
Acho a autoindulgência um dos nossos mais primitivos e importantes mecanismos de defesa. Durante 40 anos escutei pacientes contanto suas histórias e não me lembro de nenhum caso em que alguém se descreveu como egoísta, arrogante, malévolo ou perverso. Essa é uma característica muito humana: nossos defeitos são sempre contextualizados, domesticados, justificáveis e compreensíveis. Por isso mesmo a estratégia da captura do sintoma nunca é esperar que a crueza dessas características apareça no discurso do sujeito que se desnuda, mas aguardar que estas se expressem de forma espelhar.
Somos, via de regra, o que acusamos nos outros.