A arte de dissimular

 

A gente finge que sabe alguma coisa de medicina e a maior parte do trabalho médico é fazer os pacientes acreditarem que sabemos o que está acontecendo e que estamos no controle. Somos dissimulados, atores sofisticados. No parto também agimos assim e, em verdade pouco sabemos do que ocorre dentro daquela barriga. Igualmente não sabemos porque uma chuva deixa um sujeito apenas molhado, ou com resfriado e o outro com pneumonia. Não sabemos porque um bebê tranca na saída enquanto o outro é “cuspido”. Não sabemos porque algo nos faz mal e aos outros só traz prazer ou alegria.

A grande barreira da medicina ainda é o sujeito e seu universo interior, suas idiossincrasias e seus mistérios. Continuamos, por enquanto, a tratar gente como gado, como se fôssemos iguais, sem reconhecer a unicidade de cada um. O drama é nossa condição humana, nossa subjetividade e as consequências de nossa identidade.

E a arte de curar ainda se torna mais complicada quando ocorre dentro do capitalismo, onde o “Seu Toshiba” e o “Seu Siemens” precisam vender aparelhos de ultrassom, e o Complexo Farmacêutico mundial vende remédios como pílulas encantadas como se fossem a solução para nossos problemas. Onde as corporações lucram com tais tecnologias, que são usadas como “varinhas mágicas” para resolver os problemas dos pacientes.

Difícil é aceitar que elas, na verdade, apenas simulam um saber sobre a intimidade de nossa dor.

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