Corpos mutantes

fisicultura-feminina

Sem querer ditar regras, mas me permitindo o assombro estético, quem criou a ideia de que pernas com musculatura hipertrofiada em mulheres é algo bonito? Por que uma anomalia produzida em laboratório e que não pode prescindir de drogas anabolizantes virou o padrão estético nas passistas do Carnaval? Por que as mulheres procuram tanto se aproximar da forma física clássica – muscular, dura, forte, intimidadora – masculina? Qual o sentido CULTURAL dessa masculinização estética? O que a forma dos corpos femininos tem a ver com a sociedade em que vivemos?

Homens produzem essas pernas fortes pelo trabalho árduo e pela testosterona anabolizante que produzem. Mulheres quase nunca produzem estas formas naturalmente. Uma perna assim numa mulher é puro artificialismo. Se me permite comparar, é como um homem com seios. A atividade muscular dos homens sempre foi muito mais intensa que a das mulheres. A questão hormonal também é relevante. Somos muito mais musculosos e testosterônicos que as mulheres e isso não é um valor cultural, mas biológico. Um homem musculoso é visto nas estátuas da Renascença, mas NUNCA houve mulheres hipertrofiadas na arte e estes corpos nunca foram admirados como agora. O que houve?

Me parece ser mais do que o poder de produzir  diversidade. É uma tendência das modelos e das mulheres em escolas de samba, mas trata-se de um modelo totalmente artificial – como os dos homens – mas tem um recado a dizer para a cultura. Essa é a pergunta, e não apenas uma questão de diversidade e poder de escolha. Quando as mulheres esmagam seus pés na China ou esticam seus pescoços na Ásia isso nos informa de um valor cultural, uma mensagem da cultura que nos leva aos valores mais profundos de uma sociedade. Não é um fato aleatório, mas uma constatação de dezenas de mulheres da TV que resolvem viver às custas de hormônios e alimentação artificial. Essa é a pergunta que faço à cultura: o que vocês querem dizem com isso?

Em tempo…. não me interessam as escolhas pessoais. Essas estão acima de qualquer debate. Entretanto, uma pessoas fazendo uma tatuagem escrita “Apocalipse” é uma escolha pessoal, mas se centenas de adolescentes resolvessem fazer o mesmo então podemos procurar por um valor (ou um temor) inscrito no campo simbólico e que nos atinge a todos. Da mesma forma não discuto o direito de uma mulher modificar seu corpo dessa forma, mas me questiono onde ela vai buscar esse padrão e porque ele influencia a tantos.

Mais uma vez: que isso tem a nos dizer?

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