Tudissquitaí

Já repararam como a direita do mundo todo usa sempre a mesma narrativa? Os ataques à esquerda sempre são moralistas, jamais estruturais, e a culpa é sempre do “sistema”, como se eles não fossem o próprio coração do sistema capitalista. Afinal, o que querem dizer quando afirmam que o povo está “reagindo ao sistema”? Por que esse ataque à “classe politica” surge como um mantra, uma fórmula clássica de ataque da direita? Por que a direita, para atacar a própria expressão da politica, usa o refrão de que “todo político é ladrão”?

A razão é simples: a política é a única e frágil salvação que as pessoas têm para resistir ao controle absoluto do capitalismo. Lembrem: políticos precisam de votos e podem ser excluídos pelo voto. Cadeiras no parlamento ainda precisam da escolha popular através do voto. Um presidente é escolhido dessa forma e com ele sua política e perspectiva de governança Agora, digam qual foi a última vez que alguém votou para eleger o presidente da Meta, da Amazon, ou mesmo das Americanas!! Nunca, não é?

Pois é exatamente isso que a extrema direita deseja: um mundo controlado por corporações transacionais, onde o povo perdeu todas as razões objetivas para escolher representantes. Nesse mundo distópico de direita, controlado pelo capital, o Estado é tão diminuto e insignificante que de nada adiantaria o seu voto, pois tudo seria dominado pela casta dos proprietários, dos burgueses, dos donos de tudo. O povo só poderia trabalhar, olhar, chorar e morrer; afinal não há como mudar o mundo privado.  A utopia capitalista seria um tecno-feudalismo com classes estanques e pétreas.

É por esta razão que tantos representantes da direita atacam o “sistema”. Na verdade, para eles o “sistema” é a própria democracia burguesa, o voto, as instâncias populares. O direitista fala da “classe politica” com desdém porque odeia qualquer anteparo democrático que exista entre os burgueses e a riqueza produzido por todos nós.

Quando você escuta um bolsonarista dizendo “tem que mudar tudissquitaí” ele, no fundo, está se referindo ao projeto direitista de eliminar seu direito participar da equação politica.

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Censura, de novo

Deixa eu entender: a esquerda quer votar uma lei para censurar as pessoas quando falarem mal de mulheres, é isso? Curiosa essa proposta. Na minha adolescência, nós comunistas lutávamos para extirpar o câncer da censura, porque ela impedia a livre expressão do nosso ideário. Pois agora (quem diria!), a esquerda quer ela de volta. No meu tempo as mentiras eram combatidas com a verdade, com o contraditório, no debate livre e aberto; agora a solução volta a ser aquela tradicionalmente apregoada pelos fascistas: censurar aqueles com quem não concordamos.

Ou seja, a fala idiota do neto do ditador, afirmando que “mulheres votam mal”, não poderia ser dita, e nunca saberíamos o que ele realmente pensa. Entretanto, dizer que mulheres votam mal não representa nenhuma ameaça à integridade física delas, a não ser que alguém consiga me provar essa ligação. Falar mal do Bolsonaro ameaça sua vida? E criticar as posturas do Lula? Quem inventou essa ideia de que palavras de crítica ou ofensas equivalem a ameaças de morte?

E qual seria o benefício da censura? Positivo, nenhum, mas censurar faz crescer os laços de união entre aqueles que pensam diferente. O nazismo é proibido e censurado no Brasil e na Alemanha, e mesmo assim – e talvez por isso – multiplicaram-se as células nazi nesses países nos últimos anos. Veja o que virou Santa Catarina e muitos bolsões supremacistas em São Paulo, agora lotados de núcleos de apoio ao nazismo . A censura estimulou seu crescimento nas sombras, onde a luz do debate e da livre exposição das ideias não consegue penetrar.

Impedir que idiotas falem – nos limites da lei – é uma estupidez autoritária. Por certo que a incitação ao crime continua sendo ameaça criminosa, mas criticas – mesmo as preconceituosas e idiotas – devem ser combatidas sem a judicialização que apenas ajuda a encarcerar negros e pobres.

As mulheres não merecem ser tratadas como seres inferiores e incapazes de se defender.

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O Problema

Imagine alguém escrever um texto onde se analisam as circunstâncias da segunda guerra mundial dizendo que não se pode confundir o “nazismo nacionalista e humanista” com os outros nazismos, que produziram o horror da guerra. Este “outro” nacional socialismo tomou o poder e subjugou o “bom nazismo”, democrático e solidário, digno representante das aspirações alemãs, e isso deteriorou a imagem nazista por causa de Adolf Hitler, prejudicando a justa aspiração do povo alemão.

Alguém conseguiria suportar esta bobagem? Bastaria olhar a imensa aprovação do povo alemao ao seu Führer para perceber que ele não era o problema – e para muitos dos seus compatriotas era a solução. Da mesma forma, a ideia de dizer que o “sionismo é bom, o problema é Netanyahu e sua gangue” sucumbe quando vemos dezenas de documentários sobre o racismo basilar da sociedade de Israel e as pesquisas feitas pelos próprios israelenses sobre o apoio massivo da população judia de Israel ao massacre dos palestinos. Não há mais nenhuma dúvida de que o governo de Netanyahu representa a psicopatia social de Israel, criada sob uma lavagem cerebral que se inicia no berço e se estende até o túmulo, criando uma cultura de terror, massacres, racismo e supremacismo.

Por isso a sociedade de Israel eleva à condição de heróis os estupradores das suas prisões e não se importa com 144 crianças palestinas usadas como alvo para os snipers criminosos de Israel. Sim, os matadores de crianças são tão monstruosos que se gabam de matar mulheres e seus filhos, dizendo não haver inocentes em Gaza. Por isso Netanyahu e a extrema direita de Israel são a consequência de uma sociedade doente, jamais a causa da monstruosidade sionista.

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Sionismo liberal

Agora todo mundo está vendo que do nada, por magia e por encanto, as pessoas começaram a ter atitudes contra j*deus no mundo inteiro. Assim, sem nenhuma razão aparente estamos diante de uma onda de antissemitismo. Essa mudança repentina no comportamento de cidadãos do mundo inteiro parece um pouco estranha, não? Não será porque canalhas de Israel já mataram mais de 80 mil árabes e cristãos civis, entre libaneses e palestinos? Certamente que essa antipatia contra os seguidores da Torah não é pela tortura sistemática de prisioneiros nas masmorras de Israel, e nem porque treinaram cães para abusar sexualmente de prisioneiros. Por certo que não será pelo enorme número de crianças palestinas com balas na cabeça e no peito, atingidas pelos snipers assassinos de Israel. Deve haver outra explicação. Só pode ser um ódio gratuito. E de novo Israel é a vítima do mundo. Nunca é pelo apartheid, pelos assentamentos ilegais, pelas prisões sem devido processo legal, pelos ataques à comunidade árabe. Mas, resta a pergunta: se os sionistas não são culpados, de quem srerá a culpa? Claro, dos palestinos, que jamais se renderam. Mas também virou prática entre os “sionistas de esquerda” (um oxímoro) chamar qualquer critica ao sionismo – seja pelo genocídio, pelas ocupações ilegais ou os assassinatos constantes – de “antissemitismo”. Todos que combatem o governo de Israel há décadas já receberam este tipo de acusação.

No entanto, perceberam como este ataque perdeu completamente a força nos últimos tempos? O que outrora amedrontava, por colocar no sujeito o rótulo de racista e/ou negacionista do holocausto, hoje virou um clichê gasto, usado por quem não tem mais argumentos e não consegue rebater a avalanche de acusações contra Israel. Hoje é possivel dizer que se você não for acusado de antissemita é porque não esta denunciando corretamente o genocídio sionista. Depois dos massacres em Gaza, ninguém mais consegue acreditar na retórica dos liberais, que ainda insistem na tese de que o problema com Israel é exclusivamente culpa de Netanyahu e a extrema direita fascista de Israel. Infelizmente, isso não condiz com a verdade. Pesquisa recente do Israel Democracy Institute (IDI) indicou que mais de 75% dos judeus israelenses apoiavam a continuação da guerra. Ou seja, a população judaica da Palestina apoia o massacre, e uma boa parte acha que foi pouco o que foi até agora realizado. Michal Woldiger, membro do Knesset disse: “Não existem inocentes em Gaza. Sim, crianças devem ser mortas também. Não existe outra maneira”. Pensem, essa mulher tem filhos e uma vez os carregou em seus braços. Quando uma mãe diz que crianças devem ser mortas numa guerra criada e levada a cabo por adultos qualquer sinal de humanidade já abandonou seu coração há muito tempo. Não resta nada, sobrou apenas um monstro de ressentimento, ódio e supremacismo.

Desumanizar os palestinos sempre foi a tarefa inicial do projeto sionista, e eles agora estão sendo mortos pela suprema ousadia de resistir. Mas enganam-se aqueles que acreditam, como os sionistas “moderados”, que se trata de um problema da extrema direita israelense capitaneada por Bibi Netanyahu. Não, essa parlamentar de Israel não é o resultado das políticas de Netanyahu, mas a razão pela qual esse canalha está no poder. Ele apenas representa estes degenerados sionistas supremacistas, produzidos na esteira de produção industrial de fascistas de Israel. O primeiro ministro israelense é tão somente o reflexo da sociedade que o sustenta, a consequência brutal de um modelo supremacista e racista, e não a sua causa.

“Sionismo democrático, liberal, trabalhista, humanista: sim; supremacismo territorial com roupagem de promessa bíblica: não.”

Como conseguem ainda defender esta tolice? Sionismo significa retirar os palestinos das terras em que habitavam há séculos para criar uma etnocracia que só se sustenta pelo terror. Imaginar que é possível criar um sionismo democrático excluindo os palestinos da equação é mais do que ingenuidade; é perversidade pura, supremacismo travestido de “libertação dos oprimidos”. Lembrem apenas que essas afirmações são idênticas à pregação de Adolf, que tratava a questão alemã como uma revanche do “povo alemão oprimido” pela conjuntura internacional e pelo acordo criminoso de Versailles, muito prejudicial para a Alemanha porque impôs perdas territoriais, limitações militares e pesadas obrigações financeiras que muitos alemães viram como humilhantes e injustas. Ora, as desculpas para massacrar os povos – ora judeu, agora palestino – aparecem sempre com uma roupagem bonita, certo? Compra quem quer. Mas Marx já deixava bem clara esta equação ao dizer que a história se repete, primeiro como tragédia … e depois como farsa. O sionismo é a farsa da emancipação judaica. Nada mais é do que a a roupa moderna do velho colonialismo europeu, expoliador, racista, violento e genocida.

A causa dessa disputa de narrativas é o modelo de terror implantado por Israel desde sempre, a começar pelo ataque ao hotel King David levado a cabo pelos terroristas do Irgun. Toda a história de Israel foi baseada na morte, na expropriação, no abuso sexual, na impunidade e no assassinato, basta ler com cuidado a história desse país! Enquanto aqueles que apoiam a causa palestina são chamados de “antissemitas” é preciso proteger e apoiar os semitas de Gaza, porque os sionistas liberais se ocupam defendendo poloneses e ucranianos em suas fantasias semitas ridículas. A sociedade israelense, que aplaude a tortura nas prisões e transforma torturadores em ídolos populares, tornou-se degenerada e doente. E isso não tem nada a ver com os judeus ou judaísmo, mas com essa perversão racista chamada sionismo. Assim como criticar o nazismo não significa ser anti-alemão ou anti-cristão, então não há porque acreditar nesta confusão oportunista. Ninguém mais compra docilmente as mentiras da hasbara.

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Namoro qualificado

Agradeço a Deus por estar fora do mercado.

Hoje em dia se discute uma nova(?) categoria que se chama “namoro qualificado“, que se caracteriza por um relacionamento afetivo duradouro, público e íntimo que se assemelha à união estável, mas se diferencia juridicamente por não possuir o objetivo atual de constituir família. O debate jurídico centra-se em proteger a liberdade individual frente a riscos patrimoniais e sucessórios. A discussão envolve implicações fundamentais para o direito de família e o planejamento patrimonial. Segundo a jurisprudência, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o divisor de águas entre namoro qualificado e união estável é o “animus familiae”, ou seja, o desejo de constituir uma família. Elementos como coabitação, viagens constantes, divisão de despesas e até a criação conjunta de animais de estimação confundem a distinção na prática, obrigando a análise caso a caso.

Para uma pessoa que namora, expressar diretamente o desejo de (algum dia) se casar, ou ter uma família ou mesmo ter filhos é uma sentença determinante do que ocorrerá naquele relacionamento quando ele se desfizer. Ter um “pet” que ambos cuidam é muito arriscado. Tirar fotos em uma viagem que fizeram é uma prova gerada para um futuro processo. Passar um tempo na casa do outro é atirar no próprio pé. Dividir as contas…. suicídio.

Namorar, ou mesmo desejar, estará sujeito à dureza das leis e tem o potencial de geral punições arruinar vida financeira de um dos participantes. Conheci inúmeros casos de golpes relacionados ao namoro, que agora tiveram um grande crescimento relacionado às inteligências artificiais. Durante minha vida profissional e pessoal eu conheci muitas pessoas sofrendo por causa desses criminosos e a maioria era de mulheres sendo enganadas por sujeitos sedutores, alguns mesmo “geniais” e maquiavélicos na arte de explorar a carência afetiva de suas vítimas – em especial mulheres mais velhas e solitárias. Entretanto, ultimamente tenho testemunhado muitos casos de mulheres se aproveitando de relacionamentos passageiros e descompromissados para exigir compensações financeiras e até pensão, como se um casamento – ou uma união consensual – tivesse efetivamente ocorrido.

Hoje se discute no supremo os limites do “namoro qualificado” que servem para diferenciar relacionamentos mais próximos e comprometidos de uniões mais frugais e passageiras. Se você tiver um namoro qualificado – onde o desejo de constituir família foi aventado por um ou por ambos – e resolver terminar a relação poderá sofrer punições e, inclusive, ser obrigado a pagar pensão ao seu parceiro(a). Fica muito evidente que uma questão que envolve a subjetividade, o desejo e os compromissos de duas pessoas (deixo de fora aqui os outros tipos de relacionamento não-dual) tornaram-se assuntos que são regulados pela justiça.

Ou seja: parece que não há saída para os relacionamentos que não passe pela judicialização, com testemunhas, em um cartório, com os documentos assinados em mão, tudo feito como se fosse um negócio, um acerto financeiro e/ou patrimonial. É preciso proteger-se para, futuramente se livrar da acusação de estar cometendo um crime.

Mas…. talvez hoje em dia, namorar seja mesmo visto como um ato criminoso

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Enquanto tu gritas gol…

A ideia de que a Copa é alienante e deveríamos estar preocupados com as eleições, pois são elas que decidem nossa vida, é uma meia verdade. Não vou dizer que eleições “não valem nada”, mas elas estão longe de apresentar soluções para a crise do capitalismo.

Depois das eleições a vida segue praticamente imutável. Enquanto o sistema neoliberal perdurar as eleições apenas escolherão o gerente da massa falida do capitalismo. As diferenças são pouco significativas na estrutura da sociedade. Os bancos continuarão a mandar na sociedade e o governante escolhido ainda será sequestrado pelos interesses intestinos do Parlamento. A diferença é que a eleição de um elemento da direita continuará o desmanche do Estado brasileiro, privatizado-o para ser controlado por poucos e sem controle público. A eleição da esquerda vai priorizar a diminuição do fosso entre as classes altas e os pobres, e a cobrança de tributos dos mais ricos, mas não a ponto de mudar a arquitetura perversa das democracias liberais. Por esta singela razão vou votar no PCO no primeiro turno e no companheiro Lula no segundo turno, pois é preciso afastar a ameaça fascista e o entreguismo da direita.

Portanto, acreditar em uma mudança profunda neste modelo de democracia liberal, controlada pelo poder econômico, é tolice. Sou velho o suficiente para lembrar quando elegeram um negro democrata nos Estados Unidos achando que alguma mudança ocorreria na estrutura última da sociedade, e que finalmente os descamisados teriam vez. Obama invadiu inúmeros países, matou milhões de pessoas, espionou o Brasil e países da Europa, aprofundou o discurso identitário direitista e não produziu nenhuma mudança na saúde americana, aprofundando a disparidade entre a casta dos bilionários e a imensa camada pobre americana.

Até Lula, para ser justo, também jamais conseguiu uma mudança radical porque está amarrado num sistema que não lhe garante um congresso ao seu lado. Nossas eleições funcionam mais uma caricatura democrática, uma encenação – cara – para manter intocado o real sistema de poderes, que se concentra nas mãos de quem controla o capital. Ou vocês não perceberam que Vorcaro tinha o legislativo e o judiciário nas mãos? Quem era o verdadeiro dono do Brasil?

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Sobre cotas raciais na residência médica

Apoiado. Chega de termos apenas médicos brancos no Brasil. Seria muito bom termos mais especialistas não brancos para que seja criada uma nova perspectiva, com maior diversidade e representatividade na Medicina. Essa iniciativa produziu uma grande transformação no colorido das Universidades durante os governos progressistas. Creio que ela teria a possibilidade de produzir o mesmo efeito na residência médica, mas também no Ministério Público e no Judiciário e outras profissões. Promotores e juízes não brancos fazem falta. Esse tipo de iniciativa – chamada de discriminação positiva ou “affirmative action” – por certo é uma estratégia limitada no tempo. Deve perdurar até até se crie uma cultura e uma estética novas nestes setores. Depois podemos voltar ao modelo simplificado.

Lembrando que só os ingenuos acreditam que a estratégia de cotas é a solução para a exclusão. Negativo; a exclusão só vai acabar com a revolução socialista e o fim da sociedade de classes, mas dentro do capitalismo decadente pode trazer algum auxílio, como pode ser visto na mudança do perfil nas universidades.

Entretanto, é importante ler os estudos sobre “perfil de entrada e saída” que foram produzidos nos últimos 20 anos de experiência com cotas no Brasil. Eles mostram que, sim, o perfil de entrada dos cotistas é inferior ao dos não-cotistas, mas esse perfil equaliza e até sofre reversão em muitos cursos no perfil de saída. Quem afirma que essa medida diminuirá a qualidade dos médicos está errado ou, ao menos, não está usando dados científicos para produzir seu juízo.

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Hasbara, nova fase

Nas redes sociais continuam sendo disseminados argumentos alinhados ao sionismo liberal, principalmente agora, quando não há mais como esconder o horror e a matança patrocinada pelos sionistas. Entretanto, fica muito claro que esse discurso não cola mais. Todo mundo já sabe que essa é a tática do sionismo internacional por meio da nova fase da Hasbara. Os colonos, em especial a elite ashkenazi, são os principais porta-vozes dessa narrativa. Estes são os colonos europeus – em especial do leste – que se especializaram em roubar terras palestinas financiaram o colonialismo europeu no Oriente Médio, nada muito diferente do que foi feito pelos franceses na Argélia ou pelos Portugueses em Angola.

Cabe a nós, a esquerda consciente, dizer “chega!!” para esses argumentos requentados, que tratam toda crítica ao terror israelenses como antissemitismo; ninguém mais aceita cair nessas armadilhas, em especial quando vem daqueles que nunca derramaram uma lágrima sequer pelas crianças de Gaza e da Cisjordânia e, pior ainda, culparam a resistência Palestina e o Hamas pelas mortes causadas pelo opressor.

E sim, cada vez que um sionista é morto em batalha ficamos mais próximos da paz, até porque ele deixará de matar dezenas de crianças palestinas e Israel perceberá que será varrida do mapa pelo resto do mundo se continuar seu governo de terror. Os sionistas liberais precisam “mudar o lado do disco”, pois ninguém mais aceita o discurso batido do “Netanyahu maldito”, ou criticar Ben Gvir ou Moshe Feiglin como se a culpa fosse somente deles ou da extrema direita supremacista, quando 90% da população de judeus israelenses apoia o massacre – e ainda acha que foi pouco. É a cultura supremacista e assassina que precisa ser combatida e extirpada do planeta. Para que sobrevenha uma palestina livre, com judeus, muçulmanos e cristãos vivendo em paz, como era antes da chegada dos branquinhos askenazis.

O governo de Israel é realmente o governo da extorsão, do terrorismo, do Mossad, das Torres Gêmeas, do Wainstein e do Epstein, com sua contumaz política de extorsão e de propina oferecida aos políticos americanos. Só esse tipo de poder pode explicar como 2% da população americana controlam os outros 98%. E isso nada tem a ver com a população judaica, mas com os sionistas que controlam as finanças e a mídia americanas, a ponto de criarem uma vertente bíblica falsa que produziu a escumalha dos cristãos sionistas.

E não adianta nos chamar de antissemitas. Entre nossos maiores ídolos estão inúmeros judeus. Aqui uma lista deles:

Marx
Freud
Einstein
Chomsky
Max Blumenthal
Schlomo Sand
Norman Finkelstein
Primo Levi
Owen Jones
Miko Peled
Gideon Levi

… e muitos outros nobres judeus que lutam contra a opressão na Palestina

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Virada

Saber que o Irã – mesmo com todos os seus defeitos e idiossincrasias – colocou o império de joelhos e humilhou os racistas supremacistas de Israel, provando ao mundo que as forças armadas de ocupação de Epstein não passavam de um tigre de papel, que o domo de ferro era uma peneira e que uma nação unida por um objetivo claro e justo se torna invencível, não tem preço. Ver centenas de colonos israelenses chorando a morte dos seus matadores de crianças é uma cena marcante para esta geração que se acostumou a ver apenas as lágrimas das famílias palestinas

Aliás, vocês perceberam como todo o regime que se opõe ao Império é imediatamente tratado pela imprensa sionista americana como terrorista e “horroroso”? Qualquer um pode tentar adivinhar qual a a falha moral que os americanos pretendem acusar seus adversários, basta usar da criatividade. No caso iraniano é a “misoginia”. Afinal, “obrigam” mulheres a usar véu, e isso é muito pior do que o fato de serem maioria nas Universidades e ocuparem posição de liderança em várias áreas. Na Rússia o problema era com os gays e a homofobia do Putin, alardeados cotidianamente para angariar a simpatia dos identitários. No Afeganistão foi o combate ao ópio, e na Venezuela os narcotraficantes. Tudo mentira, tudo propaganda, assim como era falsa a existência de “armas de destruição em massa” no Iraque de Sadam, como sabemos, porém usados como justificativas morais para atingir objetivos geopoliticos e roubar recursos naturais.

No Brasil, quando decidirmos encarar nossa vergonhosa submissão aos ditames do Império Americano e resolvermos enfrentá-los com bravura, qual será a desculpa que eles usarão? Por acaso será o “terrorismo das favelas”, ou a “corrupção dos triplex”? Quem sabe não será a “destruição sistemática da Amazônia”? Quem mácula moral será colocada sobre o nosso povo para justificar uma intervenção? Existem várias alternativas, mas por certo que a direita brasileira se aliará automaticamente ao invasor externo, reproduzindo as desculpas que eles mesmo vão estampar em seus jornais. Os Bolsonaro já estão fazendo isso agora mesmo nos Estados Unidos, não se espantem. O Império sabe como manipular seus acólitos para justificar sua eterna intromissão nos assuntos domésticos.

A verdade é que o Irã ensinou ao mundo que é possível se defender contra a potência agressora imperialista usando as armas da estratégia, usando inteligência apurada e planejamento sofisticado na defesa da soberania nacional, mesmo com poucos recursos e sob bloqueio. O Hamas e a defesa libanesa seguem o mesmo padrão, com ainda menos condições econômicas, mas mostrando aos racistas que a defesa do território nacional não tem preço. Fico feliz de ter testemunhado esta virada do Sul global em direção à liberdade e à autonomia, por um mundo multipolar.

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Escola

É possível que a situação do magistério seja dramática mesmo. Afinal, o Brasil é governado por partidos ligados ao modelo capitalista desde seu surgimento, o qual trata a educação como negócio. Esse modelo se especializa na produção de um enorme contingente de trabalhadores com pouca ou nenhuma capacitação para realizar as funções mais exploradas e mal pagas da sociedade – como limpeza, segurança e construção civil. Por isso uma educação crítica é sempre vista como perigo pelos poderes constituídos, e qualquer mudança curricular de caráter progressista produz como reação algumas aberrações como “escola sem partido”. Quando um país alcança um nível superior de educação – como ocorreu no norte da Europa – a solução é importar trabalhadores braçais, como fazem Estados Unidos e Europa.

Entretanto, a solução poderia ser outra. Poderíamos aumentar o investimento na educação – como propõe a esquerda e em especial o saudoso Brizola – para oferecer melhores condições para os estudantes, e ainda garantir pensamento crítico e uma perspectiva transformadora para ser usada em benefício próprio, na transformação de suas vidas. Entretanto, esta proposta é por demais desafiadora e revolucionária para ser aceita pelos conservadores. Ao invés de melhorar a educação, eles apostam em algo mais radical: exterminar a escola, retirar as crianças, mantendo-as longe do convívio – e dos atritos – com outros infantes. O argumento usado? Ora, os professores são ruins e incapazes. Parece sensato?

Isso ocorre porque muitos não conseguem entender as funções primordiais da Escola. É necessario entender que as crianças não vão à escola para adquirir conhecimento, mas para escapar do jugo familiar, do universo restrito dos afetos primordiais, para descobrir o mundo e para aprender a conviver com seus iguais. Da mesma forma como um bebê não procura o seio para o leite, mas em busca de afeto – recebendo como prêmio o melhor alimento jamais criado pela natureza – a criança vai a escola em busca do outro, do mundo, mas também encontra ensinamentos valiosos para lidar com os desafios da vida.

Não sou pedagogo, mas ja estive na pele do estudante e do professor, e questiono a primazia dos aspectos cognitivos sobre o fluxo afetivo e emocional que circula no processo pedagógico. Criticar os conteúdos escolares para justificar o abandono da escola serve apenas manter intocados os sistemas de poder e o circuito afetivo familiar. Isso é um erro, porque trata a absorção de conhecimento como o único (ou principal) objetivo das escolas, quando em realidade as verdadeiras lições estão no campo das emoções.

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