos surge uma imensa força de propaganda para que a depressão seja medicalizada, tratada como um transtorno físico, olhando-a por uma perspectiva ontológica e adorcista.

Logo depois destes depoimentos tocantes aparecem frases como “Depressão é doença séria, mas tem remédio”, fazendo-nos crer que se trata de um mal em si (e não um desarranjo funcional da própria vida) e que a cura virá de fora, com drogas químicas que agem no cérebro modificando suas respostas aos estímulos sensoriais.

Pois a verdade é bem diferente do que a indústria quer nos fazer acreditar. Os anti-depressivos são repetidamente confirmados como placebos, com efetividade nula ou sem significado estatístico para comprovar um efeito positivo.

“Os ensaios clínicos descobriram, reiteradamente, que os antidepressivos ou não são mais eficazes que o placebo, ou são ligeiramente mais eficazes.”

Para maiores informações, clique aqui.

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