Espetacularização da Justiça

Justiça

Sobre a espetacularização da justiça e a ação do juiz Moro na “Lava Jato”… (mas também poderia ser uma crítica aos médicos cesaristas e tecnocráticos fanatizados que julgam médicos que apoiam o parto normal)

“E o direito à defesa, corolário e condição fundamental do devido processo legal, é cada vez mais cerceado. (…) Com isso, tenta-se convencer as pessoas de que o processo penal é um estorvo, pois o que importa é prender e condenar antes mesmo de julgar. É o que o processualista italiano Franco Cordero denomina de quadro mental paranoico do juiz, que, ao conduzir o processo, o faz sob o “primado da hipótese sobre os fatos” e passa a agir como voraz acusador.” (Wadih Damous)

Esse é um recurso muito utilizado para atacar médicos que apoiam o parto normal. As provas, a realidade, as evidências e os testemunhos caem por terra diante de um desejo quase explícito de agredir uma ideia, uma tese e uma proposta. “Se a mensagem lhe parece inconveniente, atire no mensageiro”. Juízes se transformam em acusadores violentos, embriagados pelo “primado da hipótese sobre os fatos”, fazendo uma justiça baseada em sua própria visão de mundo, embasada em preconceitos e equívocos.

O mesmo sucedeu no caso da Escola de Base, apesar dos propósitos parecerem nobres. Para atacar o abuso e a pedofilia atropelou-se o bom senso, as provas, evidências e o juízo mais apurado. As vítimas, assim expostas, foram massacradas pela opinião pública, sem possibilidade de recuperação. Depois da tragédia descobriu-se que nada do afirmado era verdade, mas aí já era tarde demais: a honra, patrimônio maior do sujeito de bem, já havia sido destruída para sempre.

Podemos entender as razões para as atitudes de juízes vaidosos e prepotentes, que atropelam a lei e a constituição, mas podemos entender o estuprador, o ladrão de colarinho branco e o pivete que rouba galinhas. Isso não significa que essas ações sejam justificadas. Passar por cima da lei pode evitar uma injustiça, mas como ação é um crime contra a cidadania. Sem regras rígidas voltamos para a selva.

Os que apoiam a espetacularização da justiça deveriam se preocupar com as últimas consequências deste tipo de modelo para a sociedade como um todo. Os linchamentos – onde a destruição do “mal” está acima do direito à defesa e as garantias constitucionais – mostra sua face mais covarde e cruel. Um verdadeiro democrata e amante da verdade jamais se solidariza com um massacre, seja ele midiático ou real. Combater os abusos de poder é complexo, mas indispensável para a civilidade”.

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