Racismo invisível

“PM nega motivação racista ao espancar o sujeito no Carrefour”.

O grande erro das análises sobre a morte no Carrefour continua sendo achar que a motivação racista se refere somente aos possíveis conteúdos CONSCIENTES, quando em verdade tem a ver com a estrutura social que INCONSCIENTEMENTE direciona nossas ações.

É exatamente por isso que temos um racismo invisível, até com aparência de cordialidade – ou democracia racial – porque ele está embebido na arquitetura social mais profunda, longe das luzes da consciência. Mas o fato de ser inconsciente o torna ainda mais difícil de combater. Como a violência obstétrica: quanto mais invisível, mais poderosa.

É muito difícil para muitos entender como funciona o racismo estrutural porque não percebem que nossas decisões percorrem um caminho que se situa abaixo da linha do consciente. É ali no breu do inconsciente, no escuro dos sentimentos mais primitivos e onde a luz da razão não encontra espaço, que estas escolhas são feitas.

Para entender o racismo estrutural é importante despir-se da arrogância racionalista e reconhecer a origem das nossas decisões. Somente esse mergulho nas emoções mais ancestrais nos permitirá entender porque os negros morrem nas mãos da polícia ou de seguranças enquanto aos brancos é reservado um espaço de civilidade protetiva. Os corpos negros, como se diz, são corpos “castigáveis”; violar e maltratar as carnes pretas ainda é um ato impune.

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