Beijo gay

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Entrei em uma breve treta (as quais chamo carinhosamente de “tretícolas”) sobre o fato marcante do primeiro beijo gay em uma animação Disney. Encontrei muitas opiniões de “direita”, criticando a “ideologia de gênero” (que até eu tenho críticas à fazer) e dizendo as coisas de sempre como “sinal dos tempos”, “absurdo”, “frouxidão parental”, “plano macabro”, etc. Eu normalmente não dou bola para argumentos violentos, radicais ou claramente fascistas porque estas pessoas sinalizam, desde o enunciado, que o objetivo NÃO é debater, mas impor uma visão de mundo que não aceita contraditórios, pois :tal perspectiva se assenta sobre uma “Verdade” monolítica e impenetrável. Entretanto, resolvi responder a proposição de uma senhora que falou sobre “sexualização precoce”, que é um tema muito importante e atual, sobre o qual já pensei bastante e até escrevi.

Uma coisa é um baile onde crianças de 7 ou 8 anos de idade dançam músicas que simulam atividade sexual com outras crianças,  ou cantam músicas cujas letras estimulam tapinhas, agressões, promiscuidade e abusos. Não precisamos debater essa ponta do espectro; quase todos os profissionais acreditam que avançamos demais e que algo precisa ser feito para barrar está inserção extremamente precoce das crianças no universo do sexo.

Todavia, a imagem na animação da Disney foi de um beijo, que parece nos mostrar um gesto pleno de carinho, intimidade e afeto. Por que tanta angústia?

Essas crianças realmente poderão ficar traumatizadas e se tornarem gays se testemunharem afeto entre pessoas do mesmo sexo.” 

Sério que uma criança fica sexualizada precocemente ao ver “beijo”? Crianças não sabem o que é beijo? Por acaso não são beijadas ou não assistem novelas? Seus pais não se beijam?

Ah, mas é um beijo entre dois homens. Então podemos parar com a falácia da “sexualização precoce”, porque o que incomoda de verdade é o afeto entre pessoas do mesmo gênero. Mas eu pergunto: vocês acham mesmo que é essa exposição à realidade (sim, eles existem) que determina a orientação sexual de uma criança? Acham que confrontá-las com a diversidade sexual do mundo adulto fará com que elas se decidam pelo homoerotismo? Vocês acreditam que essa simples experiência é capaz de mudar algo que está profundamente enraizado na estrutura mais primordial do sujeito?

Eu creio que nem vocês acreditam nisso. Acho mesmo que não é o olhar das crianças que os incomoda, mas o olhar que vocês mesmos tem sobre isso. O que verdadeiramente tortura é a insegurança sobre nossa dualidade sexual e nosso temor de enfrentá-la. Por isso fingimos que um beijo entre dois homens sexualiza precocemente as crianças, quando na verdade apenas desnuda a nossa criança interna, temerosa e indecisa. 

Privar crianças da verdade, diante de suas PRÓPRIAS demandas, nunca foi um caminho adequado para o desenvolvimento de pessoas saudáveis.

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