Trotes

 

 

Trote

Quando nós questionamos as razões para a existência de lugares sombrios como o “dignidade médica” que tanto produziu de discurso de ódio, racismo e intolerância é importante entender que tipo de maquinário produz os médicos deste país e qual a matéria prima do qual são feitos. O “trote” universitário talvez seja apenas o plano visível de uma estrutura gigantesca cuja finalidade é manter e disseminar os valores mais conservadores de uma sociedade.

Como um gigantesco e penoso “moedor de carne” – no dizer do meu colega Max – a universidade destrói os alicerces que sustentavam o(a) menino(a) que emerge perdido(a) e temeroso(a) nos caminhos tortuosos do campus. Infelizmente, para uma enorme parcela dos estudantes, a rebeldia juvenil dá lugar a um conformismo e a uma postura altiva e pedante, apenas alguns anos passados do ingresso na escola médica. O que era inquietude vira certeza, o que um dia foi cooperação vira disputa e os sentimentos mais nobres que nos impulsionaram um dia a instrumentalizar a fraternidade se transformam em exercício de poder e preconceito de classe.

O trote serve como ritual de passagem para o convívio na universidade. Como bem nos esclareceu Robbie eles são repetitivos, padronizados e simbólicos e nos levam direto aos códigos valorativos profundos da cultura. Neste caso eles mostram a face mais feia e distorcida de uma sociedade excludente, racista, homofóbica, preconceituosa e alienada dos valores mais nobres da arte de curar.

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