Responsabilidades

delegar

Max sempre me dizia que “Humanização do nascimento é uma via de duas mãos. Não existe como ser efetivamente humanizada a atenção ao parto em pacientes alienados e oportunistas, que jamais se responsabilizam por suas escolhas. Humanizar o nascimento é trabalhar em parceria, jamais se deixando seduzir pela expropriação do protagonismo da mulher, tão característica de uma medicina autoritária. Para mudar o nascimento no mundo é necessário mudar a forma de pensar a própria vida, encarando suas escolhas de forma responsável, inclusive sobre aqueles que vão acompanhá-la na trajetoria em direção à maternidade”.

Um erro que vem do passado, ainda centrado numa espécie de arrogância profissional, é crer que a medicina pode ser transformada se os médicos se modificarem. Isso é ingenuidade, pois ela é um retrato dos valores e conceitos sociais, expressos ou subliminares. A arte médica (e a política, a polícia, as artes, a justiça, etc.) mudará quando quisermos que ela mude. O médico é arrogante “por demanda“, porque assim o determinamos. O professor ganha pouco e o Ronaldinho milhões porque nossa neurose coletiva e nosso desprezo pela educação assim o determinam. Culpar médicos ou políticos pelo quadro deficiente de nossa medicina ou política é tolice e perda de tempo. A culpa é toda nossa, enquanto sociedade.

Quantas vezes já escutamos alguém despudoradamente dizer: “O presidente X foi péssimo porque enquanto esteve na presidência nossa categoria não recebeu aumentos“. Isto é: um presidente é bom ou ruim se a pessoa teve benefícios PESSOAIS com seu governo, e não se o país como um todo evoluiu e/ou se desenvolveu. Nossa avaliação continua sendo egocentrada, umbiguista. Com a medicina a mesma coisa: criticamos os médicos mas não nos esforçamos para ver qual a parte que nos cabe nesse transformação. A mudança na atenção médica – em especial na assistência ao parto – ocorrerá quando as forças sociais que desejam mudança suplantarem a inércia e colocarem-se em luta por reais modificações.

Enquanto isso não ocorre continuaremos a escutar lamúrias esparsas, que mais refletem nossa incapacidade de mobilização do que um verdadeiro desejo de mudar.

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Arquivado em Ativismo, Medicina

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