As Negativas

Paternidade 02

Acho respeitável à negativa de assistir o nascimento de seus filhos, assim como acho digna a própria negativa de ter filhos, ou mesmo abster-se de ter relações sexuais. Até mesmo de nunca falar com seus pais, ou de nunca escutar música clássica, de nunca cantar ou jamais caminhar de pés descalços. Entendo que alguns não queiram (e mesmo se irritem) com o barulho da chuva no telhado de zinco, e com a própria chuva molhando o corpo. Aceito a recusa de andar de mãos dadas, de olhar o céu e imaginar seu limite e de imaginar caras e bichos nas nuvens. Compreendo, sem hesitar, que algumas pessoas prefiram não se emocionar com o sorriso de um bebê, seus primeiros passos e suas palavras enroladas. Por isso mesmo me obrigo a aceitar – sem problemas – que durante o rito de passagem mais poderoso que um ser humano é capaz de ultrapassar alguém que está ao lado resolva fechar seus olhos e ouvidos, impedindo-se de ver o milagre esplendoroso que está a acontecer. Acreditar no contrário seria imaginar que somos todos iguais, e que sentimos da mesma forma, e isso não é aceitável em um mundo que se propõe diverso e plural.

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