Linguagem

A iniciativa do Liceu Franco-Brasileiro não obriga ninguém a usar “linguagem inclusiva”, mas permite que ela seja usada livremente por professores e alunos. Pelo menos foi assim que eu entendi na reportagem. A alternativa para isso seria a proibição, mas isso é absolutamente inaceitável. A língua é um “ser vivo”; ela é mutante e se transforma, como as espécies animais e vegetais no planeta, que se modificam para produzir adaptação a um meio ambiente que se altera constantemente. Por isso que “você” surge de “à vossa mercê” e tantas outras palavras e expressões aparecem da lapidação cotidiana de seu uso.

Imaginar uma língua imutável é pretendê-la morta, estéril, sem o uso que as pessoas fazem dela nas ruas, em casa, no contato com outros idiomas e no surgimento de novas palavras para novos objetos e circunstâncias.

O uso da “linguagem inclusiva” deve se submeter ao teste do uso. Se as pessoas aceitarem sua utilização e ela se tornar corrente e corriqueira, será naturalmente incorporada ao dia a dia – e posteriormente pela academia. Não existe “língua errada”, não existe falar incorreto; os idiomas são entidades em constante transformação. Só o tempo e os costumes podem incorporar formas de falar ou tornar outras obsoletas.

O resto é ranço de quem pretende a existência de linguagens “corretas” e “fixas”. Esse conservadorismo é inútil, pois é impossível interromper a transformação da forma como falamos.

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