Generosidade do Saber

Foucault confessou que escrevia de forma rebuscada e hermética para poder ser aceito pela intelectualidade. Dizia ele que, se ousasse escrever de forma simples e compreensível, seria tratado como um autor raso, superficial e “popular”. Uma pena que ainda exista na academia esta propensão ao pernosticismo, a busca por uma falsa sofisticação nas palavras, mas que tão somente esconde a incapacidade dos autores de comunicarem suas ideias de forma a que os outros, meros mortais, possam entender.

Aliás, Freud – entre outros – é um exemplo de pensador que possui como virtude a “generosidade do saber”, que é quando um autor se coloca no lugar do leitor e tenta explicar suas ideias e projetos como se este estivesse escutando tais conceitos pela primeira vez. Sua clareza e sua didática sempre me impressionaram. Essa empatia é essencial para transformar um sujeito de grandes propostas em alguém que pode transformar o mundo através da disseminação do seu conhecimento.

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