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Fantasma

Quem de nós não tem um fantasma de amor que habita o sótão das memórias?

Meu irmão Roger Jones me fez lembrar de um show de TV que passava na nossa infância e que no Brasil levou o nome de “Nós e o Fantasma” (The Ghost and Mrs. Muir – 1968). A série foi inspirada no filme “O Fantasma Apaixonado”, de 1947, que recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Fotografia. Este filme, por sua vez, baseou-se na novela escrita em 1945 por Josephine Aimee Leslie, lançado no Brasil com o nome de “Vozes na Casa”. A série era centrada na vida de uma viúva, a jovem escritora Carolyn Muir, que decide reconstruir sua vida e se muda com seus dois filhos – e o cãozinho Scruffy – para um chalé no litoral de Schooner Bay, conhecido como o “Chalé das Gaivotas”. Lá eles descobrem que a casa é habitada pelo fantasma de um velho marinheiro, o Capitão Daniel Gregg. Invisível aos olhos de todos, ele torna-se visível à Sra Muir e seus filhos, e começa a se relacionar com eles.

Havia uma evidente tensão sexual entre ela e o espírito do velho marinheiro. Uma das características do show eram as artimanhas do Capitão para afastar qualquer pretendente que se aproximava da viúva. Entretanto, o amor era explicitamente platônico, como se fosse óbvio que nada de sexual seria possível ocorrer entre os personagens que habitavam as duas diferentes dimensões. Para a minha cabeça infantil era uma história divertida, em especial pelas trapalhadas do sobrinho do Capitão Gregg, Claymore. Hoje, entretanto, vejo na trama um pouco mais do que uma história de fantasmas.

Escutei inúmeras histórias como esta contadas pelas muitas mulheres com quem conversei na vida. Elas me relatavam amores do passado que haviam falhado, laços rompidos na juventude, frustrações românticas que deixavam espaço para infinitas conjecturas. Havia, para muitas, o fantasma de um amor perfeito, que morava no sótão de suas memórias, o amante idealizado do passado, o “amor que poderia ter sido”, perfeito, eternamente jovem, sem mácula, mas que o passar do tempo tornou impossível, o qual sobrevive apenas como doce fantasia. Muitas até usavam esse amor como escudo que as impedia de refazer sua vida amorosa, pelo medo inconfesso da decepção.

Quem já pensou que seu destino poderia ser diferente caso tivesse tomado uma decisão distinta numa encruzilhada da vida?

Abertura “Nós e o Fantasma” – YouTube

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