Pensar Diferente

Há alguns dias eu coloquei um texto aqui exatamente tratando dessa questão: a importância do contraditório, do estranho, do diferente e do aparentemente absurdo. Acho que foi a velhice que me deixou assim: se alguém entrar na minha página do Facebook para falar de cesariana a pedido, eu apenas digo: “Traga a sua tese em poucas palavras, e vejamos se há algo de interessante nela para debater“. Não acho indecentes essas propostas, e nem inadequadas por si. Mais ainda, acho que a única forma de energizar as nossas convicções é colocá-las constantemente à prova. Debater as convicções que nos são mais caras é a melhor maneira de deixá-las firmes e fortes.
Meu pai diz que criou seus filhos mais velhos com essa ideia em mente: fomentar o debate e a contradição. Para isso, estimulou que um fosse gremista e o outro colorado (quem é do sul sabe que isso é mais complicado do que a relação entre israelenses x palestinos) , colocando-se (mentirosamente, depois soube) como “isento”. Com isso eu passei a infância inteira tendo que conviver com um cara que gostava de outro time, aguentar as “flautas”, aprender a debater e respeitar a grandeza do outro clube. Não foi fácil, mas isso me ajudou a suportar as agruras de combater sempre junto aos pensamentos minoritários.Todos queremos ser amados e receber a aprovação das pessoas que estão ao nosso lado. Assim sendo, pensar “diferente” é um esforço complexo diante da sedução constante de agradar seus pares. Contestar, brigar por teses contra-hegemônicas e sustentar suas convicções com a coragem para mudar é um aprendizado que deveria começar na primeira infância. Depois disso fica sempre mais difícil…

 

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