Moda personalizada

“Curiosamente, no contrafluxo do paradigma individualista, eu não gostaria de um comprar um tênis que fosse único, diferente de todos os outros, com a minha “marca pessoal”, um elemento de distinção no vestuário. Não acho justo colocar tamanha responsabilidade em um item externo, algo que pode ser comprado por alguns dinheiros e que apresenta muitas vezes uma falsa originalidade, pois que os pensamentos que habitam essa roupa “diferentona” nada diferem do senso comum, tantas vezes escondendo ideias e posturas conservadoras e preconceituosas.

Pelo contrario; eu gostaria de usar uma roupa – incluindo um tênis – que me deixasse igual a todo mundo, que me fizesse desaparecer visualmente na multidão, que me tornasse igual à massa ao redor, assim oferecendo a oportunidade para que a minha fala e meu discurso fossem os elementos a expressar meu caráter único e distinto. Quando delegamos aos elementos exteriores a função de expor características únicas e subjetivas é porque admitimos que o interior se sente frágil ou incapaz para essa tarefa.

Menos roupas únicas e mais ideias originais e corajosas.”

Antoine Marcel-Dupré, “La pensée à la fin de la ligne. Haute couture, idées basses.” Ed. Parnasse, pág. 135

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