Produtividade

Uma das coisas que mais me dá prazer ao visitar o texas é escutar rádio. Sim, a maravilhosa KUT (kut.org 90.5 – não confundir com CUT). É a rádio da Universidade do Texas, para mim a melhor rádio do mundo (apesar de que conheço apenas meia dúzia delas). Todos os dias são transmitidos programas excelentes e variados, culturais e com profundidade. Hoje mesmo escutei um programa sobre “puns”, a antiga e maravilhosa arte dos “trocadalhos”. Maravilhoso programa. Uma hora depois um debate que me chamou a atenção: o que é produtividade e como chegar lá.

Uma das coisas que aprendi escutando o especialista que foi convidado foi o real significado da palavra “motivação”. Dizia ele que uma das regras básicas para motivar uma pessoa é colocá-lo na posição de SUJEITO de seu sucesso ou processo transformativo. Por isso, ele nos explicava que é absolutamente contra-producente elogiar uma pessoa por ser bonita, simpática ou inteligente, em razão de que essas qualidades são inatas e não há esforço algum em alcançá-las. O contrário é quando você vê o esforço de uma pessoa que não tem qualidades evidentes para uma tarefa. Um exemplo é a gordinha que dança balé, ou quando escutamos na escola a manifestação de uma criança declaradamente tímida e que, através do seu esforço em vencer suas próprias barreiras, consegue se apresentar em público. Essas pessoas precisam e merecem ser elogiadas publicamente, pois estão sendo premiadas por algo que ativamente FIZERAM e não por algo que passivamente SÃO.

Outro aprendizado foi com reuniões. Muitas pessoas reclamam que as reuniões sempre tem uma parte inicial em que as pessoas contam seus problemas com marido, mulher, filhos, trânsito etc. Muitos dizem que há uma grande perda de tempo com esse interregno que poderia ser mais bem utilizado indo direto para as razões pelas quais marcamos uma reunião. Todavia, as pesquisas dizem contrário: com o tempo, e pela possibilidade de conhecer melhor aqueles com quem convivemos, as reuniões tornam-se mais produtivas e com melhores resultados exatamente porque incentivamos encontros entre PESSOAS, ao invés de focar tão somente nos participantes de uma reunião de negócios. Portanto, pense bem antes de reclamar do amigo que conta piadinhas ates da reunião começar.

Outro ensinamento sobre reuniões produtivas. Qual o mehor time? Onde todos são amigos? Desconhecidos? Extrovertidos? Extrovertidos misturados com introvertidos? Forte líder ou decisões horizontais?

O resultado foi ineressante: as reuniões dependem muito menos de como se faz a liderança e quem são os componentes do que como interagem os elementos. Isto é: a regra fundamental é que exista “proteção emocional” dos participantes. Assim, as reuniões tendem a apresentar produtividade e resolutibilidade maior quando as pessoas presentes tem a oportunidade de se manifestar livremente, sem julgamentos ou violências simbólicas. O chefe é menos importante pelo que faz e mais pelo quanto protege seu time.

Outro elemento é a questáo do controle. Um exemplo interessante é quando estamos trancados em um engarrafamento e resolvemos tomar uma via alternativa que é muito mais longa, e na melhor das hipóteses levará o mesmo tempo da via engarrafada. Entretanto, exatamente porque estamos fazendo algo ativamente – ao invés de esperar passivamente no engarrafamento – é que temos a “sensação de controle” que diminui nossa angústia diante de fatos sobre os quais não podemos interferir.

Como bem sabemos, o mesmo acontece na atenção ao parto, quando fazemos qualquer coisa (os protocolos, as rotinas e por fim as intervenções) porque a sensação de controle nos produz alívio e uma sensação de segurança, mesmo que ilusória e falsa.

Sempre que em uma reunião podemos ter controle sobre os eventos através de nossas decisões teremos uma sensação mais clara de realização, e esse sentimento humano precisa ser reconhecido quando fazemos grupos e montamos equipes de trabalho.

Por fim, é importante termos em mente a questão dos objetivos. Eles são divididos em dois grupos principais: os grandes objetivos e os objetivos parciais. Os grandes são aqueles relacionados com a “missão” a que o grupo se propõe, como montar um hospital, derrubar um governo, criar um partido político ou simplesmente organizar uma comunidade auto-sustentável e ecológica voltada para o nascimento humano. Por outro lado, ninguém acorda pela manhã com essa imagem em sua cabeça: é necessário que os objetivos parciais nos façam ter o estímulo para o trabalho e a construção de algo grandioso. Por isso, ter como objetivo arrumar a cerca, pintar as paredes ou estudar para uma prova são igualmente importantes, pois são as etapas sem as quais as grandes tarefas jamais são concluídas.

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