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Rua de Ramalhetes

Cada um olha para o que quer, e talvez essa paralaxe seja o que explique os humores, as dores, as paixões e as tristezas concentradas. Pois eu prefiro olhar para o arco-íris da minha infância e juventude, mesmo reconhecendo o quanto de injustiça ainda havia. Eu olho para os Beatles, os hippies, o “women’s liberation front“, o maio de 68, a pílula anticoncepcional, o movimento de mulheres, a minissaia, a moda unissex, o amor livre, a rua com seus ramalhetes, o parto humanizado nascendo no ventre do movimento beatnik, Ina May, Woodstock, Jimmy Hendrix, Genesis, Yes…

Tempo de chegar à lua, de beijar na boca em público, de expor a barriga na praia como Leila, de ver gente pelada no “Hair”, de cantar com os Rolling Stones, de ser antropofágico com Caetano e seguir a banda com Chico.

Não havia encantamento no seu tempo” Quanta arrogância!!! Praticamente TUDO que se usufrui hoje, inclusive – e principalmente – tantos direitos para as mulheres, veio das conquistas de homens e mulheres dessa época maravilhosa, que acordaram para a necessidade de equidade e começaram uma luta que ainda está recém engatinhando, mas que ofereceu já tantas coisas.

No seu tempo o amor era apenas falso moralismo“. É assim que podemos classificar o amor dos nossos pais, de onde todos saímos? É assim que classificamos essa atração irresistível dos corpos que ultrapassa os tempos e nos mantém aqui neste planeta?

Não consigo ajeitar no meu horizonte de compreensão tanto rancor com o tempo que se foi. Respeito o sofrimento e a perspectiva de vida de quem não enxerga como eu, mas permitam que eu me espante com o ressentimento que não nos permite enxergar a rosa ao fim do caule espinhento.

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Arquivado em Histórias Pessoais