Pensamento Arriscado

ligadura

Um pensamento arriscado que me ocorreu:

Eu acho que se uma mulher deseja fazer uma laqueadura para evitar uma gravidez futura seu marido deveria ter ciência disso. Portanto, sua assinatura não deveria ser uma “autorização”, mas uma prova de que sabe da decisão de sua esposa no que se refere ao futuro reprodutivo de ambos. Se uma mulher casada não pode vender um imóvel sem a assinatura do marido, porque isso afeta a vida financeira de ambos, porque deveria ser diferente com a decisão de ter filhos?

Ah… e antes que achem isso machista, penso exatamente o mesmo em relação às vasectomias. Um homem casado não pode se esterilizar sem que sua mulher SAIBA – não confundir essa atitude com “autorizar”.

Aceito contraditórios. Se eu estiver errado me digam a razão.No debate sobre esterilização – aqui entendida como uma ação realuzada de forma autônoma por um sujeito para impedir a reprodução – eu retirei alguns pontos que acredito resumirem as posições apresentadas.

Aqui está o que eu percebi:

1 – Ninguém questiona o direito inalienável do sujeito fazer alterações na sua capacidade reprodutiva livre de preconceitos, coerções ou constrangimentos. Autonomia total sobre o corpo. Ninguém tem o direito de determinar o que será feito no corpo de outro adulto.

2 – Algumas pessoas acham que essa ação é pessoal e não pressupõe aquiescência do parceiro. Não seria necessário ao parceiro assinar nenhuma autorização. Entretanto, pela legislação corrente no SUS funciona ainda assim, para homens e mulheres, sendo exigida autorização compulsória por parte do cônjuge.

3 – Um outro grupo acha que a justiça não tem nada a ver com isso. Nenhum documento e nenhuma comunicação compulsória seriam necessários. Isso é da vida íntima do casal e o Estado não pode – ou não deve – se interpor numa relação íntima, que só pode ser resolvida pelos sujeitos envolvidos.

4 – Outro grupo acha que, assim como uma compra de imóvel afeta a ambos, pela comunhão de bens que rege o matrimônio, seria justo que houvesse a comprovação da notificação quando uma cirurgia fosse realizada. Isto é: você pode fazer o que quiser com seu corpo, mas se isso afetar expectativas do seu companheiro(a) será obrigado a notificar (a posteriori) para evitar danos a ele(a).

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