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Mc Quem?

O caso do menino que fez piada com uma criança na Disney mostra como, no mundo cibernético, uma vida pode ser destruída em 30 segundos. Isso me faz lembrar a frase que minha mãe colou na parede do seu quarto: “Cuida como vives; talvez sejas o único evangelho que teu irmão lê“. Quem deseja adentrar no mundo do sucesso e da fama – seja lá por qual caminno for – precisa entender que sua imagem, o que fala e como se comporta é um modelo a ser seguido por muitos – as vezes por milhões.

Se há uma constante no mundo da fama ela foi descrita por Augusto dos Anjos: “A mão que afaga é a mesma que apedreja”. Aqueles que exaltam serão os primeiros a lhe afundar quando a dívida afetiva da adoração custar a ser paga. “Eu lhe dei meu amor e minha veneração; como vai me pagar?

A atitude do rapaz foi deplorável e insensível; desrespeitosa e grosseira. Porém, a onda de vingança destrutiva contra ele me causa igual incômodo. O mesmo punitivismo que cria monstros como Moro e Dalanhol habita dentro do(a) “cidadã(o) de bem” que goza vendo a destruição de um sujeito cujo erro todos fomos testemunhas.

Perdoar NÃO significa condescender com o erro, mas entendê-lo e aplicar a pena justa, nem mais e nem menos. Destruir pessoas nunca será uma pena adequada. Usar a justa indignação como veículo de perversidade e da vingança jamais será caminho para uma sociedade solidária.

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O perdão solitário

“O perdão é o mais solitário dos sentimentos. Ele não se relaciona com o sujeito cujo crime nos ofende ou maltrata, mas com a nossa percepção do malfeito. Ele também não implica em inocentar quem nos fez o mal. Perdoar não é esquecer ou relevar, mas apenas reconhecer em nós a mesma semente de mal que em outro floresceu por circunstâncias que jamais saberemos por completo. O perdão não é difícil pela gravidade do crime, mas pela imensidão de nossa arrogância.”

Maurice Deschamps Faure, “L’épine de l’oeillet”, Ed. Printemps, pág 135

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O perdão impossível

Infelizmente parece mesmo que só os pastores evangélicos conseguem acolher pessoas que cometem erros, mesmo os mais terríveis. Enquanto isso, a sociedade só joga pedra. Acusa, destrói, promove vingança e é sempre inexorável nos seus julgamentos. Nao adianta mofar anos na prisão, é preciso incinerar, picotar e cuspir em cima. Aqui, esquerda e direita se encontram, no submundo dos sentimentos mais rasteiros.

Já os evangélicos, muito mais por marketing do que por virtude, recebem os “pecadores” e lhes oferecem o benefício (ou a possibilidade) da “redenção”. O resto da sociedade joga pedra na Geni. “Enquanto existirem Suzanes todas as minhas maldades e perversões serão aliviadas”. As Genis são tão odiadas e desprezadas quanto…. necessárias.

Não reclamem, pois, pelo crescimento acentuado do fundamentalismo mais tacanho e emburrecedor no nosso meio; participamos desta bestialidade ao oferecer aos párias sociais apenas esta possibilidade de ler os ensinamento cristãos – e a esperança do perdão, que é universal.

O que nos incomoda em Suzane é ver que não somos tão diferentes dela quanto gostaríamos…

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Auto perdão

Acho a autoindulgência um dos nossos mais primitivos e importantes mecanismos de defesa. Durante 40 anos escutei pacientes contanto suas histórias e não me lembro de nenhum caso em que alguém se descreveu como egoísta, arrogante, malévolo ou perverso. Essa é uma característica muito humana: nossos defeitos são sempre contextualizados, domesticados, justificáveis e compreensíveis. Por isso mesmo a estratégia da captura do sintoma nunca é esperar que a crueza dessas características apareça no discurso do sujeito que se desnuda, mas aguardar que estas se expressem de forma espelhar.

Somos, via de regra, o que acusamos nos outros.

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