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Tempo

“Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo
Quando o tempo for propício
Tempo, Tempo, Tempo, Tempo”

(Caetano Veloso)

Uma questão importante de aprendermos – todos – em tempos de internet, mídias sociais e instantaneidades é que os temas precisam de maturação, e maturação requer tempo.

Por mais que você tenha uma visão muito lúcida e plena de razão em seus pressupostos existe um tempo necessário para que as feridas possam cicatrizar. Depois de uma perda, em especial mortes violentas de crianças e jovens, é especialmente válido guardar um tempo de silêncio em respeito à dor de quem sofreu o drama de uma perda tão de perto.

E não importa se a sua análise está correta; estar certo não é o que mais importa. Respeitar os sentimentos alheios durante processo agudo de luto é uma obrigação da civilidade. Sem isso perdemos toda a humanidade, a empatia se esvai e ficamos prisioneiros da realidade crua.

Nesses casos de morte à justiça precisa prevalecer mas não às custas da desumanização dos personagens envolvidos. Muitas vezes a justiça funciona mais quando tardia, exatamente porque as emocionalidades e paixões envolvidas sofrem o desgaste benéfico produzido pelo efeito curativo do tempo.

Se você tiver uma visão clara de um caso pontual e trágico ocorrido em nossa sociedade, espere o tempo adequado para se manifestar. Não se apresse, não seja vitima de seu senso de urgência. Guarde sua análise para depois, para um momento onde suas palavras não terão tanto potencial destrutivo.

Seja humano, pense no sofrimento dos outros. Em momentos de dor exercite sua empatia. Afinal a razão e a lógica vieram muito tempo depois que o cuidado com o semelhante já era um traço essencial para o futuro dessa espécie.

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