Pós-verdades

 

Olhando pela imprensa nacional aqui na internet percebo que TODOS os veículos inicialmente compraram a história do sequestro; a Globo foi apenas a gota d’água. Mais ainda: aqueles que questionaram a veracidade de uma história absurda – em vários aspectos, totalmente inverossímil e impossível – eram automaticamente considerados como “racistas”.

Este é mais um exemplo de pós-verdade, uma construção contemporânea nietzschiana, em que a realidade desaparece sob o manto pesado das interpretações. As causas encampam os fatos, independente da realidade. O real passa a ser um detalhe, uma poeira minúscula tragada no tufão dos discursos contemporâneos. Não é sequer necessário investigar muito: a versão já está suficiente para os nossos propósitos. Os linchamento são imediatos e a destruição de pessoas, instituições e negócios também.

Esse caso, em especial, reunia gênero, raça e maternidade. Um prato cheio. A pressa e o desejo de construir uma narrativa heroica nos fez errar feio nos pré-julgamentos. Agora que fique o ensinamento, para o nosso cambaleante jornalismo e para todos: nossos sentimentos são traiçoeiros. Eles nos fazem acreditar prontamente nas versões que tocam em nossas fragilidades e medos. Sem o controle frio e duro da razão sobre estes fatos sociais estamos condenados a criar injustiças por julgamentos apressados. A próxima vitima pode ser qualquer um de nós.

Como eu disse anteriormente, no mundo cibernético desconfiem de TUDO. Desconfiem principalmente quando uma postagem produz uma identificação imediata com você. Desconfiem quando pessoas dizem que encontraram uma espancadora de crianças, um marido abusador, uma sequestradora, um homem pobre injustiçado, um ato de racismo ou uma misoginia porque estes casos mexem com nossas emoções, produzem imediata identificação e sintonizam com nossas próprias dores, o que nos impede de pensar racionalmente.

Cada vez que receber uma notícia dessas respire fundo e tente raciocinar, evitando pré-julgamentos, análises enviesadas ou pensamentos recheados de preconceitos de cor, gênero ou religião.

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