Herói

Herói médico

 

“A causa essencial dos problemas relacionados com a atençao médica ao parto é o próprio paradigma médico incidindo sobre a fisiologia deste evento. Vejam bem: encarceramos estudantes por 6 a 9 anos numa universidade ensinando-lhes patologia e intervenção, o combate às doenças e os tratamentos. Depois de formados oferecemos a eles a fisiologia e os ciclos vitais normais, que requerem atenção e cuidado, e não intervenções tecnológicas e heróicas, as quais só deveriam existir como exceção. Diante desta encruzilhada, o que fazem os médicos em pânico, a quem oferecemos algo que não sabem fazer, não conhecem a fundo, não querem entender e sentem-se impotentes para lidar?

O que se vê e que estes profissionais transformam a gestação em doença e o parto em processo cirúrgico para assim, aliviados, poderem fazer uso de sua arte. Os médicos, portanto, também são vítimas de um modelo onde se sentem deslocados. Melhor seria que a eles fosse reservada a condição de “heróis”, prontos para agir apenas quando sua arte é necessária. Precisamos de mesmo de personagens de coragem e fibra, prontos a agir diante das ameaças que um parto pode apresentar, e não profissionais que transformam um importante rito de passagem feminino em um evento operatório, frio, asséptico e arriscado.”

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