Arquivo da categoria: Citações

DesAFio

 

“O maior desafio do homem de idéias é livra-se da expectativa que o escraviza ao desejo dos outros.

“Fico triste ao ver homens e mulheres muito preparados e capazes que, ao alcançar sucesso em suas idéias ou projetos, rapidamente sucumbem diante da expectativa gerada pelos que sustentam sua notoriedade. Só os bravos sobrevivem, e apenas os verdadeiramente inovadores descartam o brilho fátuo da fama em nome da fidelidade aos princípios.”

Ingeborg Wilkinson, “The Five Rocks of Power”, Ed. Paramount, pag. 135

 

 

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Fortes

 

“Quando lemos sobre os 18 do forte e sua intentona revolucionária suicida é de estarrecer que, passados quase 100 anos, a macheza hoje se resume a ameaças e bravatas no Facebook. Não se faz mais homens de fibra como antigamente, e os ideais de justiça social são menos valiosos que um IPhone novo na caixa.”

Constantino Arruda, “História das Revoluções Fracassadas”, Ed. Hystos, pág. 135

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Religião

 

“Sou cada vez mais interessado pelo verdadeiro sentido sociológico da religião, que não é a prática do bem, da caridade, a crença na vida após a morte ou nas bem-aventuranças. Religião me parece cada vez mais um idioma; uma linguagem. Um código complexo e detalhado onde colocamos nossos valores contemporâneos e os inserimos entre as palavras escritas.

É por esta razão que os textos sagrados são tão longos, complexos e dúbio – por vezes contraditórios. Eles são assim com um propósito: permitir a entrada de inúmeras visões de mundo, mesma as que são antagônicas. É possível ter opiniões diametralmente opostas e usar a Bíblia ou o  Corão para embasá-las.

Religião não é um lugar de onde tiramos conceitos, mas onde os colocamos. Por isso ela muda no tempo e no espaço. A religião, portanto, é uma identidade compartilhada, que funciona para agregar as pessoas em nome de idéias, valores e histórias comuns.”

Edward McDuffie,  “The gates to Nowhere”, Ed. Printemps, pág 135

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A Execução

 

“Os olhos fechados sobre o inox recebiam da mesa gelada o reflexo das lâmpadas que se penduravam do teto. Nenhum movimento, nem mesmo quando a furtiva mosca pousou sobre o contorno da sua orelha. Os lábios cerrados mantinham encarcerada a última palavra, ainda repousando sobre a língua descolorida.  Os cabelos já não havia faz tempo e a pele há muito perdera sua cor rosada, substituída por uma palidez marmórea.

Sua face encarava a lâmina giratória à sua frente de forma impassível. As rugas no contorno dos olhos se mantinham estáticas, apontando para a comisura dos olhos de uma serenidade aterrorizante. Nenhuma lágrima e nenhum remorso aparente. Seu crime seria pago com indiferença.

Subitamente o negro manco de avental amassado aperta o botão vermelho na parede ao lado e faz a lâmina girar, e nos assalta um som de marcenaria. A sala acanhada se enche com o ruído fino e envolvente da máquina giratória e os dentes da lâmina brilham ao nosso olhar. A execução se iniciava.

Com a mão na nuca do homem ele faz um delicado movimento em direção à serra circular. Esse nada diz, sequer resiste. Seus olhos se mantém fechados assim como sua boca. Sente chegar sua hora. O ruído fica mais intenso enquanto nós, aglomerados no lado oposto da mesa, sentimos os pêlos do braço retesarem à espera do inevitável. Aguardamos um grito, uma resistência, uma queixa que nunca chegou. Talvez a passividade do homem nos pareça mais brutal do que sua pena.

O giro da máquina parece se intensificar à medida em que se aproxima da face lívida do pobre homem. Nossa respiração há muito parou e as batidas surdas de nossos corações retumbam pela sala, numa batucada de medo e horror, mas também envolvidos por uma excitação inquestionável. Enquanto isso os lábios parecem querer beijar a lâmina que se aproxima e, mesmo assim, ele nada diz. Meus ouvidos escutam o guinchar histéricos dos violinos de Psicose em sinistra repetição.

A loucura foi seu crime. A insanidade levando ao isolamento e ao martírio de uma vida infeliz. Resgatado dos porões do manicômio agora estava ali diante de nós para pagar sua derradeira pena.

A serra impiedosa encosta finalmente seu nariz, bem no meio. Nenhum movimento, nenhuma sílaba, nem um apertar de pálpebras. Seguindo seu ritmo ela corta a cartilagem do nariz enquanto fere o lábio inferior, seguindo-se o superior. O negro executor mantém-se mudo, sem dizer palavra. Havia respeito ou insensibilidade? Ajeitou seu pé manco sob a mesa e imprimiu mais força na nuca do homem, deixando o aço frio atingir a testa, o queixo e separando definitivamente seus olhos. Enquanto a lâmina atingia o pescoço alguém ao meu lado levou a mão à garganta, e a sala inteira pôde escutar seu soluço involuntário.

Mais um minuto e a mão firme do carrasco cortou a última fibra de pele da nuca. Com a mão enluvada apertou novamente o botão e a máquina se calou. De imediato o homem caiu para os dois lados ao mesmo tempo; uma parte de si para cada borda da mesa, exibindo seus miolos, sua mente insana, sua loucura e suas memórias. Fragmentos da sua infância, vida adulta, seus amores e dramas salpicaram na mesa, mas não havia sangue, apenas silêncio.

O jovem funcionário juntou as metades do condenado e as colocou em uma bacia. Nenhuma explicação do que seria feito. Ainda com as máscaras no rosto saímos em fila da sala carregando conosco a certeza de que não há nada que nos ensine mais sobre a vida do que olhar um corpo em que ela não mais habita exposto em uma aula de anatomia.”

John Avery Smith “The day when they sort it out”, Ed. Printemps,  pág 135

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À espera de Emma

 

“Diante do cenário luminescente de matizes multicoloridos do céu ele se despiu do último cigarro, fazendo a brasa vívida brilhar contra a paisagem avermelhada dos bancos do bar. Da primeira baforada surgiu a frase entrecortada pela fumaça.

– Se há algo que não podemos controlar, Benny, é o ouvido alheio. Nada nos garante que o coração de quem ouve poderá compreender o que falamos, muito menos o que se esconde no vão das palavras. Como saber se a frase solta não vai encontrar um oceano de contextos na mente do outro? É verdade irmão, o ressentimento é uma capa que ao mesmo tempo em que nos protege sorrateiramente nos corrói a alma.

Sentado à sua frente Benjamin colocou uma colher a mais de açúcar no café fazendo o tilintar da colher entoar um dueto com os carros que passavam na rua. Seu olhar estava fixado na porta do bar na esperança de que Esther viesse finalmente encontrá-los. A ansiedade pelo encontro enchia o bar acanhado de silêncios que, misturados com o aroma de café passado, traziam a todos a dor pesada de muitas nostalgias.

Benjamin descolou o olhar da porta e sorveu o primeiro gole de café. Enquanto absorvia o amargor adocicado da bebida fitou Mark ainda com a xícara tocando os lábios.

– Se ela entendeu dessa forma não há nada que você possa fazer, disse. Não adianta se martirizar. Se ela se magoou com aquelas breves palavras não cabe a você se culpar. Você sabe como são as mulheres…

Mark sorriu pela primeira vez.

– Não, irmão. Nunca saberei.

O tilintar dos sinos da porta de entrada anunciaram a chegada de Emma. Benny sabia que seu rosto na primeira imagem denunciaria seu propósito e o que ocorreria nas próximas horas. Vestia-se sobriamente e carregava uma sombrinha nas mãos. Seu olhar procurava a dupla que a aguardava até que finalmente atingiram em cheio os pupilas contraídas de Benjamin.

– É ela Benny?, disse Mark sem ousar virar o corpo.

– Temo que sim. Esteja preparado e boa sorte, brother.”

Barry Wiedeman Harris, “The Portrait of the Devil”, Ed. Canvas, pág 135

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