Arquivo da categoria: Citações

Razão e emoção

 

“Nenhuma filiação a um grupo de ideias respeita ordenação racional. Você apenas assume suas crenças mais primitivas e as veste com uma roupagem racional. Somos um núcleo de medos cobertos por crenças e envoltos em uma tênue película de razão, uma fachada intelectual, que nos confere a suprema ilusão de sermos comandantes de nossa consciência.”

Almirante Henry Mulder, “Vignettes de la Voyage au Fin du Monde”, Ed. Printemps, pág 135

 

 

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Tempos

“No futuro, quando a sexo descompromissado exterminar com as relações monogâmicas e o casamento, todas as minhas ideias e meus escritos serão jogadas no lixo sob o pretexto de que eu não passava de um monogamista que defendia a escravidão sexual.”

Jeffrey Doll, “Sexuality in perspective”, Ed Fishbone, pag 135

Eu estava lendo o livro dele e encontrei essa frase. Todos os livros dele são maravilhosos em especial “Epiphany of a Dreaded Civilization”. Nessa passagem ele questiona os revisionismos históricos, quando o comportamento do sujeito de um determinado tempo é julgado pelos padrões morais de séculos à frente. No caso do livro, esta conversa ocorre entre o almirante Sebastián e o capitão LaCrosse e se refere a paixão fulminante deste último pela bela escrava angolana Latiffa, e o romance tórrido entre o marinheiro cinquentão e a menina de 16 anos. Sebastián, um cristão convicto e temente a Deus, defendia LaCrosse da acusação de adultério feita por seus colegas oficiais. Ao ser confrontado com as sagradas escrituras deixou claro que um homem só podia ser julgado em seu tempo e suas circunstâncias. Apontou para o corpo despido da menina e arrematou dizendo não haver uma só linha nas palavras de Deus que condenasse o amor de um homem por uma mulher.

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Vento

 

Passam-se os anos e os ventos não mudam. O mesmo disco quebrado repete em monocórdio o réquiem de uma alma que se foi, condenada pelo desejo, mesmo quando o desejo não é seu. “Assassina, assassina”, vocifera a turba em êxtase ao ver o cortejo, e enquanto isso, como numa procissão macabra, a mulher desfila sua marcha fúnebre, calada, pálida, impedida de oferecer seu testemunho. “Fez-se a vontade de Deus”, diz a moça branca, enquanto do outro lado da rua, de dentro de um carro a voz rouca de um homem grita “Vadia!!”.

“Pobre anjo”, diz a senhora idosa, mas engana-se quem pensou na pobre falecida. Era para o embrião que se escondera no seu ventre o lamento da velha. Para ele as homenagens; para sua mãe o inferno.

Kathy McGuire-Daniels, “The Hell of Ourselves”, Ed. Printemps, pag 135

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Certezas

 

“Perigoso é o sujeito que cultua certezas. Mal sabe que por trás de cada uma delas se esconde uma criança encolhida com medo do escuro.”

Guillermo de Montijos, “La Piedra en el Camino”, ed Ortega, pág 135

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Gênios

 

“Todos os grandes gênios da humanidade mostraram a pequenez do ser humano, e por isso não podiam ser perdoados. Atacar nossa autoestima é um crime grave. Copérnico o fez ao mostrar que não somos o centro do universo, Darwin por provar que não somos o centro da natureza e Freud por mostrar que não somos guiados pela razão, mas por uma constituição psíquica tripartite, onde os motores principais de nossas ações se encontram nos calabouços do inconsciente. Já Marx mostrou que somos governados pela história e pelas forças de choque entre as classes, as quais produzem mais efeitos na sociedade e na cultura do que os avanços científicos.

Os grandes gênios são necessariamente incompreendidos, atacados, segregados e difamados. Portanto, como regra geral, se as suas ideias fazem muito sucesso é apenas porque suprem necessidades momentâneas. Como diria Nietzsche, “um gênio verdadeiro só é compreendido após a passagem de um século”, e não há como fugir muito dessa regra”.

Rudolph Schlitzer, “The Quantum of Transformation”, Ed. Borromeo, pag. 135

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