Generalizar contra negros, gays ou imigrantes usando uma minúscula fração desses grupos – a parcela que cometeu erros ou mesmo crimes – parece ser errado, por tomar uma pequena parte para representar o todo. Creio que ninguém é capaz de discordar disso, não? Quaisquer textos que iniciem com “os negros são”, “as mulheres gostam”, “os judeus pensam que” ou “os gays preferem” parecem inexoravelmente contaminados por preconceitos inaceitáveis, que colocam um rótulo de gênero, orientação sexual ou etnia acima da suprema riqueza da subjetividade humana.
Pois… quem concorda com o paragrafo acima, poderia explicar por que ainda aceitamos o preconceito incoerente contra os homens, tão na moda nos dias de hoje? Por que lemos cotidianamente nas redes sociais manifestos contra os homens – e o masculino – sem revirar os olhos como fazemos com os textos racistas ou machistas? Por que parece justo afirmar que os homens são “naturalmente violentos”, “abusadores” (que apenas aguardam a adequada oportunidade) e “est*pradores em potencial”, apenas porque uma parcela ínfima (vide abaixo) de homens realmente pratica tais atos condenáveis? Além disso, que dizer das mulheres que igualmente agem mal, cometem deslizes e crimes, mesmo sabendo que esta proporção é também diminuta? Seria justo acusar um gênero inteiro pelo erro de algumas poucas, colocando a culpa na essência e não nas circunstâncias? Taia ataques aos homens enquanto gênero ocorrem exatamente num momento em que as sociedades valorizam tanto a liberdade e a subjetividade. Porém, ao chamar homens de agressores e estupradores de forma irrestrita e generalizada abre-se a “caixa de pandora” para generalizar também as mulheres a partir de uma ínfima minoria. Mas não foi essa a justa reclamação que segmentos feministas sempre fizeram?
“Homens”, “mulheres”… quando generalizamos dessa forma os gêneros, isso abre um flanco enorme para o contra-ataque, que sempre vem com cara de misoginia – e é mesmo. Só que tratar todos os homens de maneira uniforme é… como é mesmo que se chama o reverso da moeda? Isso não significa que as questões de gênero não devam ser debatidas e a violência combatida com todas as forças, em especial aquela exercida no ambiente doméstico contra as mulheres e as crianças, os grupos mais frágeis e mais propensos a sofrer este tipo de opressão. Entretanto, extrapolar o problema de menos de 1% dos homens para que o abuso e a opressão criminosa se tornem a marca tatuada na testa de todos é um erro que me parece inaceitável.pois tais acusações contra o gênero masculino são, via de regra, grosseiras e injustas. Como se pode ver em inúmeros estudos, mais de 99% dos homens jamais agrediu uma mulher ou cometeu qualquer crime.
Defendo o masculino porque passei 50 anos da minha vida profissional lutando contra as generalizações demeritórias que eram feitas contra as mulheres, contra sua fisiologia, sua sexualidade, seus ciclos e seus partos. Ver mulheres cometendo a mesma injustiça contra os homens – e se achando moderninhas porque os atacam – me deixa tristeb e indignado. A imagem que me vem à mente quando vejo texto inflamados que acusam os homens por toda e qualquer chaga do mundo, desferindo impropérios contra o gênero enquanto grupo é: essas mulheres não tem pai, marido, filhos, irmãos? É isso que elas enxergam neles? Seriam eles também agressores ressentidos, violentadores em potencial? Essa visão do masculino veio de onde? Ou “seus homens” seriam diferentes, especiais, “desconstruídos”, e essa fala é apenas sobre os “outros homens”?
E não adianta me acusar de “machista” apenas porque “atacaram os homens”, ou que “não suporto ler verdades”. Não é correto, nem justo. Sei o quanto os homens precisam se adaptar a um mundo mutante, onde os papéis – outrora fixos e estáveis – agora são voláteis e vicariantes. Homens e mulheres precisam se adaptar às transformações violentas nos costumes, no trabalho e na expressão de suas sexualidades. Forçoso é aceitar que existem homens que não concordam com esse confronto, com uma dicotomia estabelecida pelo ressentimento, e muitas mulheres também não aceitam que seus filhos, irmãos e amigos sejam julgados de forma tão negativa. Generalizar serve aos interesses apenas de quem fomenta ódio.
Vocês sabiam?
99,16% dos homens brasileiros jamais cometeram algum tipo de crime ou violência.
Dos 103.662.286 de homens brasileiros, apenas 0,83%% cometem crimes segundo todos os dados oficiais.
Mesmo se os dados fossem extrapolados com subnotificações desconhecidas, o número seria de 97,5% dos homens brasileiros que nunca cometeram nenhum tipo de crime ou violência. Estes dados foram coletados e analisados com base em estatísticas oficiais do IBGE, SISDEPEN e CNJ.”









