Silêncio

Se você quiser saber onde existe uma fraude, vou te apresentar uma boa dica: procure os assuntos que você está proibido de debater. Tipo, holocausto judeu e palestino. Também agora o caso Maria da Penha. Quando pessoas são presas por dizer sua perspectiva ou porque desejam descobrir a verdade, isso deveria ligar um alerta. Quando sofrem agressões e boicotes simplesmente por tocar nesse assunto é porque alguma coisa está sendo escondida.

Ao que tudo indica, muitos ainda aprovam a censura, desde que seja para o que consideram ser “o bem”. O problema dessa seletividade é determinar quem determina o que é bem ou mal, verdade ou mentira. Hoje calam o marido da Maria da Penha. Amanhã será o comunista, como já fizeram milhares de vezes. Depois será o cidadão comum reclamando de qualquer coisa. Liberdade de imprensa é falar o que muitos não querem ouvir; sem isso teremos apenas censura. E quem acha que a liberdade só pode ser “relativa” apenas entenda que essa é a brecha lógica que um dia vai impedir que a verdade seja dita.

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É proibido…

Quando alguém lhe perguntar porque o proibicionismo não funciona podem citar o caso do marido da Maria da Penha. Aposto que 90% das pessoas não sabiam que o caso é cercado de inúmeras controvérsias, inclusive gravitando em torno do núcleo central do processo: a ausência de provas que confirmaram o dolo. As pessoas tomam a Maria da Penha como heroína e seu marido como um monstro, e as primeiras informações do caso realmente permitiam esta perspectiva. Entretanto, depois da proibição, muitas pessoas agora desejam se informar melhor sobre o caso e inclusive gostariam de assistir o tal documentário produzido pela fascistalha do BP.

A verdade é que estas proibições não funcionaram com o cristianismo, com os movimentos burgueses, com os separatistas, com os independentistas, com os nazi e muito menos com os comunistas. Pior: demonstram que quando se proíbe algo é porque existem interesses escusos na manutenção de uma única versão, e a investigação poderia trazer verdades inconvenientes à tona.

Sabe quem mais desejaria que o Herédia falasse? Maria da Penha. Seja porque ela nada teme ou porque impedi-lo de falar vai fazer todo mundo questionar porque o sujeito precisa ser calado.

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Luta

Ric Jones, candidato ao Senado – PCO

Sim, vamos à luta

Acho graça como agora estamos dando demasiada audiência a pessoas que tem pouco ou quase nada a dizer. Vejo os políticos dizendo tudo o que já foi dito, com os mesmos clichês e ataques pessoais aos demais candidatos. Ao seu lado existe um exército de ressentidos que agora quer sair do anonimato falando as velhas tolices anti-comunistas dos anos 60. O tempo passou, o capitalismo mostra sua falência, o imperialismo torna evidente sua face autoritária e assassina e os países da periferia como Irã, China, Rússia e até o Brasil começam a assumir protagonismo no mundo que, lentamente, se torna multipolar.

Apesar disso, a classe média ressentida sempre vai achar erro nesta trajetória, saudosa do tempo em que os apartamentos já vinham com dependência de empregada e que os serviços eram baratos porque as pessoas pobres não tinham como negociar. Esses personagens envelhecidos acreditam que bom mesmo era o modelo semi-escravocrata, determinado pelo berço, onde o sujeito branco e de classe média podia usufruir as benesses de um capitalismo em expansão e onde o emprego ainda crescia. Esse mundo acabou, e essa garotada que tinha dinheiro para ficar em casa tocando guitarra agora tem raiva da nova cara do mundo.

Velhos ressentidos são sempre tristes. A política deve ser feita de esperança e desejo.

É só por isso que resolvi dar a cara a bater e participar de algo que jamais pensei durante toda a vida: concorrer a um cargo eletivo. Meu objetivo é mostrar no ideário do PCO sua absoluta vinculação com uma postura antissistema, baseada na necessária ruptura com as velhas amarras do capitalismo, como a sociedade de classes, a opressão do homem pelo homem, a propriedade privada dos meios de produção e os engodos imperialistas, como o identitarismo, usados para dividir nossa luta.

Se existe algo realmente diferente nas eleições, por certo que está com aqueles que abandonaram as ilusões do liberalismo, tanto de esquerda quanto de direita. Não vamos encontrar a ruptura necessária para um novo caminho entre aqueles que há décadas dizem o mesmo, e fazem de lacrações e ataques pessoais seu principal discurso.

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Supremacismo como cola social

Um sujeito, que não sei de onde é mas escreveu em português, fez um post imenso no qual tentava defender o Estado de Israel chamando-o de uma democracia “inacabada”, mas afirmando que o governo de Netanyahu diminuía a “grandeza histórica” do sionismo. Depois de responder ao seu post, ele me bloqueou. Não vou dizer que fiquei surpreso com a atitude do sionista, mas achei que minhas palavras mereciam mais consideração. O teor do texto, enfadonho, redundante e cansativo ficava claro nas duas primeiras linhas: defendia Israel pela perspectiva do sionismo liberal que, na essência, concorda com a tese da “autodeterminação do povo judeu”, a tomada à força da Palestina, a inevitabilidade da expulsão e o mito do “ataque” dos árabes contra os poucos e desarmados judeus. Por outro lado, o texto discorda deste governo, que chama de “extrema direita israelense”. Tipo, Netanyahu “passou da conta”.

Respondi da forma como achei correto e, pelo conteúdo das minhas respostas, ele me impediu de continuar debatendo. Acredito, como Breno Altman, que “sionismo de esquerda” é um oximoro, pois não pode haver uma ideologia progressista e solidária, como o socialismo, que aceite o apartheid, o racismo e a exclusão como plataforma central de sua atuação.

Não existe grandeza histórica alguma no sionismo. Ele sempre foi uma ideologia de morte, supremacismo e exclusão. Quem admite a história exaustivamente repetida de “Pátria para os judeus” esta adotando o racismo como guia para seu entendimento da Palestina. Trocar (como ele propõe no texto) a forma como se identifica de sionista para “israelense” – sem abandonar o racismo abjeto e obsceno do sionismo – não vai produzir nenhuma mudança. O articulista, como sempre o fazem os sionistas, relativiza o massacre palestino, como se a questão palestina fosse uma “situação difícil”, mas todos sabemos onde quer nos levar.

Sim, quer chegar no sionismo de esquerda, ou sionismo liberal. Ou ainda mais profundamente cínico: o “sionismo humanista”, querendo dar a entender que os massacres, as torturas, as 30 mil crianças mortas, os 50 mil mutilados, os hospitais e mesquitas destruídos, os jornalistas, médicos e enfermeiras assassinados e todos os demais crimes de guerra fossem responsabilidade tão somente de uma fração doentia de extrema direita da sociedade israelense. Assim, a culpa da barbárie e da obscenidade assassina não recairia sobre a população de Israel, mas apenas m Netanyahu e seu grupo.

Essa estratégia morreu, e as evidências são mais do que claras. A sociedade israelense tornou-se doente, psicopática, perversa e assassina. Não sou eu quem afirma; está nas manifestações de rua, nas redes sociais, nas palavras dos políticos. São as pesquisas que confirmam. Não se refere a um grupo que tomou o poder: é a identidade apodrecida, desumana e supremacista do sionismo. É essa ideologia, semelhante à de Adolf Hitler, que destruiu a sociedade de Israel. Por isso eu afirmo que anos de doutrinação sionista produziram uma sociedade essencialmente supremacista, que desumaniza os palestinos a ponto de produzir genocídio. Netanyahu é o resultado dessa sociedade, não sua causa. Enquanto os sionistas se preocupam com insultos e com a inevitável queda na visão que as pessoas têm do Estado de Israel, nós estamos preocupados com as crianças e jovens que o seu sionismo mata e mutila. Vejam o que dizem as pesquisas com a população de Israel, pois elas espelham os valores que ela cultiva. Esta é a mesma sociedade que compra ingresso para sentar em uma poltrona no “Cinema Sderot“, na colina contígua a Gaza, para assistir as crianças e mulheres palestinas sendo bombardeadas.

Então eu pergunto: que argumento poderia ser suficiente para demonstrar que a sociedade israelense é deteriorada e monstruosa? Qual discurso poderia ser usado para quem relativiza genocídio? Que argumento você usaria diante de um “alemão de esquerda”, um social democrata em 1930, que dissesse que “matar judes tem que ser analisado no contexto. É uma situação difícil”?

Ou seja: como dialogar com um fascista?

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Plenitude

Talvez o valor esteja mesmo no efêmero, no passageiro, no banal. É possível – e mais uma vez apenas suspeito – que é bonito porque vai passar, vai acabar, não permanecerá para sempre, e restará apenas como um fragmento de felicidade no mural da memória. Talvez – outra suposição – não seja mais do que um influxo de dopamina, ou quem sabe uma descarga excedente de impulsos elétricos num corpo que dormita silente na Matrix. Mas a plenitude é real, por mais que pareça mentira, devaneio ou sonho.

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Cavalo de Troia

A confusão entre a necessária defesa das mulheres, dos negros, dos gays, etc. com os princípios do identitarismo está na raiz do apequenamento das esquerdas no mundo todo. Esse engano levou à destruição parcial das lutas das esquerdas e o fortalecimento de grupos como incels e redpils. Veja o que viraram alguns partidos de esquerda, que foram originalmente revolucionários, mas que se tornaram agrupamentos identitários, cuja função é dividir e fragmentar o campo das esquerdas, produzindo partidos frágeis e sem norte.

Muitos confundem a luta pelos negros, mulheres, gays, etc. com luta identitária. Isso é um erro. Para um comunista a defesa destas identidades só vai ocorrer com a mudança do sistema econômico, com o fim da sociedade de classes e da propriedade privada dos meios de produção. Porém, os identitários se contentam com a “representatividade” e com vantagens e melhorias para suas tribos, seus grupos, suas identidades, e não para o conjunto da classe trabalhadora.

Essa manobra divisionista foi criada nos laboratórios da direita mundial por pessoas como George Soros e Bill Gates e por marqueteiros maquiavélicos como Steve Bannon. Não por outra razão estas grandes instituições internacionais financiam ONGs identitárias, pois sabem que elas funcionam como muros de contenção para as reivindicações do proletariado organizado. Desejam enfraquecer o movimento operário, fragmentando-o em grupos minúsculos que, ao invés de odiar as classes opressoras – os capitalistas – odeiam-se mutuamente. Assim o problema das mulheres são os homens, o dos negros são os brancos, dos gays são os héteros e dos trans são os cis. Assim, todos estes grupos perdem o foco, afastam-se da luta pela união das forças produtivas e deixam de perceber que todos estes personagens da cena social são igualmente explorados pela burguesia.  Como diria Júlio Cesar, “Divida e conquiste”, pois enfraquecidos são facilmente controláveis.

O identitarismo é o cavalo de Troia da direita enviado para as esquerdas.

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Pai, um momento

Eu e meu pai, na rua dos Andradas

–  Compra pai. Compra!

Ele continuou caminhando e não soltou minha mão. Sei o quanto seu passos eram contidos para acompanhar minhas perninhas pequenas. Era meu aniversário de 10 anos e era costume nestas datas a gente acompanhá-lo ao seu trabalho.

–  Estamos atrasados, Ricardo. Vamos apurar o passo. Ainda precisamos tomar café.

O café no refeitório do CETAF. Nada de mais, mas a possibilidade de comer num lugar diferente no meu aniversário tinha um gosto todo especial. Continuei o caminho e olhei mais uma última vez para a vitrine. A promessa colorida e vistosa do cartaz era de milhões. Bastariam para isso alguns poucos trocados e o resultado seria espetacular. Era possível ficar rico, bastando para isso acreditar.

–  Mas por que você não compra o bilhete? – perguntei eu tentando acompanhar suas pernas compridas dando umas corridinhas para emparelhar.

–  Não acho justo. – disse ele secamente

–  E por que não seria justo? Qual o problema em ficar rico? Se a gente for sorteado podemos ficar milionários. Assim como o Onassis.

Ele riu da minha comparação. “Como ele sabia que o Onassis era rico? Onde ouviu dessas coisas?” – pensou.

Segurou um pouco a passada e olhou sério para mim, como sabendo que era o momento para dar uma explicação mais demorada. Desta vez não seria possível usar o “na volta a gente compra”.

–  Não acho certo que qualquer pessoa ganhe dinheiro que não venha do seu trabalho. Receber o prêmio por um bilhete premiado significa que muitos perderam para você ganhar . Não é bonito ganhar o dinheiro das pessoas sem ter trabalhado para isso. Por isso nunca jogo e nem aposto.

Fiquei pensativo, tentando entender sua posição. Que mal poderia haver em arriscar a sorte? Só ganha quem joga, só acerta o número quem tiver…sorte. Qual o erro?

A realidade é que o significado objetivo dessa conversa não tem tanta importância, e poderíamos debater por horas a questão das loterias, dos bingos, e etc. Entretanto, é óbvio que essa história é plena de significados simbólicos, e só por isso ela se mantém na minha memória já passados 60 anos.

Na verdade, não foi sua negativa ao jogo ou sua resistência em “tentar a sorte” que me impressionou. Não foi por negar a se arriscar diante do desconhecido, pois sua vida foi cheia de apostas corajosas – inclusive a mais desafiadora de todas: desistir das antigas crenças e certezas. O que me pegou – e esta é minha honesta interpretação – foi quando me disse que o dinheiro que ganhamos precisa ter o trabalho e a dedicação como contrapartidas obrigatórias. Foi sua adesão a uma “ética da riqueza” que me cativou e deixou essa marca na memória.

Sobrou dessa história a certeza de que a paternidade não precisa ser feita de ações espetaculares, declarações grandiosas ou momentos sublimes de amor pelos filhos. Ela é construída com tijolos minúsculos, por atos banais do dia a dia, palavras e silêncios. Meu pai, por certo, não se lembraria dessa conversa; ela certamente passou despercebida no aluvião de conversas que compõem o cotidiano.

Quanto a mim, jamais a esqueci.

Até hoje creio que meu coração comunista começou a bater nesse dia, e por isso agradeço ao meu pai por mais esta, entre as milhares de lições que ele me deu e das quais serei eternamente devedor.

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Terror

Muitos associam, anda hoje, o ativismo palestino com o terrorismo, um fenômeno dos anos 80. Citam o recente ocorrido em 7 de outubro, os homens bomba dos anos 80 e o ataque aos atletas olímpicos de Israel. Sim, esta última foi uma ação heroica e arriscada de um comando Palestino contra atletas de Israel em Munique. Não vou justificar ações terroristas, por certo, mas o que sempre me impressiona com as pessoas que criticam o terrorismo (que deve ser mesmo questionado) é porque nunca se perguntam as razões pelas quais jovens realizam ações desta natureza, inclusive suicidas. É como se chamá-los de “loucos” ou “fanáticos” fosse suficiente para explicar a motivação para tais atos.

A resposta está no “fugdán al-amal”, um termo usado na Palestina para descrever uma sensação de profunda desesperança e a perda da vontade de viver. Este estado de espírito se segue aos traumas psíquicos decorrentes da morte das pessoas a quem amamos. Por isso os exemplos dados, como 7 de outubro e as Olimpíadas de 1972 soam tão ridículos e até infantis porque dão a entender que as ações terroristas surgiram do nada, criadas por geração espontânea, tão somente pela “maldade” ou “crueldade” de “fanáticos”. Seriam levadas à cabo por sujeitos degenerados movidos por crenças místicas.

Quem afirma isso não entende nada de seres humanos e apenas desnuda um profundo desconhecimento da realidade Palestina. Não há mais como negar a realidade. Hoje em dia o que era escondido foi tornado visível com o advento da Internet, em especial o genocídio Palestino, os ataques terroristas à Cisjordânia e a destruição de Gaza. Acreditar que o motor da reação palestina é o “fanatismo” não passa de uma ofensa à memória das décadas de horror contra o povo palestino.

Na verdade, para a ocorrência dos atos de terror como estes citados é preciso que a situação seja tão deteriorada e humilhante que até atos extremos e terríveis como estes passam a fazer sentido. Até mesmo a mais primitiva das pulsões – a preservação da própria vida – se torna desimportante diante da dor e da desesperança. Somente depois de anos de assassinatos, mortes, sequestros, violência, abusos e humilhações estas ações passam a fazer sentido no campo simbólico de um povo. Esta é a linha final de um sofrimento insuperável, não seu início.

Eu pergunto: se você tivesse seus pais mortos num bombardeio covarde, sua mulher abusada por soldados num check-point, seus filhos espancados indo para a escola, seus irmãos presos e estuprados numa masmorra de Israel e sua vida fosse miserável desde as suas primeiras e mais remotas lembranças, não consideraria um ato extremo de terror, diante da evidência de que nada que foi tentado resolveu a sua dor e nada impediu o massacre continuado ao qual seu povo é submetido?

Responda com sinceridade…

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Já pensou?

Vejo as publicações nas redes sociais versando sobre a disputa eleitoral marcadamente centradas naquilo que pouco interessa. Defensores de ambos os lados gastam tempo insistindo na luta entre esquerda e direita, Lula x Bolsonaro. Quando vão acordar para a inutilidade disso? É claro que Bolsonaro representa a entrega do país aos Estados Unidos, e também é certo que Lula patina porque teme romper os laços com a direita mais trevosa e oportunista, da,qual é nitidamente um refém. Sim, a tal da governabilidade.

O problema é que as questões morais – via de regra falsas ou adulteradas – ocupam o lugar central do debate, o qual deveria ser estrutural. Isso me lembra as disputas no campo político do imperialismo. Democratas e republicanos se digladiam ferozmente sobre pronomes, direitos gays, ajuda aos pobres e a conduta moral dos representantes. Nesse contexto produzido por pura propaganda e pouca realidade, Obama é considerado moral e correto por ser casado há anos com a mesma mulher, e nao ter escândalos sexuais no seu governo (ao contrario de Clinton, Biden e Trump) inobstante a carnificina que protagonizou em 7 países, sendo responsável pela morte direta ou indireta de milhões de pessoas. Já Trump é considerado canalha pelas tolices e pela falta de respeito com as mulheres, mesmo que – em essência – seja tão imperialista, racista, machista e maligno quanto qualquer um dos outros presidentes que o antecederam.

Quando observamos de fora, daqui do sul global, que diferença pode haver entre presidentes que, apesar de condutas pessoais e trajetórias distintas, abraçam o imperialismo, a cultura da força, o belicismo e a opressão econômica como uma religião comum? Nenhuma. Por isso cabe a pergunta: que diferença estrutural pode haver com a vitória de qualquer um dos candidatos à presidência, se ambos se ajoelham diante do Deus mercado e das questões de classe?

Nao é por outra razão que no Brasil devemos abandonar com coragem e determinação as discussões estéreis sobre a moralidade dos atores políticos. Se houver crime, que a polícia avalie. Para o campo popular é preciso radicalizar à esquerda se quisermos fazer a diferença. Nada de acertos espúrios, de conchavos, de agrados à grande imprensa ou ao sistema financeiro. Precisamos de um choque popular de caráter socialista e humanista, sem concessões ao mesmismo das disputas entre esquerda liberal e direita neoliberal. Nossa resposta deve ser de oposição à burguesia e à sociedade de classes. De verdade, sem atalhos.

Já pensou?

* na imagem minha Camélia carregada de flores vermelhas anunciando um futuro mais humano, mais fraterno e socialista.

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Democracia chinesa?

Quando influencers da direita brasileira falam da “ditadura chinesa” eu logo penso: esse cara nunca foi à China, nunca estudou o modelo chinês, não sabe como é o sistema eleitoral de lá e nem como funciona o sistema de participação popular da China. Talvez não saibam sequer apontar a China no mapa. Eles certamente desconhecem que a China tem 8 partidos políticos, que a organização partidária é livre e que existem partidos que inclusive defendem a volta ao capitalismo. Por certo que diante do sucesso espetacular do socialismo chinês e do fracasso retumbante do capitalismo ocidental (em especial o do Brasil) não haveria como este último ser muito popular. Não se trata de idolatrar o sistema chinês que, como construção humana, é cheio de falhas, como se poderia esperar. Entretanto o fetiche liberal com a China é revelador das próprias fraquezas do capitalismo.

Lembrem apenas que no ano 2000 o PIB da China era igual ao do Brasil. Por que estagnamos e a China já tem até naves pousadas na lua? Por que o salário médio chinês é maior do que o brasileiro há mais de uma década e semelhante ao americano? Sim, as empresas (como a Apple do IPhone) não vão para lá para economizar em mão de obra, mas pela qualidade do trabalhador chinês e pela quantidade de engenheiros altamente capacitados.

Dizer “ditadura chinesa” é prova de ignorância e fanatismo, fruto do desconhecimento sobre o país que lidera a tecnologia no mundo e não precisa estabelecer seu papel no cenário tecnológico mundial distribuindo exércitos e ameaçando países.

Que miséria!!!

Por que continuam com essa retórica atrasada, mística e religiosa sobre a democracia liberal? Pensem que esse tipo de “democracia burguesa” só permite que chegue ao poder quem concorda com os ditames da burguesia, os donos, os latifundiários e os proprietários dos meios de produção. A todos os outros é vedado o acesso. Veja o Brasil onde mesmo um presidente que se negasse a assumir uma postura de esquerda é constantemente ameaçado, e onde uma presidenta sofreu um golpe por nao agradar os conservadores.

Analisem também os Estados Unidos cujos dois últimos presidentes são clinicamente diagnosticados como dementes, mataram por volta de 10 milhões de pessoas em guerras fora do seu país e  condenam boa parte do país à pobreza, à miséria e à desassistência. A burguesia elege presidentes dementes, que podem iniciar uma guerra mundial!!! Pensem no Brasil que elegeu Bolsonaro, um sujeito cujo filho se refugiou nos Estados Unidos para fugir da justiça. e que disse “I Love You” para Trump, produzindo uma brutal humilhação.

Enquanto isso, estudem a biografia do presidente Xi, que antes de ser presidente passou 40 anos trabalhando nas administrações de cidades e estados do seu país. E mais, para quem acha que o modelo chinês é uma ditadura, reconheçam que nenhum país fez tantas mudanças estruturais e políticas como a China nos últimos 20 anos, muito mais do que qualquer país europeu. Tais mudanças sempre foram guiadas pelo interesse dos chineses, com participação direta popular. Os Estados Unidos é muito menos democrático que a China, pois tem um partido único composto de duas alas, que se intercalam no poder. Esses partidos se unem no culto ao imperialismo e na doutrina do “destino manifesto”, e por isso são parceiros em todas as guerras. Da mesma forma os partidos de Israel se unem no sionismo e na destruição dos palestinos como a cola nacional. Não há real democracia em ambos os países.

Para conhecer a China, perguntem para quem estuda o modelo chinês. O professor Eric X. Li tem uma excelente palestra sobre o tema.

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