Gozo perverso

Todo mundo curtindo a desgraça que está prestes acorrer com a Geni, digo, Karol, mas ainda há aqueles que não conseguem sentir prazer algum testemunhando o despedaçamento público de alguém. Ou que, pelo menos, reconhecem seus sentimentos e sentem-se envergonhados de participar de um ritual de “malhação do Judas” em nível nacional. Estas pessoas descrevem um sentimento semelhante à “vergonha alheia”, o mesmo que lhes impede de assistir a Vanusa cantando o hino nacional ou que não lhes permite achar graça ao ver um sujeito sendo vítima de um vexame ao vivo.

Mais do que simplesmente a vontade de fazer justiça existe um gozo perverso na humilhação alheia. Um desejo de que suas próprias mazelas pessoais sejam queimadas no corpo de outro, como se assistir a execração pública de uma pessoa nos deixasse mais limpos, puros e elevados. No íntimo dizemos “Sim tenho meus defeitos, mas ainda há alguém mais abaixo, e quero deixar isso bem claro”. Recusar-se a fazer parte dessas catarses coletivas e sentir-se mal diante de linchamentos – inobstante a culpa do acusado – é sinal de que nem toda a sua empatia foi destruída.

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