Fins e Meios

 

Vou contar então uma história que me ocorreu agora.

Menino 7 anos com corte profundo na testa, próximo do supercílio esquerdo. Travessura. O pai o traz ao Pronto Socorro onde eu estava de plantão. Menino estava em pânico, chorava sem parar, não pela dor, mas pelo susto e pelo local. O pai estava bêbado e enrolando a língua. Tentei todas as conversas e manobras possíveis e imagináveis para acalmá-lo e assim poder para infiltrar a pele e fazer a sutura, mas o menino balançava a cabeça para os lados constantemente e fiquei com medo de trazer a agulha para perto dos seus olhos.

Chamei mais pessoas para auxiliar. Num determinado momento havia 5 pessoas segurando a pobre criança. Ele usava todas as suas forças para escapar. Estava esgotado, mas continuava se debatendo. Finalmente o pai se aproximou do ouvido do menino e sussurrou algo. Ele parou imediatamente de chorar e parou de se agitar. Logo eu consegui infiltrar e suturar.

Depois do curativo perguntei ao pai o que havia lhe dito. Ele respondeu: “Eu disse a ele que ficasse quieto porque depois da costura na testa eu daria uma porrada em cada um dos médicos da sala“.

Funcionou. Será mesmo?

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