Arquivo do mês: junho 2018

Futebóis

Existe uma diferença marcante e um fosso BRUTAL entre os futebóis da América e da Europa atuais, e isso se deve à questão econômica. Forma-se um ciclo virtuoso que premia o primeiro mundo e penaliza o terceiro. Quando a gente assiste Real x Barcelona achando que estamos assistindo “futebol de qualidade” em verdade estamos gastando nosso dinheiro (via anunciantes) para financiar os times europeus.

Ninguém na Europa assiste Libertadores e muito menos o campeonato brasileiro, mas nós assistimos o campeonato inglês, o francês, o italiano e principalmente o Espanhol. Tem criança no Brasil que já ouviu falar do “Albacete” mas não conhece o Olaria ou a Portuguesa (Santista, então, nem pensar). Isso é colonização cultural. Nossos jogadores de 15 anos, mal saídos das fraldas, querem jogar a “Xêmpions”. Querem ir embora do Brasil por causa do endeusamento e do glamour do futebol europeu. Querem dinheiro, fama e mulheres (não nessa ordem). Isso é triste para nós, mesmo sendo um sonho para eles.

Todavia, os responsáveis por esse desequilíbrio somos NÓS que assistimos as “bonecas” jogando em gramados lustrosos e maravilhosos, estádios de cristal construídos por bicheiros russos ou traficantes da Arábia. Vendemos nossos jogadores para o tráfico de mulheres da Ucrânia e o submundo do leste europeu. Ao invés de investir no futebol brasileiro compramos as transmissões europeias e criamos um padrão de irrealidade no nosso país.

Eu não assisto. Sou gremista e torço pelo meu time apenas; não tenho o “meu time na Espanha” ou “meu preferido na Premié Lig”. Que se explodam, que se ferrem. Esses caras exploram o futebol brasileiro e enriquecem às nossas custas, produzindo uma legião de torcedores de TV, ovomaltinos nutridos a leite de pera, criados pela vó, torcedores do Manchesti ou do Xélcea. Bostinhas!!!

Jogador do meu time que é vendido para a Europa deixa de existir para o futebol – aos meus olhos apenas. Não acompanho, não sei onde foi, não me interesso pela “carreira” e apenas esqueço.

Boicotar o futebol das “estrelas” certamente fortaleceria o nosso. Deixem que joguem o futebol bonito por lá, mas eu não aceitarei jamais contribuir para o encolhimento do futebol do Brasil.

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Propinas

Minha crítica a esse instituto tipicamente americano de dar “tips” (gorjetas, propinas) para as tarefas mais braçais e diretas vem de longa data. Lembro bem de um filme com Brad Pitt em que ele tenta oferecer uma ajuda em dinheiro a uma dupla de árabes que ajudaram sua mulher a se salvar e a expressão de assombro de ambos ao rechaçar a oferta. “Como assim me dar dinheiro por fazer minha obrigação? Como poderíamos agir diferente?”.  

Já pensou que ninguém dá gorjeta para médicos, advogados e engenheiros? Também ninguém da gorjeta para o cozinheiro, que igualmente ganha muito mal. Entretanto, a gente dá gorjeta para o garçom, o entregador de pizza e o taxista. No fundo a cultura da gorjeta é um tratamento preconceituoso e que desonera o patrão. E digo mais… assim como acabou no mundo todo também está acabando nos Estados Unidos. Esta semana li um artigo na Time sobre a mudança nesse cenário partindo de redes de restaurante que estão adotando uma estratégia que “nunca ninguém pensou” (irony on): incluem a gorjeta na conta. Propinas não passam de um anacronismo.  

É como a adoção do “preço inglês” nos anos 30-40 em substituição à livre negociação. Antes as lojas não colocavam preço no produto e tudo era negociado diretamente, como ainda hoje ocorre em lugares como as Medinas de Marrakesh. Tente imaginar entrar numa loja de eletrodomésticos e “negociar” o preço com o vendedor. O problema é que essa estratégia toma tempo demais e por causa disso se adotou o chamado “preço inglês” que nada mais é do que o preço fixo do produto. Isso poupa energia e tempo, mas deixa a compra-venda menos artística e folclórica.  

Não há nenhuma razão para que a tradição das gorjetas se mantenha nos tempos modernos, mas a argumentação de que tal relação tem que continuar existindo porque “os salários são baixos” é a mais absurda possível. Ora… lutem por melhores salários!!!   Imagine contratar uma secretaria ou uma balconista e lhe dizer “O salário é baixo mas batalhe umas gorjetas que você pode ganhar melhor“.

Mas… como se “batalha” uma gorjeta? Ora… com as armas do constrangimento. Na verdade os trabalhadores (verdadeiramente mal pagos) raciocinam assim: é mais fácil pressionar e constranger o consumidor do que lutar contra os patrões poderosos. Essa é a receita para a exploração: empurrar a culpa pelos baixos rendimentos para o mais frágil na relação. No caso, aqueles consumidores que temem um motorista rude, um atendimento constrangedor ou uma comida mal feita e mal servida.  

Ah… mas falar isso aqui nos Estados Unidos é como questionar a virgindade de Nossa Senhora dentro do Vaticano.

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Pela vida

“Acho um desserviço e um erro grave continuarem chamando os defensores da legalização e da descriminalização do aborto de “Pró-aborto”, assim como os que lutam para manter a proibição e a ilegalidade de “Pró- vida”. Ninguém é pró-aborto. Somos todos “pró-vida”, a questão não é moral, maniqueísta ou uma batalha do bem contra o mal num roteiro de novela popular. Os termos mais corretos seriam “Pró-proibicão” e “Pró-legalização”. O resto é discurso moralista vazio.”

Ben Carter-Smith, “Apologies, Mrs Cathy”, Ed.  Baroque,  pág 135

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Velhas novidades

Após 45 minutos de explanações sobre o melhor modelo arquitetônico e as formas de organizar pessoas em centros obstétricos para maximizar resultados o palestrante solta a frase definitiva que eu, secretamente, já gritava em minha mente: “Estamos aprimorando um produto que as mulheres não querem comprar”.

Bingo!!! Ufa, felizmente ele falou o que era indispensável. Nenhum – literalmente – sistema pode funcionar enquanto dádiva; qualquer um pode ter sucesso se for por conquista. Se esses modelos não partirem de uma MUDANÇA CULTURAL onde as mulheres sejam encorajadas a tomar as rédeas do processo nunca haverá verdadeiro protagonismo e no máximo teremos “sofisticação de tutela”.

Portanto, somente a mudança de baixo para cima, envolvendo as mulheres e suas associações representativas, poderá produzir um sistema que seja realmente eficiente e produza resultados consistentes em longo prazo.

Outra frase marcante, esta do sociólogo Raymond DeVries: “nenhum estudo muda a realidade; eles servem para oferecer substrato científico para nossas crenças e desejos”.

Se a ciência e as pesquisas médicas tivessem esse poder nenhuma episiotomia seria realizada há mais de 30 anos e nenhum país teria taxa de cesarianas superiores a 15%. Medicina e toda a assistência à saúde são questões políticas e respondem às leis de poder e pressão, como toda e qualquer decisão política.

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A Fantasia cientificista

A medicina enquanto “prática científica” é uma fantasia implantada desde muito cedo na cabeça dos jovens estudantes, que se mantém ao se tornarem profissionais. Quando eu era estudante ouvi de um colega que desejava trabalhar com fertilização in vitro e inseminação artificial – a rendosa especialidade emergente da época – que “nem todos os médicos podem ser cientistas“. Dizia isso com uma espécie de fervor religioso, como se diante de um grupo de seminaristas um deles se erguesse e afirmasse: “Nem todos nasceram para ser cardeais; para alguns o céu se limita a ser um cura em sua paróquia interiorana“.

A migração que testemunhei para medicinas afastadas dos pacientes e próximas das tecnologias desnuda de forma categórica esta tendência. As cirurgias laparoscópicas, os “médicos de imagem”, os patologistas, os pesquisadores e tantas outras modalidades mostram o caminho inequívoco da medicina atual, onde o pretenso “cientista” é valorizado enquanto o profissional que escuta seu paciente e tenta traduzir suas dores e sofrimentos é relegado a um plano secundário

Para os médicos a ciência é o elemento sagrado de seu trabalho, mesmo diante da evidência de que sua prática cotidiana é baseada em tradições e empirismos sem qualquer base científica.

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Tempos

No futuro, quando a sexo descompromissado exterminar todas as relações monogâmicas e o casamento, minhas ideias e meus escritos serão jogadas no lixo sob o pretexto de que eu não passava de um monogamista que defendia a escravidão sexual.

Jeffrey Doll, “Sexual Boredom”, Ed Fishbone, pag 135

Jeffrey Edmund Doll é um escritor nascido em Tulare, Califórnia, em 1930. Parceiro de aventuras de Jack Kerouak, homossexual assumido e usuário de drogas, Jeffrey cursou o caminho dos heróis da contracultura. Escreveu uma literatura agressiva e que visava abalar as estruturas da sociedade capitalista, hipócrita, heteronormativa e castradora em que vivia. Seus livros são maravilhosos exemplos de violência contracultural, em especial “Epiphany of a Dreaded Civilization”. Nessa passagem de “Sexual Boredom” ele questiona os anacronismos sobre a sexualidade, em especial quando o comportamento do sujeito de um determinado tempo é julgado pelos padrões morais de séculos à sua frente. No caso do livro, esta conversa ocorre entre o almirante Sebastián e o capitão LaCrosse e se refere a paixão fulminante deste último pela bela escrava nigeriana Latiffa; o romance tórrido entre um marinheiro cinquentão e uma menina de 16 anos. Sebastián, um cristão convicto e temente a Deus, defendia LaCrosse da acusação de adultério feita por seus colegas oficiais. Ao ser confrontado com as sagradas escrituras deixou claro que um homem só podia ser julgado fora de seu tempo e de suas circunstâncias. Apontou para o corpo semi-despido da menina e arrematou dizendo não haver uma linha sequer nas palavras de Deus que condenasse o amor de um homem por uma mulher. Apesar da defesa irretocável, o capitão LaCrosse foi condenado ao desterro no Haiti, o que o deixou humilhado e destroçado, a ponto de cometer o suicídio pouco após ter sido deixado na ilha caribenha. O livro então passa a se concentrar na dualidade dos sentimentos de Latiffa e questiona as noções de contemporâneas de liberdade, amor e desejo. Jeffrey E. Doll faleceu em 1980, em Los Angeles, por uma overdose de heroína.

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Educação

Eu me convenci da falha no modelo há muitos anos, exatamente no período em que se acreditava (e quando se apostava) na possibilidade de “educar” médicos para o modelo humanístico. Nessa época me vieram à mente as palavras de um psicólogo americano humanista chamado Carl Rogers que afirmava “Perdemos recursos e tempo demais com treinamento que seriam mais bem usados em seleção“. Isso para mim foi revelador…

A revolução nunca se faz na cabeça, sempre no coração. Só depois a razão toma as rédeas. Ou como dizia Raymond DeVries, “Nenhum estudo muda a realidade; eles servem para oferecer substrato científico para nossas crenças e desejos”.

Em outras palavras: de nada adianta treinar médicos para que façam algo que não gostam, não querem e não desejam. Médicos não são formados para a atenção ao parto porque TODA a lógica da medicina é direcionada à INTERVENÇÃO. Não é por acaso que já os estudantes, no início da sua formação, se interessam por cirurgia: ela é o ápice do modelo. Como seria possível passar 9 anos de escola médica ensinando as intervenções e suas possibilidades e mostrando como elas garantiram status social ao médico (e dinheiro, por consequência) para depois exigir que na atenção ao parto nada do que foi aprendido pudesse (ou devesse) ser usado. Como exigir que, depois de tanto treinamento, o jovem médico use suas maravilhosas ferramentas em apenas 10% das ocasiões? Como pedir que ele abra mão exatamente daquilo que lhe confere importância na sociedade e lhe diferencia do modelo das “parteiras, curandeiras e bruxas”?

Ora… o erro é flagrante. Não devemos despender tantos recursos em treinar estes profissionais. A experiência mostra que isso é inútil. Toda essa campanha do “parto adequado” (nome criado para desprestigiar o nome “parto humanizado” – usado por nós) aplicada aos hospitais privados para termos um decréscimo de 1% na taxa de cesarianas!!! Sim, um por cento…. esse é o tamanho do impacto da “educação” e do controle sobre o trabalho médico.

Para mudar de verdade os números só se tivermos a coragem para trocar o paradigma e incentivar a SELEÇÃO adequada dos profissionais. Pior (ou melhor); elas já existem e são as parteiras profissionais, que durante 99% do tempo de existência da nossa espécie foram as responsáveis por essa tarefa. Obstetrizes e enfermeiras obstetras serão as principais atendentes do parto normal no Brasil. Podem me cobrar, ou lembrem dessa minha profecia quando eu já tiver partido.

Pedir para médicos atenderem ao parto foi uma aventura tecnicista recente, e um fracasso retumbante para o parto normal e fisiológico. A medicalização dos ciclos vitais (nascer e morrer, em especial) precisa ser combatida porque ela significa um passo seguro para a artificialização da vida e a perda do que existe de humano em nós.

Precisamos mais bom senso e menos ganância…

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Medicina americana

Sempre que venho à América acabo acompanhando amigos em suas visitas aos seus médicos. Certamente já encontrei com mais de dez desses profissionais, entre jovens e velhos e de inúmeras especialidades. Alguns aspectos em comum me chamam a atenção entre todos os atendimentos:

  1. Os consultórios são mortos. Não há vida. São padronizados, frios, inespecíficos. Parecem entrepostos na estrada onde se vende junk food. Quando se chega à recepção poderíamos imaginar ser uma agência de seguros, uma secretaria de escola ou uma repartição pública. Muita propaganda nas revistas médicas, nas paredes, nos panfletos. A recepção é gigante, maior do que qualquer consultório onde já trabalhei.
  2. Muitos funcionários. Atrás do guichê de vidro sempre umas 4 funcionárias com computadores, fichas, papéis do seguro. Todas com modelitos de hospital.
  3. Pré-consulta com uma funcionária (auxiliar médica) que faz perguntas “sim-não” sobre fumo, drogas, gestação, abortos, alergias, etc. e que vê sua pressão, peso, etc. Depois de alguns minutos chega o(a) médico(a).
  4. A consulta dura poucos minutos e tem um formato absolutamente técnico. O profissional não faz nenhum tipo de anotação; tudo é feito pela sua secretária ao lado, com uma ficha ou um notebook no colo. Nenhum nível de empatia com o paciente; nenhum assunto delicado é abordado. Não há espaço para qualquer tema que não seja específico da sua especialidade. Falta total de privacidade, por isso minha presença foi sempre tolerada. Afinal, que mal haveria em testemunhar uma consulta que sequer arranha a crosta dos sintomas que encobrem verdades inconvenientes?
  5. Capitalismo e tecnocracia por todos os lados. Nenhuma consulta se fala especialmente de dietas, saúde emocional ou estilos de vida, apenas drogas, testes e procedimentos. Na saída do consultório passa-se por um balcão de venda de produtos da especialidade.
  6. O sofrimento humano, com todas as sutilezas, especificidades, paradoxos, contradições e subjetividades cabe em uma palavra: stress. “Esse sintoma está muito relacionado ao stress”, dizem, mas ao mesmo tempo afastam qualquer proximidade com o tema. Não interessa se stress é a morte que se anuncia, a perda de dinheiro, ressentimentos, mágoas, tristezas, ódio. Para estes profissionais nada disso ajuda a entender o quadro. Pelo contrário, apenas atrapalha.
  7. As consultas duram 15 minutos, se tanto. Objetividade e eficiência industrial. Pode-se ver a dupla médico-assistente sair de uma sala para a próxima, onde outro paciente já o aguarda, e assim sucessivamente. Os custos que observamos em cada canto, na suntuosidade asséptica das salas e no grande número de profissionais precisam ser pagos de alguma forma. O ritmo de entrada e saída de pacientes é frenético.
  8. Receitas recheadas de drogas. Drogas estas que produzirão seus desajustes específicos que vão requerer mais drogas, mais testes. Um ciclo vicioso que só termina com a morte, quando então poderemos dizer “Fizemos de tudo“.

Se eu acredito que o sintoma é a voz de uma alma que pede para ser escutada, cuja expressão é a maior riqueza de um paciente, por certo que tais consultas são mordaças tecnológicas para impedir que os clientes possam falar de suas vidas e de suas dores. A verdade do paciente é sistematicamente obliterada. Pouca coisa poderia descrita como mais contrária aos pressupostos básicos da arte de curar do que impedir que a dor encontre uma via de escape nas palavras.

Olhando para os olhos marejados da minha amiga diante das palavras insípidas do médico à sua frente eu me compadeci e por momentos imaginei que ela poderia interromper o solilóquio enfadonho e tedioso do especialista e murmurar…

Rosebud, doutor

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Repercussões sobre o debate

Legalizar o aborto significa apenas que a gente combina com a mãe que ela não vai morrer. Entretanto, lembrem que é plenamente possível apoiar a humanização do nascimento e ser contra ou a favor da legalização do aborto. Estes são dois assuntos diferentes que possuem suas interfaces, mas podem ser analisados separadamente.

É claro que a humanização e a legalização são temas progressistas e que apontam na mesma direção: protagonismo da mulher e autonomia em suas decisões. Todavia, não existe nenhum problema lógico ou incompatibilidade em ser a favor de um e contra o outro. A minha posição, por exemplo, não é compartilhada por muita gente que debate humanização no Brasil e no mundo: sou a favor da legalização mas jamais atenderia um aborto, por uma questão de “isenção de consciência”. Entretanto, isso não me torna menos “humanizado” pois continuaria a honrar os princípios fundamentais da humanização do nascimento: protagonismo garantido à mulher, interdisciplinaridade e MBE.

Palavras bonitas, cheias de amor à vida, carregadas de paixão por fetos e nenhuma consideração pelas mulheres que morrem todos os dias em abortos clandestinos. Torquemadas e Savonarolas ainda queimam, em nome de conceitos abstratos, bruxas e hereges que ousam se preocupar com seu semelhante.

Ser contra a legalização é permitir que tudo se mantenha como agora, quando milhares de mulheres jovens perdem a vida em abortos clandestinos, a despeito de muitas delas terem orientação e educação. Ser contra a legalização é ser a favor do “Apartheid da morte”, onde ricas abortam e pobres morrem tentando.

A propósito da isenção de consciência, e a aparente contradição do “sou a favor mas jamais faria”, posso dizer que sou a favor de que as mulheres tenham esse direito mas eu não aceitaria fazer isso porque trabalhei a vida inteira com a vida, enquanto um aborto é a interrupção de um projeto de vida. É uma questão eminentemente pessoal. Mais ou menos como “Sou carnívoro mas não mataria uma vaca para comer“. Ou, “respeito as prostitutas e dou apoio às suas reivindicações, mas não uso seus serviços“. Existem muitos exemplos de fatos que lhe atingem pessoalmente, mas que você aceita em um nível social.

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Marshmallow Cockroach

Muitos me acusaram de estar inventando histórias, então aqui vai o texto original do famoso “disco perdido do Pink Floyd”

O disco de estúdio que eu mais gosto do Pink Floyd é “Marshmallow Cockroach” que foi gravado às pressas em 1976 e jogado fora por uma discussão da banda (em especial o Roger Waters) com o produtor Brian Humphries pela inserção de algumas faixas contendo temática anti-Israel.

A banda apoiou a atitude de Waters mas isso significaria o cancelamento da turnê programada e o fim do contrato. O grupo decidiu manter o contrato e a turnê, mas guardaram os originais do disco já gravado. Imediatamente depois da controvérsia com Humphries e a desistência em gravar “Marshmallow” eles resolveram partir para a gravação do novo album “Animals” com a promessa de abandonar esta temática “enquanto a banda existisse”. O episódio em que Roger cospe em uma fã se relaciona a esta discussão prévia sobre o disco a ser lançado. Há uma cópia dessa gravação pirateada com som ambiente (estava sendo tocado no estúdio contíguo) que mostra o Pink Floyd no auge de sua criatividade e os vocais espetaculares de Roger Waters. Uma das músicas se chama “Forever Hebron” e o refrão diz assim:

“Hebron, hebron
Every stone stolen
Every stolen bone
May your soul
Live in us forever”

Tenho esse disco em MP3 em péssima qualidade, mas é possível reconhecer a genialidade palpitante do Pink Floyd e toda a verve indignada de Roger Waters. Esse, pelas circunstâncias, é o melhor disco jamais lançado do Pink Floyd, mas respeito opiniões em contrário.

A capa provisória do disco foi essa, que Roger Waters revelou recentemente numa entrevista para a BBC

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