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Bruma

A bruma que percorre a humanização do nascimento é feita da névoa da transcendência. Por indefinível, enquanto sopro, e imaterial, enquanto ideia, ainda assim é tão verdadeira e presente quanto a brisa e a paixão. Sem ela, aqui definida como o olhar que percebe o que se esconde atrás do véu das aparentes banalidades da vida, não há como entender o gozo que se instala no corpo em dor, o trinar dos dentes em falsa agonia, o suor que brota no músculo retesado, a lágrima salgada, a boca ressecada, o corpo que se projeta e a mão que se fecha.

Sem levantar o manto que encobre a essência simbólica e espiritual de um nascimento tudo é apenas real, e o real é a mais falsa de todas as verdades.

Sem a transcendência não é possível captar sua dimensão.

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