Sociedade e Espetáculos

Uma atriz famosa declara algumas particularidades de sua vida sexual íntima. Recebe críticas e elogios, seja por sua “imoralidade”, seja pela coragem de falar de suas fantasias íntimas.

Talvez a discussão esteja trocada. Não se trata de debater com quantas pessoas ela transou ao mesmo tempo. Esta é, concordo, uma discussão moralista e sem sentido. O desejo de cada um é patrimônio pessoal sobre o qual não podemos estabelecer critérios ou julgamentos. Usando sua própria lógica: “Quem não fantasiou? Quem podendo não faria?”

Por outro lado, o que eu considero digno de debater é a necessidade tipicamente pós moderna de expor publicamente assuntos absolutamente pessoais. O que veste por baixo da roupa, o que come, suas fantasias e com quem faz (ou fez) sexo. Parece que o mundo cibernético rompeu com todas as barreiras da privacidade.

Vejam que não se trata de IMPEDIR que seu mundo privado e íntimo seja publicizado. Nesse terreno é impossível adentrar sem igualmente invadir a liberdade do outro. Entretanto, caberia perguntar as razões pelas quais as sociedades contemporâneas desprezam tanto a intimidade e a privacidade.

A sociedade do espetáculo conseguirá, por fim, transformar cada sujeito em um performático de sua própria existência?

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