Algo precisa ser feito

Então, diante da incompetência inconteste de um governo de perversidades alguém se ergue e, movido por genuína indignação, questiona aos gritos…

“Precisamos fazer algo!! Onde estão as esquerdas para reagir?”

Quando me defronto com estas questões eu respondo:

“Quantas unidades de infantaria o sr já conta para sua investida? Sim, porque sua proposta é de golpe, mesmo que a intenção seja de salvar o país. Pelas vias democráticas e republicanas NÃO há (pelo menos ainda) maioria no congresso para a ação extrema de sacar um presidente. Pela via judiciária menos ainda, pois o judiciário brasileiro é vil, covarde, corporativista e corrompido por vaidades, privilégios e interesses.”

Cobrar da esquerda o quê? Sair às ruas? Se unir? Mas nem a união de todas as esquerdas conseguiria tirar um presidente com 30% de aprovação dada pelos fanáticos que seguem o atual mandatário, alguém que se comporta como um líder religioso, e não como chefe de uma nação.

É justo pedir Impeachment para depois pagarmos mico como aconteceu com Trump?

Estamos encurralados. Não há via simples. Bolsonaro continua dizendo o que seus seguidores querem ouvir, e por isso não perdeu apoio significativo com a saída de Moro.

Não se trata de republicanismo. Digo mais: para mim FODA-SE a institucionalidade quando temos cadáveres se acumulando nos hospitais e nas casas. Todavia, para romper a situação FORA da institucionalidade, com quantos tanques poderíamos contar? Quantas unidades de infantaria? E, se a proposta ainda se encontra dentro das leis, quais congressistas do “centrão” (a direita de banho tomado) estariam interessados em mudar de lado? Quais ministros do STF tem REAL compromisso com a constituição a ponto de “matar no peito” uma ação firme contra Bolsonaro?

Além disso, qual setor do exército aceitaria um compromisso com as INSTITUIÇÕES e a salvação do Brasil arriscando-se a colocar um “comunista” de novo no poder? Para um golpe é preciso muito mais do que indignação e prova de crimes; é necessário conhecer o terreno dos poderosos…

Sim, estamos encurralados por um presidente que mantém – apesar da defecção do Moro – seus 20% de fiéis. Nenhum presidente sofre um impeachment com uma avaliação de 30% de bom e ótimo e, portanto, não se trata de um “clamor popular”.

Isso não significa um chamado à imobilidade ou ao conformismo, mas o reconhecimento de que gritar “alguém precisa fazer alguma coisa” é inútil e não nos ajuda.

Vejam a entrevista do Roberto Jefferson sobre os bombeiros, a polícia civil, o exército e todo o aparato de força do Brasil e respondam minha simples pergunta: fora das instituições, qual a proposta?

Enquanto esta proposta não aparece ainda prefiro me espelhar no comportamento reservado de Lula, um conhecedor da podridão do congresso e que entende as fragilidades e os suportes que (ainda) garantem esse governo.

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