Massa Crítica

Mulheres greve

Enquanto a “massa crítica” daquelas que percebem a violência obstétrica for de apenas duas em 60 as mulheres continuarão a ser apenas vítimas, passivas e submissas. Quando conseguirmos – através da conscientização e da educação (por isso mesmo é um processo lento) – elevar este número, os próprios perpetuadores da opressão do sistema vão se sentir desconfortáveis com as ações que cometem – conscientes ou inconscientes – que expropriam o protagonismo das mulheres. Se é complexo sair da zona de conforto e assumir uma postura ativa e protagonista diante do próprio corpo e da gestação, também é a ÚNICA forma de romper o modelo opressor.

Como eu disse anteriormente em diversas oportunidades, existem MILHARES de desculpas que qualquer mulher pode usar para se acomodar na posição de vítima, a imensa maioria delas válida e compreensível. Todos nós alguma vez já ouvimos isso: “Ah, sou pobre, fui educada assim, nunca me valorizaram, sempre fui depreciada, sempre fui desconsiderada, nunca fui elogiada, sou mulher, ninguém me escuta, não se valoriza nada do que faço, etc.” Quem poderia negar a importância dessas marcas na estruturação da personalidade feminina? Como não ser compassivo com este tipo de imposição cultural a que se submetem as mulheres e seus corpos?

Tudo isso é verdade. Entretanto, somente quando ROMPERMOS AS BARREIRAS impostas pela condição de vítima é que despertaremos para uma sociedade mais justa e igualitária. Apenas quando tivermos 3, 4 ou 10, quem sabe 30 ou 50 de cada 60 mulheres plenamente conscientes de seus direitos sobre seus corpos e suas gestações poderemos mudar verdadeiramente o panorama do parto neste país.

Todavia – podem ter certeza disso!! – elencar desculpas (mais uma vez, válidas e compreensíveis) não vai transformar vítimas em protagonistas!! Isso só se faz com trabalho e luta; coragem e determinação. Muita cara vai levar tapa, muita mulher ainda será mal tratada nos serviços de saúde, mas é preciso que elas se ergam, insistam, falem alto e proponham um novo modelo.

Não existem alternativas… Somente a postura combativa e consciente nos retira da submissão e da alienação.

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Arquivado em Ativismo, Parto

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