Força Compriiiida…

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A manobra de Valsalva para apressar o período expulsivo é o padrão do parto conduzido e comandado pela obstetrícia contemporânea. “Força comprida”, “Força de cocô” junto com o indefectível “não para, não para, não para” fazem parte do que eu chamo de “mantra obstétrico”, que muito mais serve como um esforço exonerativo das angústias dos profissionais presentes do que como auxílio possível à mulher que esta parindo. Creio que este tipo de discurso existe por razões inconscientes, mas inquestionavelmente poderosas.

O esforço solicitado às mulheres que atravessam o segundo estágio do trabalho de parto é o mesmo que homens fazem para evacuar. Para a percepção masculina, a expulsão fetal precisaria ser feita com a musculatura e o tipo de esforço que – para a nossa experiência corporal – parece ser a mais racional. Por isso pedimos que mulheres, no momento apical de sua feminilidade, sejam “bravas”… como homens.

Como o parto é controlado por uma lógica masculina, e em função da necessidade de criar correspondências sensoriais possíveis aos homens, esse modelo se estabeleceu como o preponderante na obstetrícia ocidental iatrocentrica.

Para mudar esse padrão talvez seja necessário “repaginar” o parto, transformando-o novamente em uma experiência feminina, controlado por um modelo igualmente feminino.

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Arquivado em Medicina, Parto

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