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Desejo feminino

“O desejo feminino e sua ameaça à estrutura patriarcal pode ser analisado lendo-se o livreto “Traumnovelle”, de Arthur Schnitzler, que deu origem ao filme “Eyes Wide Shut” do diretor Stanley Kubrick com Tom Cruise e Nicole Kidman.

Para mim a cena mais impactante do filme é a descrição da fantasia que Nicole confessa que teve com o militar, seguidas da cara boquiaberta de Tom ao escutar o relato riquíssimo em detalhes e nuances oferecidos por sua mulher. É exatamente nesse momento, ao defrontar-se com a descrição detalhada das fantasias dela, que ele entra em pânico e vê desmoronar diante de si a ilusória supremacia fálica que tanto acalenta.

O resto do filme inteiro é a busca por esta imagem perdida de si mesmo.

Por outro lado, todo o filme pode ser interpretado reconhecendo o parto como parte da vida sexual de uma mulher, e entendendo que sua exuberância funciona também como uma ameaça ao sistema falocêntrico contemporâneo, tanto quanto a fantasia sexual da esposa colocou a mente do marido em espiral. Por isso a voz do parto é calada e suprimida, assim como toda a eroticidade que ele é capaz de expressar.”

Veja aqui o fragmento que tanto me impactou….

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Desejos, Fantasias e Vibradores

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Sobre desejos, fantasias e vibradores…

A propósito de um debate sobre uso de vibradores por mulheres casadas – ou com parceiros fixos – eu lembrei de uma frase que ele tratava de algumas particularidades da sexualidade feminina: “o pênis é uma parte do corpo feminino que fica pendurada nos homens“. Mas, se a discussão é sobre a fantasia feminina e o prazer que dela se produz, o auto erotismo, a luxúria solitária, o que haveria a debater? Um homem pode até esconder um vibrador, mas pode amarrar os dedos, queimar o travesseiro, aplicar um torniquete nas fantasias? Não creio…

Mas se o debate for sobre a representatividade do falo no vibrador… bem, essa seria uma linda discussão.

Tenho a ideia de que a fantasia feminina é insuperável. Em “Eyes Wide Shut”, derradeiro filme de Stanley Kubrick (2001, uma Odisseia no Espaço) ele explora isso, baseado na obra Traumnovelle de Schnitzler. No filme a fantasia erótica de Alice (Nicole Kidman) aparece em todas as suas nuances, detalhes e riquezas. A descrição pormenorizada ao marido Bill do não-encontro com o capitão do navio deixou o protagonista, Dr Bill (Tom Cruise), absolutamente abalado. Não se tratava de um ciúme materializado por um ato de infidelidade; era a fantasia inalcançável, impossível de controlar ou proibir; era a riqueza do erotismo feminino, o espaço infinito no qual suas mãos jamais poderiam controlar ou alcançar, constituindo-se no fato que que mais lhe torturava. Esse relato sôfrego, é interrompido bruscamente pelo telefonema de uma cliente, e ali se inicia sua busca, uma aventura angustiante através de um percurso masculino.

O que ele encontrou foi um universo gélido, tétrico e insípido criado por mulheres nuas e sem rosto. Sobrava-lhes corpo, matéria; faltava a elas alma e desejo.

Quanto a estes fantasmas femininos, que os deixemos livres.

(essa foto é do momento em que Alice descreve suas fantasias ao marido, deixando-o atônito e em pânico)

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