Arquivo do mês: novembro 2012

Juizes de Opala

Opalão

 

E se realizássemos, enfim, o velho plano do Roger Jones de que os juízes apitassem jogos de futebol a bordo de um Opalão rebaixado? Nada mais de testes físicos para a arbitragem, apenas teste de legislação, direção e baliza. Juizes apitariam com a buzina, claro. Os vidros do Opala seriam “fumê”, com película. Na lateral, vidros “bolha”. Bannerzinho de caminhoneiro na frente: “Dirigido por mim, apitado por Deus”. Imaginem um jogo em que o juiz vem “correndo” pela lateral e o zagueiro cabeceia a bola, devolvendo-a para o meio de campo, e o árbitro imediatamente dá um cavalinho de pau de 180 graus, e levanta 37 quadrados de leiva. Seria um espetáculo!!! Haveria torcida para as façanhas acrobáticas dos juízes aloprados na direção de “máquinas mortíferas”. Poderia ter “pit-stop” para o Opala, caminhonetes da Unimed para os atropelados (“se querem modernidade, teremos que pagar um preço”, diria Blatter, da FIFA) e as garotas estilo “fórmula 1”, de saiotes curtinhos e sorriso Kollynos. Cara, isso é a revolução tecnológica do futebol, o esporte do futuro !!!!

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Plata por un Corazón Eterno

(articulista convidado, Roger Jones)
Miguelita Hernandez Santa Cruz de la Santíssima Concepción é uma bem sucedida jornalista de Tegucigalpa, Honduras. E graças ao seu radiante talento e simpatia diante das câmeras, torna-se apresentadora do mais famoso programa de auditório da América Central: “Plata Por Un Corazón Eterno”.Todas as semanas, ela oferece um milhão de Lempiras ao casal que demonstrar que o amor “vale a pena”.

Mas, curiosamente, nunca, durante anos, qualquer casal ganhou o prêmio.

Até que um candidato aparece no programa. Ele está sozinho e diz, com olhar desafiador: “Quero provar, Miguelita… que vale a pena.”A apresentadora gosta dele:

“Ok, ok ! vamos para mais um Plata Por Un Corazón Eterno ! uma salva de palmas para o candidato ! uhuuuuu ! mas… e quem é o seu par ?”

O canditado responde em tom macho e sedutor:

“Você, Miguelita.”

“Ahahah, eu ? ah, que bonitinho… ei… tá falando sério ? gente ! ele tá falando sérioooooooo ! ai pára de me olhar assim ! nah… não pode… eu estou aqui para me darem esperança, apenas… e… ai, gente ! olha a ousadia do rapaz ! uhuuuuu !”

A plateia adora a ideia do destemido candidato, e grita pra Miguelita:

“Aceita ! aceita ! aceita ! aceita ! aceita !”

Aos poucos o semblante de Miguelita transforma-se. Diante de todos, deixa de ser a apresentadora descontraída e segura, expondo, com desconcertante veracidade, a face feminil do seu desamparo, da sua solidão e do seu desejo por amor. O sorriso televisivo dá lugar à expressão da mais profunda tristeza. E, com os olhos úmidos, silencia diante dos gritos da plateia e dos telespectadores de todos os recantos de Honduras.

O candidato, olhando para as câmeras, propõe as regras:

“Se eu provar à Miguelita que o amor vale a pena, abdico de receber um milhão de Lempiras… pois me sentirei o homem mais rico do mundo… mas se não conseguir provar… eu… eu cometerei suicídio… aqui nesse palco, diante de vocês… pois a minha vida não terá mais nenhum sentido… eu quero apenas uma noite, Miguelita… a noite de hoje.”

A plateia volta a gritar:

“Aceita! aceita! aceita! aceita! aceita!”

Após longos minutos de gritaria e suspense, Miguelita, atordoada e com o olhar perdido, pede auxílio à produção:

“Por favor, tragam-me o pacote com um milhão de Lempiras.”

Miguelita, séria e morrendo de medo, recebe o embrulho com as cédulas e oferece ao candidato. Mas ele recusa o prêmio:

“Eu quero você, Miguelita.”

“Não… leve o dinheiro… você me provou… são as regras.”

Desta vez a turba histérica grita para o candidato:

“Não aceita! não aceita! não aceita!”

Miguelita ignora o desejo de seu público:

“Tome o dinheiro… vale muito mais do que uma noite comigo.”

“Não, Miguelita… uma noite com você vale muito mais do que um milhão de Lempiras… uma noite com você vale uma vida… vale a minha vida…”

Mais gritaria no ambiente. Miguelita está tão apavorada que volta a se defender em sua personagem. E fala ao povo:

“Ai, gente ! agora eu não sei ! agora eu não sei se esse homem é perfeito ou se é um pateta ! ahahahahah ! até quinta que vem para mais um… Plata Por Un Corazón Eterno ! uhuuuuu ! eeeeehhh !”

A apresentadora se despede do público e abandona o palco. Apesar de ainda faltar mais de uma hora para terminar o programa.

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Violências Dissimuladas

O homem se distingue dos outros animais por ser o único em que a violência que pratica pode ser escondida, escamoteada e não percebida. Para um leão, um macaco, um rinoceronte, uma mordida é uma mordida, uma patada é uma patada. Já entre nós, ditos humanos, a violência pode ser praticada ao extremo sem que seja necessário levantar um dedo. As violências institucionais, principalmente no que diz respeito ao parto, se enquadram entre as “agressões invisíveis” nas sociedades contemporâneas. Pior: ao não marcarem o corpo elas se direcionam diretamente à alma, e lá, nos movimentos obscuros do inconsciente, elas crescem, se transmutam, se agrandam e ferem. Tal qual um cravo inserido na carne, as memórias tristes dos abusos, humilhações e maus tratos cometidos no nascimento permanecem por anos a gerar tristeza e ressentimento. “Violência no parto” é um dos piores tipos de agressão contra a mulher, pois as feridas que aí são geradas se mantêm até o fim da vida.

 

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