A Miséria dos Partos da Burguesia

 

 

cesarea

Uma paciente da Unimed Porto Alegre tem 7.5% de chance de ter um parto normal; 92.5% das gestantes com este convênio terão uma cesariana, a maioria delas sem nenhuma justificativa clínica. Uma cesariana aumenta de maneira clara e inquestionável os riscos de curto e longo prazo para mães e bebês. Os estudos mais conservadores apontam algo como 100 a 200% de aumento de mortalidade, e sobre isso não recai mais nenhuma dúvida.

Mais de 9 entre 10 grávidas de Porto Alegre e arredores da classe média (que usam planos de saúde) são submetidas a cesarianas que colocam a vida e a saúde de mães e bebês, sem que exista uma justificativa clara para tal conduta. O que houve?

Isso seria suficiente para desconfiar que algo está MUITO errado na atenção ao parto na minha cidade (mas o resto do Brasil não está diferente). Cabe a pergunta óbvia: Quem ganha com essa inversão de expectativas? Quem lucra com isso? Quem leva vantagem com o excesso de cesarianas?

Posso apenas dizer que os que PERDEM com essa “cultura perversa da cesariana” são mães e bebês. Quem são os que ganham?

Isso poderia ser menos vergonhoso se os órgãos de classe atacassem o excesso de cirurgias e oferecessem soluções para a grave crise. Afinal, eles deveriam lutar pela “boa medicina”, não? Mas não é o que acontece e o que se vê é o contrário disso.

No meu estado a corporação resolve atacar enfermeiras que atendem partos ou os partos NORMAIS, planejados e atendidos fora dos hospitais. Tais partos extra-hospitalares não perfazem 1% do total dos nascimentos. Porque algumas dezenas de partos merecem críticas, perseguições e ameaças – mesmo com centenas de estudos comprovando sua segurança – enquanto mais de 90% da classe média é submetida a cesarianas sem indicação clínica, arriscando a vida de mães e bebês, sem que haja qualquer comentário dos senhores da corporação?

As mulheres – em especial – começaram a se dar conta da EXPROPRIAÇÃO de seus partos. Impedidas de parir por uma cultura que protege a intervenção e criminaliza a fisiologia, começam a se questionar sobre este modelo e a quem ele serve. Da solução deste dilema surgirá o paradigma de assistência do século XXI.

Não creio que poderemos esconder a verdade para sempre. Perseguir aqueles que avisaram da nudez do Rei nunca deixou o monarca mais vestido e, no máximo, atrasou a compra de roupas. Medidas desesperadas e diversionistas como apontar para os partos normais (e seguros!!!) não surtirão o efeito desejado, e vão aprofundar ainda mais o fosso de desconfiança que as pacientes começam a ver se formar entre elas e aqueles que juraram protegê-las.

Falta bom senso onde abunda arrogância.

ANS – A Agência reguladora de planos de saúde do Brasil – ans.gov.br
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Arquivado em Ativismo, violência

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