Arquivo do mês: março 2017

Manifestação

“Não havia nada de sincero nessa manifestação do dia 26/03.  Nenhuma das pautas era verdadeira. Se houvesse interesse em combater a corrupção não teriam colocado Temer e tirado Dilma que, junto com Lula, deu toda a liberdade para os exibicionistas da PF e os fanáticos religiosos do MP. Colocaram Temer e toda a camarilha no poder, os mesmo que, junto com Cunha, boicotaram o governo Dilma desde o primeiro dia do segundo mandato.

O movimento de domingo foi contra Lula que SÓ CRESCE NAS PESQUISAS. Foi contra o “comunismo” (leia-se justiça social) e a favor de Temer (era proibido falar mal dele). Por isso mesmo foi um gigantesco fiasco e uma humilhação terrível para o MBL que tende a desaparecer por ser um movimento de aluguel cujo único objetivo era dar uma cara popular ao golpe. Morrerá pela ausência de substância e pela falta de caráter dos fantoches do instituto Millennium.

E quem teria coragem de se associar aos velhos brancos, frustrados e impotentes, viúvas de militares e outros alienados que – pelo fetiche de serem escravos – pedem a volta da ditadura militar?”

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Anjo

“Sonho: um anjo chegou assustado do passado, vestia uma pantalona amarela com nesga, fita na cabeça e cabelo Black Power. Perguntou o que fazíamos nos domingos, entristeceu-se com o Facebook, lamentou pela TV e pela maconha ruim, xingou Bolsonaro e disse que o passado é uma roupa que não nos serve mais. Acordei”

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Irmãs Dempsey

“Na foto a histórica imagem das irmãs Dempsey, do condado de Bruns, que nasceram com uma espécie rara de gemelaridade siamesa chamada Mamófagos (ligadas pelo seio). Elas trabalharam no circo Rilling Bros durante 25 anos até morrerem de intoxicação por geleia contaminada em 1925. Elas se chamavam Ethel e Erna e se casaram com dois distintos cavalheiros londrinos chamados Ernst e Carlton. Ernst foi um homem conhecido na realeza britânica e chegou a ser condecorado por atos de bravura na batalha de Galipoli, na Turquia. Carlton por seu turno era um escritor de romances e colecionador de selos, e sempre teve uma vida reservada.

Acontece que Ernst e Carlton também eram gêmeos e igualmente xifópagos, porém unidos pelas nádegas (nadegófagos) e ficaram casados com as irmãs Dempsey até o fim de suas vidas. Os irmãos morreram em um acidente de paraquedas na semana seguinte à morte das irmãs. Esta morte quádrupla foi sentida de forma muito intensa pela sociedade inglesa em meados dos anos 20 e houve um minuto de silêncio de todos os palhaços de circo na Inglaterra naquela semana.”

Curiosidades curiosas de um mundo curioso “, volume 5, maio 1963, pág 135.

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Playlist

Eu me aproximo do carro para ir com Zeza para uma pousada próxima a Porto de Galinhas e o motorista que nos levará parece um nordestino típico: jovem, forte, cor de cuia, pescoço virtual e simpático. Sento no banco do carona e coloco o cinto, Zeza também. O motorista ajeita o GPS e mexe no sistema de som. Vejo a palavra “playlist” no display do carro e coloco a mão no bolso à procura dos fones de ouvido para conectar no celular. O motorista liga o carro, pergunta se o ar condicionado está bom, aperta um botão e a playlist inicia.

Os primeiros acordes atingem meus tímpanos como uma flecha pontiaguda e no pequeno espaço que os separam do cérebro  conseguem que uma lágrima furtiva me percorra o rosto, salgando-o com emoção e surpresa. A voz familiar no auto falante fala que o meu amor tem um jeito manso que é só seu, e depois, ainda travestido, canta no feminino e explica que o primeiro lhe chamou como quem vai no florista, mostrou o seu relógio e lhe chamou de rainha.

Peço para aumentar o volume da música e ele sorri. “Ele tem uma músicas lindas, não?”. Concordo timidamente. Durante a viagem ele sussurra as músicas de Chico Buarque como se tivesse a minha idade e não os trinta e poucos que aparenta.

O pulso ainda pulsa. Na miséria cotidiana do deserto criativo em que sofregamente caminhamos ainda há espaço para lembrar da sensibilidade e da arte, que surge inesperadamente à nossa frente como um cálice de água cristalina a saciar nossa sede.

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Trans

Existe um sujeito que circula no mundo real e virtual a quem todos nós conhecemos. É um indivíduo da classe média, profissional liberal ou comerciante e que diuturnamente fala mal do Brasil e dos brasileiros, mas acima de tudo tenta desmerecer qualquer conquista social dos governos de esquerda. Ele é o “paneleiro”, que saiu às ruas munido de ódio e indignação para pedir o impeachment da presidenta. Se é verdade que para alguns o sentimento era de legítima inconformidade com os erros cometidos pelo governo, para uma enorme parcela a motivação profunda e inconsciente era outra, e esse é o ponto essencial para entender o paneleiro típico.

O comportamento desse brasileiro está na raiz da atitude do colonizador, aquele que explora e vai embora, que goza “na ausência do pai”, sem limites e com total desapego ou lealdade ao lugar onde vive. Sua postura é a do explorador que jamais se conecta com seu lugar, pois não se enxerga nele.

Esse sujeito me lembra muito a figura de um colega médico que há quase 30 anos atrás visitou Paris pela primeira vez. Na volta ao Brasil, rodeado pelos seus colegas no hospital, contava os detalhes da sua viagem exagerando suas virtudes (só o soube muito depois) e minimizando seus defeitos, ainda encantado e deslumbrado pela “cidade luz”.

Todavia, uma frase do seu extenso relato nunca me saiu da cabeça, mesmo após três décadas. Enquanto descrevia os encantos de Paris, em um momento de e abração exclamou: “É esse o lugar que eu mereço viver“. Sua expressão, seu sorriso e sua postura indicavam que a nacionalidade brasileira que carregava como um peso era uma injustiça, mais do que um engano. Ele havia nascido no lugar errado e rodeado da gente “errada”.

Meu colega fazia parte de uma casta brasileira que conheço muito bem por ter transitado pela medicina por quase 40 anos. Eles são os “transidentitários“, sujeitos nascidos no Brasil mas que nunca se sentiram como parte desse país. O sobrenome estrangeiro funciona como um lembrete atávico de que sua identidade “verdadeira” está alhures, em outro país e em outra latitude. Essas pessoas detestam o nosso país, suas misturas, sua pele morena, seu idioma, seus sotaques e seu jeito de ser.

Esse brasileiro que não se aceita como tal, as vezes emigra e se torna um “americano-trans” ou um “europeu-trans”. Era ele mesmo que estava misturado com pobres indignados vestindo verde-amarelo há alguns poucos meses.

Esse sujeito transidentitário por vezes usa toga e sempre que pode vai beber civilização nos Estados Unidos. Volta para cá e lamenta sua língua, sua cor, sua história e sonha com o dia em que uma cirurgia transformativa o fará ser o que sempre sonhou e desejou.

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Evangelismos

A atuação das igrejas evangélicas (as outras muito menos) foi fundamental para criar entre a ralé (e aqui uso “ralé” na concepção de Jessé Souza – os despossuídos, o lúmpen, os esquecidos) um sentimento conservador, antipetista, antigay, retrógrado e alienante que atua contra seus próprios interesses e direitos.

Não me parece esdrúxula a tese de que a ralé é o principal mercado do evangelismo nacional e de que a mensagem veiculada pelos governos petistas de união das classes desprivilegiadas através das medidas de inclusão social COMPETIA com o messianismo das igrejas, roubando para a militância política e social os fiéis que aguardavam na fila longa e incerta da graça divina. O PT ao diminuir a miséria e a fome, dar esperanças e consumo para as classes baixas, encher o aeroporto de pessoas que só viam aviões na TV ou no céu e triplicar o número de negros na Universidade ofereceu uma via de realização que se chocava com o mercado da graça, a salvação pela fé e o comércio do dízimo. Isso enfureceu os grandes “missionários”, sendo Malafaia e Edir apenas os exemplos mais contundente.

Isso pode explicar os discursos odiosos e vingativos do “bispo” Malafaia contra o PT e as esquerdas, a evidente (e natural?) vinculação com os setores capitalistas do boi e da bala, e suas ligações com o poder de Israel. O estado laico é mais do que uma obrigação civilizatória; ele representa a luta contra formas sutis de alienação mental representadas por grandes vertentes do evangelismo de direita no Brasil e no mundo.

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O Acampamento

Sentou-se sobre o tronco da velha árvore e tirou do alforje uma pequena caixa de madeira onde guardava o fumo. As labaredas lambiam a madeira fazendo o crepitar dos galhos secos soarem como lamentos de dor. Ao seu lado Willock resmungava enquanto juntava os últimos caixotes. A munição precisava ser guardada em local seco e o céu sem estrelas não lhe garantia uma noite sem chuva. O silêncio na colina era entrecortado pelo uivo dos lobos, enquanto os grilos raspavam suas patas tentando acompanhar a triste melodia do vento.

Harding fechou seu cigarro com a palha que trazia no bolso do colete,  mas antes de acender falou para Willock, que se ajeitava no chão ao seu lado.

– O fato de sermos poucos nesta luta não é apenas porque eles não enxergam o mundo com nossos olhos, Wee. Não os vejo como estúpidos, ignorantes ou maus; eles não são tolos, muito menos perversos. Não se trata de uma falha de caráter, mas uma perspectiva distinta na qual já estivemos inseridos, e tu bem o sabes.

Willock aquiesceu arqueando as sobrancelhas para cima enquanto aproximava o bule de café do fogo à sua frente.

Harding pigarreou, acendeu seu cigarro e deu uma longa baforada para cima. A fumaça encontrou a brisa fria da noite e foi levada adiante, misturando-se com os aromas úmidos e escuros da mata. Cuspiu no chão à sua frente e continuou:

– Talvez mais relevante do que eles não conseguirem ver o que vemos seja os fato de que desconhecemos por completo o que os move. Não entendemos mais o mundo pelos seus valores e seus sapatos já não nos cabem mais. Se pudéssemos entender porque precisam tanto seguir pelo caminho que há tanto abandonamos seria mais fácil fazê-los ver as razões que nos levaram a uma escolha tão radical.

As palavras de Harding ficaram presas ao silêncio que se seguiu e a única resposta que veio foi o piar das corujas anunciando o início de sua caçada vespertina.”

Scott P. Floyd, “Who Killed the Messenger?”, Ed. PubliMar pág 135

Scott Percival Floyd nasceu na pequena cidade de Dighton, no Kansas, tendo feito seu estudos em Wichita. Posteriormente mudou-se para Topeka para trabalhar na UPS, chegando ao posto de gerente regional. Escrevia para o jornal local Topeka Capital-Journal uma coluna de esportes e variedades, mas em 1995 escreveu seu primeiro livro de contos chamado “Marne e a longa viagem”. Costuma escrever sobre a vida no campo, cowboys, pastoreios e longas invernadas. Casou-se com May Shelby e tem 4 filhos: Joe, Harper, Teresa and Bill.

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Livre pensar

“Não se passa um dia sequer sem que eu assista de forma clara e definitiva a derrocada espetacular de uma certeza, com a qual convivi durante boa parte da minha vida, e de onde muitas vezes tirei consolo e conforto”.

Essa é, para mim, a melhor definição de um livre pensador.

Maurice Herbert Jones, comunicação pessoal.

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Nascer de novo

“A ideia reencarnacionista como pedagogia, é antiga e pertence a várias correntes religiosas (até cristãs, basta lembrar a conversa de Jesus com Nicodemus e a frase “é preciso nascer de novo”), mas não pressupõe ligações diretas de causalidade ao estilo “morreu num acidente de avião, portanto era aviador nazista na vida anterior“. Isso é apenas folclore ou motivo para boas piadas. Um modelo propedêutico não poderia se basear nestas fatalidades para se expressar.

A reencarnação se baseia numa visão teísta, inteligente e teleológica. De forma simplificada, a reencarnação se insere em um modelo de “universo inteligente” onde as múltiplas existências seriam apenas etapas de aprendizado para a depuração evolutiva da alma ou “princípio perene”. Seriam como os anos escolares, em que as lembranças do que foi aprendido no ano anterior se mantém apenas de forma intuitiva e emocional sutil. O esquecimento proporcionaria a oportunidade de “começar do zero” relações outrora complexas, difíceis ou conflituosas, mas também positivas e construtivas.

A reencarnação – dentro da lógica evolutiva espiritual – também ofereceria igualdade de experiências e vivências, diferentemente do que acontece em uma única existência. Sua característica mais marcante é a ideia de oferecer uma enorme multiplicidade de experiências, as mais diversas possíveis, para o desenvolvimento de aptidões e a reparação de erros, mágoas e falhas morais.

Se eu fosse inventar um universo usaria essa estratégia…”

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Primeira pedra

Existem seres humanos que merecem perdão; outros não. Quanto a isso não há dúvidas. A listagem de pessoas (e não seus crimes) imperdoáveis não é muito difícil de achar. Todos os sujeitos que cometeram crimes que estão distantes da nossa realidade são imperdoáveis. Furar fila, não declarar imposto corretamente, matar um ladrão (bandido bom é…) não são crimes, quanto mais imperdoáveis, porque qualquer um de nós pode ter tais atitudes.

E não precisa ser um gênio para entender isso. As tradições religiosas estão cheias de exemplos de que o perdão precisa ser seletivo. Não há porque perdoar todos de forma igual como se todos fôssemos iguais aos olhos de Deus. Se isso fosse verdade Ele não criaria pessoas cheias de virtudes (nós) e outros animalizados e perversos, afogados em seus defeitos (os outros).

Foi exatamente o que Jesus disse quando atirou aquela pedra na puta que – evidentemente – não merecia perdão. Peraí que eu vou achar o versículo certinho e vou postar aqui em baixo.

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Achei a parte que fala aqui na Bíblia mas essa que eu tenho é dos Gideões e deve ser uma versão muito recente porque (olha só que absurdo) está escrito que ele NÃO atirou a pedra, o que é um óbvio erro pois Jesus não era bobo nem nada e jamais permitiria que um crime nojento como esse (eu jamais seria uma prostituta!!!) passasse em branco. Eu tenho nojo das traduções mais novas da Bíblia que trocam arbitrariamente as passagens apenas para apoiar petralhas e defensores de direitos humanos (leia-se bandidos).

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Quer saber? Que se lixe a Bíblia. Estou olhando aqui outros posts de Jesus e acho que esse cara fumava um. “Ame ao próximo como a ti mesmo“, ah…. vá se ferrar!! Amar estuprador, assassino, ladrão???? Tá cheirado barbudo???? “Teus inimigos são teus verdadeiros amigos“: bebeu gasolina??? E só piora, agora vi essa aqui: “Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem“. Sério que o pessoal não sabe? Um bando de ladrão vagabundo e não sabem o que estão fazendo?

Te larguei pras cobra, Bíblia…

(according to “irony act” of march 2017 this post follows the fundamental principles of post-truth and explicit irony, therefore is under the protection of that presidential bill)

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