Arquivo da categoria: Política

Direita Chucra

 

O problema da direita chucra é essa tolice de que “a corrupção é o grande problema nacional”. Que bobagem; nem de longe esse é nosso grande drama. Os Estados Unidos são muito mais corruptos do que o Brasil e a Coreia do Sul então, nem se fala. Nosso problema que se mantém, apesar de outros avanços, é a estrutura escravocrata de nossa sociedade, que herdamos de mais de 500 anos de história.

O problema é a iniquidade e a injustiça social; a divisão do país entre o que podem e os que servem. A corrupção PRECISA ser combatida, mas sem a crença de que ela é a “grande tragédia da nação”.

Todavia, a direita tenta sempre moralizar a questão criando estratégias para poder classificar nossos problemas dentro do seu maniqueísmo habitual: “bandidos x cidadãos de bem”, que nada mais é do que a manutenção da dualidade “Casa Grande x Senzala”. A estrutura é a mesma, mas hoje é feio admitir que sempre foi o horror aos negros e pobres que criou o ódio ao PT, enquanto o combate à corrupção sempre foi a capa encobridora da realidade odiosa do racismo e da exclusão.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Homenagens a Marielle

 

“As homenagens a esta mulher foram exageradas”

Sério? Por que não homenagear Marielle??

Negra, moradora da favela da Maré, homossexual, mãe, socióloga e defensora dos direitos humanos cruelmente assassinada por defender a população vítima da brutalidade policial!!! Quem merece homenagens nessa sociedade? Jogadores de futebol? Políticos burgueses da Zona Sul? Cantores de axé? Sertanejo? Artistas da Globo?

Marielle era uma verdadeira heroína, uma batalhadora contra a injustiça social e a barbárie. Mereceu tudo que recebeu de homenagens, e espero que seu nome não seja jamais esquecido. Marielle sintetiza a bravura e a coragem de quem nunca se calará.

 

Deixe um comentário

Arquivado em Política, violência

Tristes solilóquios

 

“Muitos insistem em vociferar verdades nas mídias sociais, mesmo que elas não venham acompanhadas de uma prova sequer do que afirmam. São sujeitos carregados de certezas e ideias simples, repletas de embates do “bem contra o mal”. Acusam a todos, julgam e condenam sem piedade. São carrascos virtuais, prontos a colocar seus desafetos no pelotão de fuzilamento.

Porém, é fácil perceber que estas pessoas se comportam tal qual os fanáticos religiosos que gritam versículos bíblicos na praça. Seus discursos cheios de fervor não servem para que os outros se convertam; são ferramentas para que eles mesmos acreditem em suas palavras. Diante da incerteza do que afirmam insistem na veemência de suas convicções, mesmo quando tudo à sua volta lhes prova que estão no caminho errado. Não são discursos reais; são tristes solilóquios.

Seus gritos funcionam como uma proteção contra o medo de estarem errados. Com este discurso tentam bloquear a realidade, porém esta, mais cedo ou mais tarde, acaba mostrando sua face dura. Triste o momento em que percebem que suas convicções não eram mais do que seus desejos transformados em discurso. Mas não será esta a verdadeira iluminação?”

André Capuani Riggo, “Mídia e psicanálise”, Ed. Lambert, pág 135

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Ódio nosso de cada dia

 

Diante do desafio simples de pedir uma única prova de um deslize do ex presidente Lula que justificasse ser chamado de “ladrão”, a resposta é igual para todos os que assumem uma atitude autoritária. Na verdade estes sujeitos não conhecem nenhum crime de Lula, mas isso não lhes impede de odiá-lo com todas as forças porque este sentimento não tem absolutamente NADA A VER com algo que ele tenha feito ou deixado de fazer, mas com sua figura simbólica, o que ele representa como ameaça à estrutura social do Brasil.

A verdade é que se ele fez algo de errado ou não é totalmente irrelevante para quem escolhe odiá-lo por ser quem é. Isso explica que as acusações de corrupção ou de roubo nunca tenham materialidade; nenhum acusador é capaz de citar uma prova sequer, e todos dizem “ah, Moro escreveu 300 páginas, está tudo lá”, e fogem de qualquer desafio de mostrar uma evidência qualquer de que tenha “roubado”, “prevaricado” ou se corrompido. Nada… Nenhuma conta, imóvel, mansão, carros de luxo, conta secreta, telefonema, recibo, gravação (compare com as do Aécio), jóias, dinheiro vivo. Nada, absolutamente nada.

Sabem porquê? Porque não se trata de uma acusação racional. O ódio aos pobres e aos negros não pode ser dito em voz alta em uma sociedade que condena racismo e preconceito de classe, mesmo que estes sentimentos existam no submundo de nossas emoções. Por esta razão eles surgem na superfície com a fantasia do moralismo. Até os pastores travestem seu ódio com essas ferramentas – como o Pastor Feliciano falando da bala na cabeça dos esquerdistas – e ainda o fazem em nome de Jesus.

Portanto, minhas palavras em defesa da democracia e da constituição servem apenas de retórica jogada ao alto, e não direcionada a quem se nega a pensar com justiça e com respeito ao Estado Democrático de Direito. Quem se alegra e faz carnaval com a possível prisão de Lula está completamente alheio a qualquer abordagem racional e já mergulhou profundamente no poço das emoções mais primitivas, onde a luz da razão é incapaz de alcançar.

Deixe um comentário

Arquivado em Política

Fuga da Venezuela?

 

Uma recente publicação (veja aqui) avalia os fluxos migratórios entre países da América Latina e a Venezuela é os achados brutos demonstram que mais brasileiros, argentinos e colombianos atravessaram as fronteiras em direção à Venezuela do que o oposto. Isso confronta diretamente a tese de que existe uma “fuga” maciça do “bolivarianismo venezuelano” e de que haja uma “catástrofe humanitária” ocorrendo com nosso vizinho. Uma recente visita de um alto funcionário das Nações Unidas desmente peremptoriamente a ideia de que haja uma tragédia em curso (veja aqui)

Mais uma pedra sobre a falácia da “crise humanitária” Venezuelana e uma prova cristalina da manipulação das informações que nos chegam através do cartel de mídias brasileiras. Isso lembra a Guerra Fria e os “informes de Moscou” onde tudo que chegava a nós sobre o comunismo era distorcido e manipulado. Felizmente hoje existe a Internet e os mecanismos de avaliação mais abrangentes do que efetivamente ocorre.

Crise humanitária? Um terço da população AMERICANA vive abaixo da linha da pobreza. O capitalismo está nos seus estertores, conforme a exata previsão de Marx —> o movimento do capitalismo é para a periferia deixando seus próprios países com um vazio de empregos, o que resulta em sentimentos ódio aos imigrantes e a eleição de “salvadores” populistas e protofascistas (como nos Estados Unidos). Os ricos ficam mais ricos com o pagamento minimo de trabalhadores periféricos, mas com o tempo os produtos produzidos não podem ser mais comprados pelos trabalhadores desempregados ou descapitalizados. A crise é inevitável, mas a situação se mantém pela propaganda e pela obstrução (temporária) da verdade.

Os bodes expiatórios acabam sendo criados baseados em oportunismo e interesses, quando em verdade o problema é a própria estrutura capitalista da sociedade.

O capitalismo disfuncional termina por colocar o cidadão insatisfeito diante de um dilema: combater os fantasmas criados pelo capitalismo decadente (a corrupção, a criminalidade, os imigrantes, os petralhas, o comunismo, os sindicatos) que, apesar de existirem e muitas vezes serem problemáticos, NÃO SÃO a origem dos problemas estruturais pelos quais passamos, ou olhar para o envelhecimento e a senescência de um modelo de três séculos que mostra sinais de falência sistêmica. É mais fácil procurar a chave perdida sob a luz da lamparina do que procurá-lá onde verdadeiramente se encontra: na escuridão dos modelos que valorizam o capital em detrimento do sujeito.

Enquanto isso nós continuamos a pregar em favor de um modelo doente terminal com argumentos saídos dos gibis do Capitão América.

Deixe um comentário

Arquivado em Política