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Facebook-divorce[1]

Meu Deus, que situação….

Eu li ainda esta semana alguém falando sobre isso e por acaso decidi fazer o mesmo. Resolvi abrir a pasta “outros” do inbox do Facebook, que por acaso há meses parou no número “99”…

Que sensação horrível !!!!

Pessoas há alguns meses dizendo: “Dr Ricardo, estou com 38 semanas e estou precisando de uma ajuda URGENTE sua, pois a minha gravidez blá, blá, blá…“. A estas alturas o bebê já nasceu, já está começando a comer papinhas e ensaia as primeiras engatinhadas. A sensação é tenebrosa, terrível, como se eu não tivesse me interessado pelo caso dela, tivesse negligenciado ou simplesmente desprezado. Alguns convites para congressos (na Paraíba!!!) que eu simplesmente fiquei sabendo apenas agora. Pessoas agradecendo pela leitura dos meus textos, estudantes entusiasmadas e compartilhando sua emoção por terem atendido os primeiros partos. Médicos se solidarizando com a nossa luta pela humanização, enfermeiras pedindo conselhos, pacientes querendo informação de Parto Domiciliar. Centenas de falas, conversas, perguntas, todas colocadas para baixo do tapete.

Entre as mensagens a de uma antiga secretária do Pronto Socorro em que eu trabalhei há 35 anos perguntando se era eu mesmo. “Sim, minha flor… sou eu sim”.

Outras tantas coisas escritas e aquela sensação de ter faltado no momento em que me pediram ajuda. Que triste, desagradável e frustrante.

Uma moça perguntando se eu sou o “Ricardinho” do Infante dom Henrique, escola de segundo grau em que estudei. Pior: ela era a bonitona da classe!!! Areia, areia… escorrendo pelos meus dedos. Deus me deu uma segunda chance e eu desperdicei. Agora é tarde.

Ok, melhor assim. Ela ia me encontrar esbodegado, velho, barrigudo e careca. Não conseguiria disfarçar a decepção ao me encontrar e acabaria dizendo: “Uau, Ric… você está…. um pouco… diferente”. E eu responderia “Pois você está igual como a vi pela última vez na porta da escola“, mesmo sabendo que ela se parece com a “lindinha do colégio” que tanto admirávamos quanto um faqueiro 24 peças se parece com uma tampinha de Coca-Cola. Mas fazer o quê? É o tempo: amargo, duro e inexorável.

Doutoras recém formadas me pedindo conselhos para a residência.

Estudantes de medicina apavoradas com o que aprendem na escola médica. Alunas de enfermagem querendo informações de estágio. Agradecimentos pela palestra da semana passada. Meninas perguntando o próximo curso de Doulas. Relatos extensos de casos acontecidos, violências obstétricas de todo o tipo, mas também de partos maravilhosos que, de alguma forma, eu participei através de artigos ou capítulos dos livros que estimularam a uma mudança de postura. Pedidos de socorro para indicações fajutas de cesariana. Fotografias de absorventes manchados, me perguntando se é normal um sangramento no final da gestação. Perguntas sobre diagnósticos inusitados e bizarros.

Um mundo de informações e histórias que eu simplesmente não vi… Passaram ao meu lado, na janelinha dos “outros”, mas que se manteve fechada por todo esse tempo.

A sensação que eu fico é aquela da infância, quando um irmão meu me dizia: “O Manoel ligou e disse que precisava falar contigo porque o assunto tem que ser resolvido hoje“. Eu abria o olho e perguntava: “Mas que Manoel?“, e a resposta era alguma coisa como: “Manoel, Miguel, Joel, Papai Noel, eu não lembro bem o nome, mas parecia urgente.

Caracaaaaa….

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