Prostituição

Primeiro ministro espanhol Pedro Sanchez afirma que vai acabar com a prostituição no país.

Eu faria um singelo pedido a Pedro Sanchez: que ele aproveite a onda e decrete o fim da maldade, da feiura, da raiva e da ganância. Se é fácil assim, então vamos proibir tudo quanto é negativo. Se basta uma canetada, bora atacar todas as tristezas e torná-las ilegais.

Eu creio que, em uma sociedade justa e equilibrada, as mulheres que procuram a prostituição como meio de fugir das privações cairia drasticamente, ou mesmo acabaria. O mesmo não se pode dizer das mulheres que buscam na prostituição a realização de suas fantasias, ou a possibilidade de ganharem muito mais do que em outra profissão.

Pergunto: por que deveríamos privar estas mulheres do uso libertário dos próprios corpos? Por qual razão comercializar a parte de baixo é errado, mas explorar os braços dos trabalhadores como força motriz do capitalismo é justo?

Alguns diriam que é uma profissão de muitos riscos, mas assim também o são policiais, mergulhadores, eletricistas e tantas outras – onde faz pouco tempo as próprias mulheres também entraram, provando serem igualmente capazes. Por que precisamos continuar tutelando o que as mulheres decidem fazer com seu corpo e sua sexualidade? Tudo isso, no fundo, é o pânico do patriarcado ao ver a “desordem” da sexualidade sem arreios…

Dizer que “nenhuma mulher voluntariamente se prostitui” é apenas moralismo ou oportunismo. Há sim aquelas que preferem ganhar 30 ou 40 mil fazendo sexo do que trabalhando em uma fábrica. Por que negar esta evidência com a ilusão de estarmos protegendo as outras mulheres?

Proibicionismo é tolice. Não funcionou na lei seca ou com as drogas recreativas. Por que haveria de funcionar com o comércio do sexo? E todo mundo já sabe que ações assim apenas fazem crescer o “mercado negro” (ou paralelo), fortalecendo os sistemas de proteção (gigolôs), exploração do trabalho, etc.

O que deve feito – atenção para a suprema novidade – é exterminar a pobreza, a exploração, a miséria, o colonialismo e o capitalismo para que nenhuma mulher – ou homem!!! – seja obrigado a se prostituir contra sua vontade, e que o exercício da sexualidade seja livre, sem coerções de ordem econômica, cultural, moral, étnica e política.

Enquanto esse mundo de equidade não chega, que para todas as pessoas que apelam à prostituição sejam garantidos o suporte, a informação, a segurança e a assistência médica. Até o dia em que a exploração do homem pelo homem chegue ao fim e nenhuma pessoa seja obrigada a fazer com seu corpo o que não deseja.

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