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Preconceito linguístico

Eu acredito que a gente precisa estar sempre atento quando oferece respostas na Internet. Certa vez vi alguém defendendo, de um bando de preconceituosos, uma dupla de homens gays casados que tinham adotado um filho dizendo: “Ahh, mas estes gays são ricos e andam de carro importado, enquanto você enfrenta um busão de madrugada”. Ou seja: para defender os gays de ataques homofóbicos usou o preconceito – igualmente pernicioso – contra os trabalhadores pobres que precisam de transporte público.

Por isso afirmo que o argumento usado por esse pai não foi adequado. Este jovem poderia dizer ao seu pai “Sou projetista de foguetes”, ou “Sou cirurgião”. Por acaso estas qualificações garantiriam a ele o direito de debochar da forma como uma pessoa simples fala? Este rapaz poderia ser uma pessoa importante, um político ou um empresário rico, mas isso não tornaria justo o escárnio com o qual tratou uma pessoa do povo. Ou seja; o pai trocou o preconceito linguístico pelo preconceito de classe.

Melhor seria explicar porque é natural se falar “pobrema” no Brasil por causa do “rotacismo” e a influência da língua Galega no surgimento do português, por volta do século XV.

“As pessoas letradas costumam, por puro e simples preconceito (ou seja, por falta de informação histórica, já que a ignorância é a principal fonte do preconceito), zombar de quem diz ingrês, praca e grobo, gostam de rir dessas palavras, mas não riem quando elas mesmas dizem cravo, fraco, grude, prazer. (…) Esse fenômeno se chama dissimilação. Também pode acontecer que um dos sons seja trocado por outro: o latim liliu- deu lírio em português, assim como o italiano colonello deu coronel. Não é fantástico estudar essas coisas? Eu pelo menos acho.” (Marcos Bagno)

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