Arquivo do mês: março 2020

Consumismo

“Mas os pobres nada possuem e por isso já são treinados para evitar o consumismo”.

Infelizmente eles não são educados contra o consumismo!!! Em verdade, pobres consomem também, muitas vezes para além do que precisam, mesmo dentro das suas estreitas possibilidades. O consumismo não diferencia ricos e pobres, o CONSUMO sim!!!

O fato de alguém não consumir não significa que não seja consumista, da mesma forma que um sujeito não beber não significa que deixou de ser alcoolista. O desejo de consumir é uma marca de personalidade estimulada pela “sociedade de consumo”, que vincula felicidade, alegria, poder e sucesso pessoal com a capacidade de adquirir coisas. Na realidade, existem muitos pobres que são muito mais consumistas que alguns milionários.

Sempre é bom repetir a frase de Platão: “A pobreza não vem da diminuição das riquezas, mas da multiplicação dos desejos“. O desejo permeia o humano, inobstante serem ricos ou pobres. Quem é mais rico, eu ou Bill Gates? Não procure os valores da conta bancária, mas encontre para onde aponta o desejo, este motor do comportamento humano que faz qualquer valor significar muito ou todos os valores serem insuficientes.

A dor que sentimos vem dessa falta subjetiva, desse vazio, desse buraco que enchemos com coisas – como carros, casas, comida ou até gente coisificada.

Certamente que ricos e pobres se beneficiariam de uma cultura em que os objetos que nos cercam tivessem menos influência na nossa felicidade. Contentar-se com poucas coisas é um dos melhores caminhos para a harmonia e o equilíbrio.

Nossa esperança é que essa crise nos ensine os prazeres das maravilhosas coisas gratuitas, um café fumegante, uma tarde de sol, o encontro com amigos e até o sorriso desdentado de uma criança.

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Prognósticos

Eu respeito todas as análise prognósticas feitas com base científica mas, como sou velho, acho mais adequado aguardar o desenrolar dos fatos antes de entrar em pânico. Se há alguma vantagem em envelhecer, esta é o acúmulo de histórias vividas e experiências acumuladas. Lembro claramente de duas projeções trágicas surgidas no meu tempo de faculdade e exploradas à exaustão pela mídia e pelos senhores da ciência: “explosão demográfica” e “AIDs“.

De acordo com as previsões dramáticas e negativistas do início dos anos 80 estaríamos exterminados por uma delas, ou pela combinação de ambas. Quem não lembra a progressão geométrica do incremento populacional? Lembro muito do filme “Soylent Green”, com Charlton Heston. A versão brasileira tinha um título ridículo mas curioso: “No Mundo de 2020”, ou seja, agora. O filme mostrava um mundo insuportavelmente quente e abarrotado de gente e me marcou pessoalmente por sua visão pessimista do futuro, onde o suicídio aparecia como uma opção válida e justa. E sobre a Aids? “Vai passar dos homossexuais para os bissexuais e de lá para os ‘normais’ da população”, combinando um catastrofismo irreal com os preconceitos de orientação sexual da época.

Nada disso se cumpriu. A população decrescente já é um problema social em várias partes da Europa, em especial na Itália, Portugal, Irlanda e no norte da Espanha. O aumento que ainda ocorre na África é muito mais em função de uma cultura agrária e pela falta de desenvolvimento social, determinados em função da longa exploração colonialista. Todavia, estamos muito longe de uma hecatombe populacional e esse assunto quase não é mais tratado pela imprensa.

Sobre a AIDs, esta síndrome continua sendo um problema de saúde pública, mas longe de ser um problema maior que os tradicionais “exterminadores” que se mantém na ativa, como podemos ver na lista abaixo (PAHO):

1ª) Cardiopatia isquêmica

2ª) Acidente vascular cerebral (AVC)

3ª) Doença pulmonar obstrutiva crônica

4ª) Infecções das vias respiratórias inferiores

5ª) Alzheimer e outras demências

6ª) Câncer de pulmão, traqueia e brônquios7ª) Diabetes mellitus

8ª) Acidentes de trânsito

9ª) Doenças diarreicas

10ª) Tuberculose

Mais da metade das pessoas no mundo morrerá das doenças acima listadas, a maioria delas produzidas na esteira da distribuição miserável dos recursos do planeta, originada pelo capitalismo e sua ideologia de acúmulo. A cura para estas enfermidades não está nos remédios, na medicina tecnológica, nos hospitais ou no aporte gigantesco de recursos para o tratamento de enfermidades, mas na adoção de um modelo político e social mais justo, que não condene os sujeitos a uma alimentação ruim, stress crônico, sedentarismo e pobreza. Buscar essa mudança em nível global é mais importante do que a cura de doenças que, por si só, seriam exterminadas se as suas verdadeiras causas fossem eliminadas.

Com a atual pandemia podemos esperar o mesmo curso normal de enfermidades transmissíveis conforme a história nos ensina. O catastrofismo precisa ser evitado, o que não significa negar as medidas de isolamento que parecem ser, por ora, nossa única defesa reconhecidamente justa de proteção.

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Falsa dualidade

Rolam textos aí em que alguns isentões tentam comparar os sujeitos que idolatram o “micto” Bolsonaro com os apoiadores de Lula. Seriam eles “extremistas”. Clamam, de forma oportuna, por um candidato de “centro”, ou como dizem “nem esquerda e nem direita”. Ora, nenhuma comparação poderia ser mais irresponsável e equivocada do que esta.

Afirmo que qualquer comparação entre Lula e Bolsonaro é absurda. Os que defendem Lula e os que defendem Bolsonaro também têm um perfil absolutamente diferente. NUNCA se viu um lulista aos gritos e portando cartazes que clamam pelo fim da democracia, pela intervenção militar ou pelo fechamento do congresso e nunca se viu qualquer exaltação ao AI5. NUNCA um lulista aclamaria um torturador asqueroso e o chamaria de “ídolo”.

Lula é um MODERADO de centro esquerda. Aliás, boa parte das críticas da esquerda brasileira se dá em nome dessa moderação e desse namoro com o mercado. Lula poderia ser comparado com um Serra, Alkmin ou FHC, moderados de centro direita, mas JAMAIS com um fascista de extrema direita.

Essa comparação é feita por adoradores da ditadura, saudosos do arbítrio. Uma comparação errada em todos os níveis, seja entre estes líderes mas também entre seus seguidores.

É como comparar Chico Buarque com Zezé di Camargo. Fazfavoire…

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A dor à flor da pele

O confinamento está trazendo à tona o pior e o melhor de nós. Um conselho do vovô: quando você sentir que está entrando na espiral do ódio dê um passo atrás. Não se permita infectar pelo vírus do ódio e do ressentimento. O mundo cibernético não possui amortecedores afetivos. As letras duras da tela não oferecem os matizes e as nuances de um sorriso, um chimarrão compartilhado, um aroma de café ou um tímido levantar de sobrancelhas. Essa dureza se espalha pelo espaço cibernético e pode destruir o tênue limiar de sanidade que está sustentando alguém a centenas de quilômetros. Não seja o mensageiro do rancor e da amargura; se precisar criticar, faça-o, mas “sin jamás perder la ternura”.

Não jogue fora suas amizades, seus amigos e seus parceiros com discussões agressivas, palavras duras, expressões que podem machucar e até destruir. Digo isso exatamente porque me vejo na tentação de fazer isso a toda hora, mas estou aos poucos vendo como isso pode arruinar o dia de alguém, em especial o meu.

Estamos todos tensos e ao mesmo tempo frágeis. Cuide de quem você gosta e não ofereça a elas o subterfúgio fácil da briga e da confrontação violenta. Não perca seu tempo falando para quem deixa claro que jamais vai lhe ouvir. Seja carinhoso, mas também caridoso; se não houver uma interface racional e minimamente respeitosa, afaste-se. Se for necessário, bloqueie, pois é melhor a distância em paz do que a proximidade em conflito inútil.

Todos estamos mal. O mundo tem febre, nosso coração está apressado e nossa face é pálida. Tossimos as angústias de tanta iniquidade purulenta acumulada em nossas entranhas. Suamos por cada poro a falência de um modelo que produziu morte e miséria. Não impeça que a reação a esta enfermidade contenha o próprio processo de cura. Aceite o fluxo transformador da vida e lute por uma realidade mais justa. Pense que essa crise – do grego krisis, decisão, momento difícil – está aqui para que possamos dar um salto quântico e aprender com ela.

Lembre que o que mais lhe incomoda mais se parece com você. Sua raiva lhe ensina, seu ódio lhe orienta e seu ressentimento lhe aponta o caminho. Use esses sentimentos para produzir sua própria cura, mas evite jogá-los em cima dos outros.

Acima de tudo “cuida o que dizes, pois talvez sejas o único evangelho que teu irmão lê”.

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Justicia Adhatoda para Corona virus

O uso homeopático de Justicia Adhatoda não se contrapõe aos cuidados de ISOLAMENTO que estão sendo utilizados em todo o mundo.

Trata-se de um medicamento complementar para ser usado nos quadros gripais leves, sem falta de ar, sem febre alta e sem fadiga extrema – os quais devem ser encaminhados para o hospital. Informe-se com um homeopata de sua região.

Também conhecida como Vasaka, é uma planta de origem asiática cujo nome oficial é Justicia Adhatoda, mas também é comumente conhecidos como “noz Vasaka” ou “Malabar”. É um arbusto perene e altamente ramificado (1,0 a 2,5 mm de altura), com cheiro desagradável e sabor amargo. Possui ramos ascendentes opostos com flores brancas, rosa ou roxas. É uma planta medicinal altamente valiosa usada para tratar resfriado, tosse, asma e tuberculose (Sharma et al., 1992). Sua principal ação é expectorante e antiespasmódico (broncodilatador) (Karthikeyan et al., 2009).

Além disso, a importância da planta Vasaka no tratamento de distúrbios respiratórios pode ser entendida a partir do antigo ditado indiano: “Nenhum homem que sofre de tuberculose precisa de desespero enquanto a planta Justicia adhatoda existir” (Dymock et al., 1893).

Assim, o uso frequente de J. adhatoda resultou na sua inclusão no manual da OMS “O uso da medicina tradicional na atenção primária à saúde”, destinado aos profissionais de saúde do sudeste da Ásia (OMS, 1990). Os principais alcalóides da planta, vasicina e vasicinona, são biologicamente ativos e são a área em discussão de muitos compostos químicos e estudos farmacológicos.

Maiores informações aqui.

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