“À bença, João de Deus”

Quando da visita do papa em 1980 ao Rio Grande do Sul, mais exatamente na minha cidade – Porto Alegre – foi realizada uma grande festa de recepção a ele. Nessa oportunidade houve uma gigantesca mobilização da população da província para a chegada do sumo pontífice em terras gaúchas. Entre as manifestações mais curiosas todos se lembram daquela, na frente da Praça da Matriz, quando o público em uníssono bradou com fé e paixão: “Ucho, ucho, ucho, o Papa é gaúcho!” Quando buscaram encontrar a origem de tamanha explosão de criatividade e poesia ufanista, encontraram um menino mirrado, cabelos escorridos, carinha de anjo rebelde, com as mãos carregadas de panfletos mostrando o rosto sisudo e sereno do “Papa do Povo”. Ao pé do palanque armado com canos e madeirame, com os olhos brilhando e o coração disparado de pura alegria infantil, o menino que havia criado o refrão não contava mais do que 14 anos e repetia a frase, mesmo quando ela já se havia extinguido na boca única da multidão que se aglomerava na frente da Catedral Metropolitana.

Esse menino sorridente era o Roger, meu irmão.

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