Arquivo da categoria: Citações

Causas

“O totalitarismo nos ensinou que um passo seguro para a desumanização é quando sua ideologia – seja ela qual for – atropela e destrói indivíduos na sua caminhada. Quando a vida e a honra de alguém valem menos que uma idéia é porque esta é apenas ilusoriamente positiva. Mentir em nome de uma causa, por mais nobre que esta seja, nunca ajudou a construir nenhuma obra de valor.”

(Sir) Watson Doherty, “The Chambers of Birmingham”, ed. Peebles, pág. 135

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Futebol raiz

“Sou do tempo em que jogador de futebol usava chuteira preta, jogava bola e fazia gols por nós. Nunca soube nome de suas namoradas nem mesmo se eram casados. Hoje o futebol é apenas a vitrine para seus verdadeiros negócios. No futebol – mas também em outros esportes – o gol, o drible, a firula, a vitória e a taça no armário são apenas elementos que ajudam o “esportista personagem” a fechar contatos de barbeador, cerveja ou desodorante.”

Bernie McLaren, entrevista ao semanário “Sports in the Wire”, Edimburgo, pág. 135

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Arquivado em Citações, Pensamentos

Gente boa

Há muita gente má que vai ao consultório do psicólogo achando que este vai lhe convencer de que é “boa gente”. Estas pessoas, em verdade, estão rodeadas de gente boa, as quais não suportam, pois lhes fazem recordar a toda hora de sua própria perversidade.”

Samuel Büettner, “Da perversão de Zigmund”, Ed Caravelas (port), pág 135

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Linchadores

“Na internet há sempre um linchador de plantão cheio de esqueletos escondidos no armário pronto para jogar acusações vazias em algum personagem que possa absorver suas culpas e aliviar suas angústias”.

Kathleen Papaniakos, “Media, Love and Hate”, Ed. Jasper, pag 135

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Arquivado em Citações, Violência

Nathalie

“Nathalie cruzou as mãos sobre os joelhos e manteve seus olhos baixos, fixados em um ponto abaixo do horizonte plúmbeo. Tinha-os tristes e as linhas que os circundam eram marcadas por nuvens densas a cobrir de sombras seu rosto.

– Nada pode preencher este vazio, Nick. Não há sequer palavras que possam ser ditas. Talvez aqui esteja mesmo o “encontro das pontas” que Denny falou. Se não é possível descrever em palavras a emoção fulgurante do nascimento, também a morte só pode ser descrita se for sentida na carne. Nada do que é dito faz sentido diante da ausência, do vão, do nada que nos recobre.

Nick, engoliu em seco e pensou que seu silêncio diria mais do que qualquer frase. Olhou os olhos secos de Nathalie e sentiu nos próprios braços, como uma cãibra, a dor da impotência. Queria acalentar sua amiga, mas não há abraço suficiente para um momento de dor como esse.

Nathalie continuou, depois de suspirar e girar os olhos pelo teto, sem poder fixá-los em nada.

– Sabe o que sinto, Nick? Uma sensação incrível de arrancamento. Como um membro arrancado sem aviso. O desejo de caminhar e perceber que faltam as pernas, ou de afagar quando se foram os braços.

– Mas… Nick balbuciou meias palavras, mas foi interrompido pela fala de Nathalie.

– O que me vem à mente é saber que o que eu mais gostava já não poderei fazer. Não tenho agora comigo as festas, as viagens, o nascimento dos nossos filhos e a chegada dos netos. Essas são luzes brilhantes que iluminaram nosso caminho e jamais as perderei da lembrança. Entretanto, o amor não se sustenta apenas por estes alicerces, mas pelos humildes tijolos que lhe dão forma. Em minha mente agora está um prato da comida que ele mais gostava, o barulho da chave no portão da casa, seus passos arrastados no pequeno hall, sua face cansada e o sorriso que ele colava no rosto quando sentia o cheiro da sua comida predileta.

– Entendo, murmurou Nick

– Que sentido há em viver quando aquele sorriso simples, por um encontro banal, se perde na poeira de uma história comum para sempre?

Nathalie deixou correr uma lágrima tímida enquanto o sol se recolhia e avisava ao relógio o fim de mais um ciclo.”

Jeremy S. Woolworth, “Bridge to Nowhere”, Ed Sargasso, pág 135

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