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Indignação

Vejo alguns influencers da direita brasileira reclamando das dificuldades de manter um partido à direita do espectro político, de ideias conservadoras, com a enfase na família, propriedade e religião. Dizem ser muito caro, que encontram resistências legais, que sofrem processos, etc…

Sim, é engraçado ler isso. Imagine como é para nós, do PCO, que não temos nenhum empresário interessado em nos ajudar economicamente para comprar nossa consciência – e votos – no parlamento. Sério que perceberam que democracia liberal não funciona? Mas isso as vezes me deixa com um ouco de esperança. Essa turma da direita ainda conseguem se indignar, e o conformismo da esquerda liberal é muito mais paralisante. Infelizmente esses jovens ainda não sabem – ou ainda não perceberam – que o sistema que apoiam é o real problema do planeta. O capitalismo, a propriedade privada dos meios de produção e a sociedade de classes produzem a destruição do planeta, e são projetos que precisam ser suplantados.

Infelizmente a direita ainda acredita nos mitos da guerra fria e, em nome de uma liberdade ilusória, atacam os projetos de emancipação da classe trabalhadora. Mas, assim como Israel sobreviveu por quase 100 anos por meio de propaganda e lavagem cerebral, o capitalismo também resiste e se mantém por aparelhos – o controle da mídia. Apesar disdo, sua desaparicao, assim como o modelo supremacista sionista, é uma questão de tempo. A propaganda um dia se esgota e a verdade vem à tona. O fim da sociedade de classes, a equidade e a fraternidade dos povos, por fim, será nossa vitória.

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Tudissquitaí

Já repararam como a direita do mundo todo usa sempre a mesma narrativa? Os ataques à esquerda sempre são moralistas, ad hominem, violentos quanto às virtudes inexistentes, jamais estruturais. Além disso, nesses ataques a culpa é sempre do “sistema”, como se eles não representassem o próprio coração do sistema capitalista. Nos últimos dias manifestações ocorreram na Europa patrocinadas pela extrema direita e prometendo acabar com os políticos e o “sistrema” a quem eles obedecem. Mas, afinal, o que querem dizer quando afirmam que o povo está “reagindo ao sistema”? Por que esse ataque à “classe politica” surge como um mantra, repetitivo e até enfadonho, a fórmula clássica de ataque da direita? Por que a direita, para atacar a própria expressão da politica, usa o refrão de que “todo político é ladrão”?

A razão é simples: a política é a única e frágil salvação que as pessoas têm para resistir ao controle absoluto do capitalismo. Por mais defeituosa que seja, a política ao menos oferece a ilusão da participação do sujeito nas decisões do Estado, mesmo que pelas vias tortuosas da representatividade. Lembrem: políticos precisam de votos e podem ser excluídos pelo voto. Cadeiras no parlamento ainda precisam da escolha popular através do voto. Um presidente é escolhido dessa forma e com ele sua política e perspectiva de governança. Agora, digam qual foi a última vez que alguém votou para eleger o presidente da Meta, da Amazon, ou mesmo das Americanas!! Nunca, não é?

Pois é exatamente isso que a extrema direita deseja: um mundo controlado por corporações transacionais, onde o povo perdeu todas as razões objetivas para escolher representantes. Nesse mundo distópico de direita, controlado pelo capital, o Estado é tão diminuto e insignificante que de nada serve o seu voto, pois tudo seria dominado pela casta dos proprietários, dos burgueses, dos donos de tudo. O povo só poderia trabalhar, olhar, chorar e morrer; afinal não há como mudar o mundo privado.  A utopia capitalista seria materializada num tecno-feudalismo com classes sociais estanques e pétreas.

É por esta razão que tantos representantes da direita atacam o “sistema”. Na verdade, para eles o “sistema” é a própria democracia burguesa, o voto, as instâncias populares e a possibilidade de escolher representantes. Mesmo com todas as falhas das eleições e da escolha pelo voto, ainda assim essa possibilidade surge como uma ameaça ao totalitarismo ultra direitista. Estes se referem à “classe politica” com desdém porque odeiam qualquer anteparo democrático que exista entre a burguesia, suas posses e a riqueza produzida por todos nós. Quando você escuta um bolsonarista dizendo “tem que mudar tudissquitaí” ele, no fundo, está se referindo ao projeto direitista de eliminar seu direito participar do jogo.

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Censura, de novo

Deixa eu entender: a esquerda quer votar uma lei para censurar as pessoas quando falarem mal de mulheres, é isso? Curiosa essa proposta. Na minha adolescência, nós comunistas lutávamos para extirpar o câncer da censura, porque ela impedia a livre expressão do nosso ideário. Pois agora (quem diria!), a esquerda quer ela de volta. No meu tempo as mentiras eram combatidas com a verdade, com o contraditório, no debate livre e aberto; agora a solução volta a ser aquela tradicionalmente apregoada pelos fascistas: censurar aqueles com quem não concordamos.

Ou seja, a fala idiota do neto do ditador, afirmando que “mulheres votam mal”, não poderia ser dita, e nunca saberíamos o que ele realmente pensa. Entretanto, dizer que mulheres votam mal não representa nenhuma ameaça à integridade física delas, a não ser que alguém consiga me provar essa ligação. Falar mal do Bolsonaro ameaça sua vida? E criticar as posturas do Lula? Quem inventou essa ideia de que palavras de crítica ou ofensas equivalem a ameaças de morte? Por que insistimos no combate às ofensas se elas fazem parte do repertório de manifestações humanas? Por acaso o ódio e as diferenças desaparecem quando somos impedidos de expressá-los?

E qual seria o benefício da censura? Positivo, nenhum, mas censurar faz crescer os laços de união entre aqueles que pensam diferente. O nazismo é proibido e censurado no Brasil e na Alemanha, e mesmo assim – e talvez por isso – multiplicaram-se as células nazi nesses países nos últimos anos. Vejam o que virou Santa Catarina e muitos bolsões supremacistas em São Paulo, agora lotados de núcleos de apoio ao nazismo. A censura estimulou seu crescimento nas sombras, onde a luz do debate e da livre exposição das ideias não consegue penetrar. Impedir que idiotas falem – nos limites da lei – é uma estupidez autoritária. Por certo que a incitação ao crime continua sendo ameaça criminosa, mas as criticas – mesmo as preconceituosas e idiotas – devem ser combatidas sem a judicialização, ferramenta controlada pelas forças burguesas da sociedade e que, exatamente por isso, servem apenas para encarcerar negros e pobres.

As mulheres não merecem ser tratadas como seres inferiores e incapazes de se defender.

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Enquanto tu gritas gol…

A ideia de que a Copa é alienante e deveríamos estar preocupados com as eleições, pois são elas que decidem nossa vida, é uma meia verdade. Não vou dizer que eleições “não valem nada”, mas elas estão longe de apresentar soluções para a crise do capitalismo.

Depois das eleições a vida segue praticamente imutável. Enquanto o sistema neoliberal perdurar as eleições apenas escolherão o gerente da massa falida do capitalismo. As diferenças são pouco significativas na estrutura da sociedade. Os bancos continuarão a mandar na sociedade e o governante escolhido ainda será sequestrado pelos interesses intestinos do Parlamento. A diferença é que a eleição de um elemento da direita continuará o desmanche do Estado brasileiro, privatizado-o para ser controlado por poucos e sem controle público. A eleição da esquerda vai priorizar a diminuição do fosso entre as classes altas e os pobres, e a cobrança de tributos dos mais ricos, mas não a ponto de mudar a arquitetura perversa das democracias liberais. Por esta singela razão vou votar no PCO no primeiro turno e no companheiro Lula no segundo turno, pois é preciso afastar a ameaça fascista e o entreguismo da direita.

Portanto, acreditar em uma mudança profunda neste modelo de democracia liberal, controlada pelo poder econômico, é tolice. Sou velho o suficiente para lembrar quando elegeram um negro democrata nos Estados Unidos achando que alguma mudança ocorreria na estrutura última da sociedade, e que finalmente os descamisados teriam vez. Obama invadiu inúmeros países, matou milhões de pessoas, espionou o Brasil e países da Europa, aprofundou o discurso identitário direitista e não produziu nenhuma mudança na saúde americana, aprofundando a disparidade entre a casta dos bilionários e a imensa camada pobre americana.

Até Lula, para ser justo, também jamais conseguiu uma mudança radical porque está amarrado num sistema que não lhe garante um congresso ao seu lado. Nossas eleições funcionam mais uma caricatura democrática, uma encenação – cara – para manter intocado o real sistema de poderes, que se concentra nas mãos de quem controla o capital. Ou vocês não perceberam que Vorcaro tinha o legislativo e o judiciário nas mãos? Quem era o verdadeiro dono do Brasil?

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Virada

Saber que o Irã – mesmo com todos os seus defeitos e idiossincrasias – colocou o império de joelhos e humilhou os racistas supremacistas de Israel, provando ao mundo que as forças armadas de ocupação de Epstein não passavam de um tigre de papel, que o domo de ferro era uma peneira e que uma nação unida por um objetivo claro e justo se torna invencível, não tem preço. Ver centenas de colonos israelenses chorando a morte dos seus matadores de crianças é uma cena marcante para esta geração que se acostumou a ver apenas as lágrimas das famílias palestinas

Aliás, vocês perceberam como todo o regime que se opõe ao Império é imediatamente tratado pela imprensa sionista americana como terrorista e “horroroso”? Qualquer um pode tentar adivinhar qual a a falha moral que os americanos pretendem acusar seus adversários, basta usar da criatividade. No caso iraniano é a “misoginia”. Afinal, “obrigam” mulheres a usar véu, e isso é muito pior do que o fato de serem maioria nas Universidades e ocuparem posição de liderança em várias áreas. Na Rússia o problema era com os gays e a homofobia do Putin, alardeados cotidianamente para angariar a simpatia dos identitários. No Afeganistão foi o combate ao ópio, e na Venezuela os narcotraficantes. Tudo mentira, tudo propaganda, assim como era falsa a existência de “armas de destruição em massa” no Iraque de Sadam, como sabemos, porém usados como justificativas morais para atingir objetivos geopoliticos e roubar recursos naturais.

No Brasil, quando decidirmos encarar nossa vergonhosa submissão aos ditames do Império Americano e resolvermos enfrentá-los com bravura, qual será a desculpa que eles usarão? Por acaso será o “terrorismo das favelas”, ou a “corrupção dos triplex”? Quem sabe não será a “destruição sistemática da Amazônia”? Quem mácula moral será colocada sobre o nosso povo para justificar uma intervenção? Existem várias alternativas, mas por certo que a direita brasileira se aliará automaticamente ao invasor externo, reproduzindo as desculpas que eles mesmo vão estampar em seus jornais. Os Bolsonaro já estão fazendo isso agora mesmo nos Estados Unidos, não se espantem. O Império sabe como manipular seus acólitos para justificar sua eterna intromissão nos assuntos domésticos.

A verdade é que o Irã ensinou ao mundo que é possível se defender contra a potência agressora imperialista usando as armas da estratégia, usando inteligência apurada e planejamento sofisticado na defesa da soberania nacional, mesmo com poucos recursos e sob bloqueio. O Hamas e a defesa libanesa seguem o mesmo padrão, com ainda menos condições econômicas, mas mostrando aos racistas que a defesa do território nacional não tem preço. Fico feliz de ter testemunhado esta virada do Sul global em direção à liberdade e à autonomia, por um mundo multipolar.

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Fundos eleitorais

Hoje foram divulgados os valores do fundo eleitoral, um total de quase 5 bilhões de reais, mas que parece pequeno quando a gente pensa no que foi roubado na falcatrua do Banco Master e na montagem do filme “O Pangaré escurinho”. Na repartição desse montante o partido mais favorecido é o PL com 800 milhões de reais, enquanto o PT recebeu 600 milhões. Estes numeros se baseiam na representatividade de cada partido no parlamento. Os valores do PL e do PT parecem valores próximos, não? Entretanto, o que chama a atenção é o fato de que os partidos de direita recebem o triplo do que recebem os partidos de esquerda somados. Como podemos acreditar em paridade de forças com tamanha diferença?

Fica evidente que a eleição no Brasil é um produto na prateleira para ser vendido. Quem paga mais leva uma vantagem praticamente intransponível. Porém, muito mais importante que a qualidade do produto – as propostas políticas – está a propaganda que se faz sobre ele. Afinal, como imaginar que cigarro, Coca Cola e Israel fizeram tanto sucesso no mundo durante décadas sendo tão daninhos para a vida e a saúde de todo o planeta? Publicidade explica essa discrepância. As eleições demandam dinheiro, muita grana, gasta em pesquisas, organização, gasolina, contratar ativistas pagos, gastar com papel e publicidade, ações caras e sofisticadas, com o intuito de eleger o presidente, deputados e senadores – e mesmo vereadores, em nível local. Isso explica porque nossas eleições não são realmente “democráticas”, mas um arremedo de escolha “livre”. É preciso pagar uma fortuna para eleger um candidato. Quem sai na frente? O empresário ou o defensor do operário?

É como se houvesse uma competição de caça na floresta, onde todos saem do mesmo lugar, e todos tem o mesmo tempo para trazer os animais abatidos, mas o garoto herdeiro recebeu uma metralhadora caríssima do papai e o garoto pobre da periferia leva um bodoque, um estilingue que custa apenas alguns centavos. Existe real liberdade de escolha quando a publicidade é tão escandalosamente distinta?

PS: imaginem o PCO com a grana do PL e recebendo cobertura diária da Globo e dos jornalões brasileiros. Deixem essa imagem sedimentar nas suas mentes… 

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Os Civilizados

Os comentaristas Hasam Piker e Cenk Uygur do TYT, programa progressista liberal dos Estados Unidos, ligado (financiado) ao partido democrata americano, foram banidos de entrar no Reino Unido por suas declarações contra Israel e seu governo sionista, responsável pelo assassinato de milhares de cidadãos de Gaza, em sua maioria mulheres e crianças, sem falar de uma quantidade ainda maior de amputados vitimados pelos snipers de Israel.

Lembram quando eles, os Europeus, se chamavam de “democracia”? Lembram quando eles falavam de liberdade de expressão como um atributo inalienável das democracias europeias? Diziam que a censura só existia onde a selvageria era o modelo de governança. Faz pouco tempo havia uma ditadura sangrenta no Brasil e os europeus nos viam como estes selvagens. Os tempos agora são outros, e bastou ameacar seu poderia econômico para que a nudez do fascismo, que se escondia por trás de suas rebuscadas vestes, aparecesse de forma despudorada. O mesmo ocorre na Alemanha, onde uma sionista pode exibir descaradamente a bandeira de Israhell nas ruas, mas ativistas são presos por defender a vida de criancas palestinas. Para estas prisões arbitrárias é suficiente usar a velha desculpa de “antissemitismo”.

Os antigos diziam que “um liberal é um fascista comum que ainda não foi assaltado”. Essa frase se torna cada vez mais verdadeira quando percebemos que o “assalto” ao modelo colonial racista de Israhell e o questionamento cada vez mais intenso ao apartheid contra o povo palestino levou as democracias burguesas europeias a retirar a velha fantasia a mostrar sua cara horrenda e fascista.

O general russo Georgy Zhukov, um dos principais comandantes militares da União Soviética afirmou logo após o conflito que “Nós derrotamos Hitler e o nazismo, e a Europa jamais vai nos perdoar por isso”. O mais dramático dessa frase é que, quase um século após o surgimento do nazismo, a Europa novamente se nazifica, e os focos aparecem em vários países ao mesmo tempo, como Alemanha, Portugal, França e Itália, todos travestidos em partidos de extrema direita ligados à luta contra a imigração e com um ilusório discurso antissistema. Todos sabemos que o surgimento e proliferação desses partidos e ideologias estão ligados ao fracasso das propostas liberais, e a engenharia mental dos seus ideólogos nos faz acreditar que a culpa é dos imigrantes ou do Estado obeso.

O mais chocante da morte lenta da soberba europeia – hoje um mero puxadinho do Império americano decadente – é que antes de morrer sua economia, pela falta de competitividade com a China, quem agoniza são seus valores, outrora vistos como o bastião da civilização. O passo para uma total guinada da Europa ao nazismo já foi dado, e talvez a Rússia não seja suficiente para salvá-la mais uma vez.


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Culto

Uma notícia de algumas horas, associada a um editorial claramente reacionário do jornal “O Estado de São Paulo” dá conta de que o escândalo envolvendo as ligações obscenas entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro não retirou muitos pontos entre aqueles que pretendiam votar no “mitinho”, o filho do Mito. Percebem o significado dessa posição do eleitorado de extrema direita? Nunca foi contra roubo, corrupção, possíveis conchavos ou a desonestidade com que os bolsonaristas e a direita corporativa acusavam Lula e o PT, mesmo sem apresentar provas e tendo que apelas para um golpe judiciário que envolveu promotores fascistas e um juiz corrupto. O que se vê agora é que, para o eleitor cativo de Bolsonaro, não há problema nenhum em roubar, fazer maracutaias, pedir propina, comprar mais de 100 apartamentos – 51 deles com dinheiro em espécie – ganhando apenas salário de deputado. Tudo isso é permitido, natural e justo, desde que os beneficiários dessas tramoias não sejam do PT.

O inaceitável, para a direita, é um nordestino pobre, migrante e sem dedo se meter a besta e ocupar a presidência de um dos maiores e mais ricos países do mundo, um lugar reservado apenas àqueles do andar de cima da nossa sociedade de classes. O fato de um pernambucano e operário da Villares como o Lula tornar-se representante dos pobres e dos trabalhadores é o que o torna indigno de perdão por parte da burguesia atrasada e corrupta desse país. Por isso a direita perdoa Bolsonaro & Filhos pelos seus crimes e até a roubalheira do Master e Vorcaro, mas jamais aceitará que um retirante como Lula seja o mandatário do país, por mais honesto que ele seja.

Sim, os estrategistas da direita apostam em uma total dissonância cognitiva combinada com uma narrativa messiânica para sabotar o Lula 4. É preciso uma ligação mística, um culto, onde eleitores são tratados como prosélitos de uma religião salvacionista. Por isso que a demonstração da desonestidade essencial de membros da Família Bolsonaro é pouco efetiva para conquistar corações e mentes dos eleitores desse campo. Para derrotar o “mal socialista’, o comunismo, as esquerdas e a perda da “liberdade” que eles representam é possível até fazer um pacto demoníaco e colocar pessoas sabidamente desonestas no poder.

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Meu nome é Enéas

Enéas é o político sempre lembrado pela direita conservadora raivosa, mas era um “antissistema” sem muita noção da política. Era médico (portanto, reaça), militar da reserva (nem precisa explicar) e católico fervoroso (outro grupo conservador). Era o “hat trick” dos reacionários pós ditadura. Na atualidade, o personagem mais parecido com ele, pelo perfil, é o Ronaldo Caiado que é médico, católico e latifundiário; entretanto, pelas falas enérgicas e pela postura pública, quem mais se aproxima é o Rubão. A gente sente saudades de personalidades como o Enéas pela sua postura nacionalista, pela defesa do capitalismo nacional e a favor da soberania da Pátria, pois estas eram características da velha guarda das forças armadas, inclusive da turma de 64. Hoje em dia os militares são plenamente dependentes – econômica e ideologicamente – dos Estados Unidos, e não existe mais o fervor nacionalista de outrora.

Já a direita brasileira atual é absolutamente entreguista, ligada à subserviência ao Império americano. Para os garotos do MBL qualquer defesa da soberania nacional e em favor da independência em relação ao imperialismo é vista com desdém pelos seus seguidores. Os líderes dos paretidos de direita no Brasil – mas também na Argentina, como Milei – são ligados umbilicalmente à ordem imperialista, e não existe limite para a submissão humilhante ao ditames americanos. Observem o comportamento de capacho da família Bolsonaro, onde o ex-presidente chegou a dizer “I love you” para o canalha do Trump. Ali foi o ponto mais baixo do acadelamento da nação, a maior humilhação pública de um chefe da nação em relação ao seu “patrão”.

Entretanto, por mais que suas ideias econômicas fossem ideologicamente neoliberais e falassem mais do mesmo, e não acrescentasse em seu programa o necessário combate à sociedade de classes, Enéas JAMAIS se ajoelharia a um poder estrangeiro como fazem os atuais militares e os líderes da direita entreguista brasileira. Enéas agora é lembrado pelo seu real patriotismo, mas não passava de um político comum, que inclusive mentiu – como é comum entre os candidatos ligados ao grande poder econômico – sobre a promessa de jamais se candidatar a cargos menores, desejando apenas a presidencia. Foi o deputado federal mais votado de São Paulo. Morreu de leucemia mas deixou a saudade de muitos pela sua postura nacionalista.

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Ataque americano

Muitos ainda insistem na defesa dos Estados Unidos como se este país fosse um “bastião em defesa da democracia”, mas bem o sabemos que esta postura é fruto de mais de um século de massiva propaganda que, ao mesmo tempo que exalta a democracia burguesa, tenta desumanizar e vilificar seus oponentes. Os árabes – como pode ser visto em “Reel Bad Arabs” – são, de longe, as principais vítimas dessas campanhas de descrédito, em função da importância geopolítica de Israel. Ora, nada poderia estar mais longe da verdade do que colocar os Estados Unidos como defensor dos valores democráticos, mas aqueles que ainda defendem o imperialismo o fazem como que dominados por uma religião irracional, carregando suas palavras de chavões desbotados pelo tempo, relíquias cafonas e empoeiradas da guerra fria. Usam até a retórica do Milei – um Bolsonaro ainda mais aloprado – que não passa de um maluco fracassado que empurrou a Argentina para o fundo do poço, piorando o que Macri já havia feito. Outro detalhe chamativo é a tentativa de atacar o Irã defendendo o “direito das mulheres”, como se houvesse qualquer interesse na defesa de mulheres muçulmanas, mortas de forma genocidária em Gaza há vários meses. Não, nunca foi esse o interesse, mas ele é usado como “peça de propaganda” para aglutinar identitários na causa imperialista.

O paradoxo que vemos agora é testemunhar a direita mais retrógrada cair “como um patinho” na retórica “woke”, o que demonstra que na falta de argumentos a direita aceita apoiar até mesmo o discurso dos identitários. A meu ver, apesar de críticas necessárias às questões de gênero em países do Oriente Médio, quando examinamos a realidade da situação das mulheres do Irã, é evidente que elas têm muito mais liberdade do que as ocidentais, basta ver o acesso delas às faculdades como engenharia e física, que no ocidente são majoritariamente masculinas. Ao lado disso, vemos o quanto as mulheres no ocidente são expostas e objetualizadas ao extremo, mas matar crianças e mulheres usando a desculpa de que, terminada a matança, as mulheres poderão mostrar os cabelos, é o extremo da perversidade, o cúmulo do pensamento assassino que a direita tanto dissemina. Criticar as vestimentas de uma cultura – e mesmo a prática perniciosa de alguns radicais – como forma de analisar a liberdade faz parte da retórica oportunista de quem se nega a olhar para qualquer assunto com a devida profundidade.

Escrevo este texto imediatamente depois do ataque americano às instalações nucleares do Irã, e antes da óbvia retaliação que virá. É importante deixar claro que os próprios especialistas americanos (vide abaixo), passada a fumaça e a poeira das bombas jogadas no deserto, deixaram claro que nada de grave aconteceu, nenhuma estrutura foi destruída e nenhum artefato nuclear danificado (havia sido removido há muito tempo). Enquanto isso, 1/3 de Tel Aviv está severamente danificada, e a tendência é se tornar muito pior. Somente os cegos e fanáticos não conseguem enxergar que o fundamentalismo sionista, racista, supremacista está desaparecendo, derretendo, sendo transformado em pó. O regime extremista e terroristas dos sionistas dará espaço a uma democracia próspera e vibrante depois de um belo espetáculo de destruição do regime racista em Israel. Agora estamos escutando os primeiros vagidos de uma nação palestina plural, democrática, sem muros, sem mortes, sem apartheid, sem racismo, sem supremacismo, sem “povo escolhido” e sem a tirania dos capitalistas e abusadores sexuais de Israel. Em breve veremos palestinos – judeus, cristãos e muçulmanos – livres das amarras totalitárias do sionismo.

Enquanto isso, Trump está correndo risco de vida, e querem nos fazer crer que ele será morto pelos iranianos. Netanyahu, em verdade, disse que isso iria acontecer; ele avisou explicitamente sobre a morte de Trump, e disse que o Irã desejava matá-lo. A verdade é que quem vai tentar isso será o Mossad, pois assim fazendo ganhará duplamente: eliminando um presidente rebelde e conseguindo uma ótima desculpa para a guerra total.

Neste ataque parece mesmo que Trump só bateu o ponto para justificar aos seus patrões sionistas de que algo foi feito contra o Irã. Na verdade, essas ações teatrais deixam cada vez mais claro que Trump está com medo de morrer.

“Um ato teatral. A grande boca de Trump o colocou em uma encruzilhada. O Irã não jogaria seu jogo. Então ele foi obrigado a bombardear o Irã para salvar a própria imagem. Para isso, bombardeou duas instalações vazias que já tinham sido atacadas por Israel e lançou seis bombas contra uma instalação indestrutível (Firdos), alegando destruição, apesar do contrário ser verdade. É isso; um ataque “controlado”, um fiasco. E este é o homem cujos apoiadores chamam de o maior líder do mundo. Ele é uma vergonha nacional”. (Scott Ritter)

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