Cócoras

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Há exatamente 30 anos comecei a atender partos de cócoras no meu estado e por muitos anos eu fui o único profissional a usar essa posição em em uma região onde moram 10 milhões de pessoas. Isso, entre outras atitudes (como corte tardio do cordão) era motivo de deboche, escárnio, desprezo e bullying. Naquela época posições alternativas sequer eram mencionadas, quanto mais oferecidas ou aceitas pela comunidade dos obstetras.

Hoje em dia parece fácil debater esta questão, mas há 3 décadas quando resolvi atender partos de cócoras no hospital de Sapucaia do Sul houve uma sessão especial da Câmara de Vereadores para impedir que isso continuasse. Um dos vereadores disse que tinham que fazer algo com o médico que colocava as mulheres para “parir como galinhas”. Mesmo 30 anos depois da minha iniciativa os hospitais de Porto Alegre – em especial os hospitais universitários – não estimulam partos verticais como padrão ou rotina.

Quando quiser saber o nível de abertura e atualização de um obstetra pergunte a ele sobre partos verticais, em especial de cócoras. Se ele falar coisas como “isso é coisa de indígenas”, ou “civilizadas não podem parir assim”, ou “mulheres de cidade perderam essa habilidade” pode ter certeza que ele está usando os mesmos argumentos furados e sem embasamento de 30 anos atrás.

Na verdade o que ele tem em mente mas não consegue dizer é “eu não sei atender um parto que seja bom para a mãe; só sei assistir quando é bom para mim“.

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