Arquivo da tag: partenogênese

Da nossa inutilidade

É bem provável que os homens venham a se tornar paulatinamente desimportantes e inúteis para a reprodução. Talvez seja mesmo o que nos espera ali na esquina e é lícito imaginar que seguimos nesta direção.

Entretanto, a ciência também descobre aceleradamente meios de produzir gestações fora do útero, e a facilidade de construir um espermatozóide deve ser tão complexa quanto a de construir um óvulo. Assim sendo, a desnecessidade de mulheres na perspectiva biológica também é uma sombra no futuro. Isso sem falar nas gestações implantadas no peritônio de homens e sua subsequente suplementação hormonioterápica. “Homens-mãe” pairam sobre nosso espectro de possibilidades há muito mais tempo do que a criação de “girinos biônicos“.

Para quem acha o sexo oposto um entrave à felicidade e uma fonte inesgotavel de mágoas insolúveis, tais avanços tecnológicos poderão ser encarados como boas notícias. Para aquela “minoria” que enxerga a diversidade psíquica advinda do dimorfismo sexual uma das chaves para o nosso sucesso neste planeta, podemos antever o prenúncio do Armagedom.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos

Tubaroa solitária

“Preciso de um namorado senão vou fazer uma loucura!!!!”

Diante do debate surgido com descoberta de um tubarão fêmea que conseguiu se reproduzir sem sexo criou-se a ideia (ou a fantasia) de uma sociedade onde as mulheres clonassem a si mesmas, criando uma sociedade exclusivamente feminina. Explorei esse tema no meu primeiro livro, mas penso que é importante lembrar no outro lado da moeda, pois existe outra possibilidade: uma sociedade sem mulheres e com bebês meninos produzidos em chocadeiras, como em Matrix. Os tubarões não tem acesso a estes recursos, mas nós (já?) podemos um dia chegar a este ponto de controlar a natureza como desejamos.

A resposta que eu dei a esta pergunta no meu livro foi que isso produziria uma enorme perda de diversidade para a humanidade. Retornaríamos ao tempo da cissiparidade ou da partenogênese, que foi abandonada exatamente por carecer de diversidade. Um mundo só de mulheres seria muito chato e monótono; um planeta só de homens seria inabitável. A variabilidade psicológica e emocional é o que nos oferece aptidões e visões de mundo múltiplas e complexas.

Um mundo sem homens seria chato e atrasado. Um mundo sem mulheres seria feio, frio e triste. Não desejo nenhum desses lugares nem aos meus (minhas) piores inimigos(as).

Digo mais: se a cura da homossexualidade – ou sua prevenção – fosse um dia alcançada isso também seria uma perda de perspectivas ricas e desafiadoras para a cultura. Portanto…. não vejo muito sentido em cultuar uma tubaroa que agiu apenas por desespero. Prefiro o caos das disputas de gênero ao paraíso mórbido e invariável de uma sociedade feita de pessoas iguais.

Deixe um comentário

Arquivado em Pensamentos