É possível que a situação do magistério seja dramática mesmo. Afinal, o Brasil é governado por partidos ligados ao modelo capitalista desde seu surgimento, o qual trata a educação como negócio. Esse modelo se especializa na produção de um enorme contingente de trabalhadores com pouca ou nenhuma capacitação para realizar as funções mais exploradas e mal pagas da sociedade – como limpeza, segurança e construção civil. Por isso uma educação crítica é sempre vista como perigo pelos poderes constituídos, e qualquer mudança curricular de caráter progressista produz como reação algumas aberrações como “escola sem partido”. Quando um país alcança um nível superior de educação – como ocorreu no norte da Europa – a solução é importar trabalhadores braçais, como fazem Estados Unidos e Europa.
Entretanto, a solução poderia ser outra. Poderíamos aumentar o investimento na educação – como propõe a esquerda e em especial o saudoso Brizola – para oferecer melhores condições para os estudantes, e ainda garantir pensamento crítico e uma perspectiva transformadora para ser usada em benefício próprio, na transformação de suas vidas. Entretanto, esta proposta é por demais desafiadora e revolucionária para ser aceita pelos conservadores. Ao invés de melhorar a educação, eles apostam em algo mais radical: exterminar a escola, retirar as crianças, mantendo-as longe do convívio – e dos atritos – com outros infantes. O argumento usado? Ora, os professores são ruins e incapazes. Parece sensato?
Isso ocorre porque muitos não conseguem entender as funções primordiais da Escola. É necessario entender que as crianças não vão à escola para adquirir conhecimento, mas para escapar do jugo familiar, do universo restrito dos afetos primordiais, para descobrir o mundo e para aprender a conviver com seus iguais. Da mesma forma como um bebê não procura o seio para o leite, mas em busca de afeto – recebendo como prêmio o melhor alimento jamais criado pela natureza – a criança vai a escola em busca do outro, do mundo, mas também encontra ensinamentos valiosos para lidar com os desafios da vida.
Não sou pedagogo, mas ja estive na pele do estudante e do professor, e questiono a primazia dos aspectos cognitivos sobre o fluxo afetivo e emocional que circula no processo pedagógico. Criticar os conteúdos escolares para justificar o abandono da escola serve apenas manter intocados os sistemas de poder e o circuito afetivo familiar. Isso é um erro, porque trata a absorção de conhecimento como o único (ou principal) objetivo das escolas, quando em realidade as verdadeiras lições estão no campo das emoções.











