Latitudes e semelhanças

 

Uma das coisas que sempre me impressionou ao visitar lugares muito distante e culturas bastante afastadas da minha é a curiosa proximidade que sinto ao constatar o cotidiano de suas vidas. Por mais que aspectos culturais pareçam ser relevantes ainda sinto como válido um comentário do meu velho pai: “Se um viajante de um universo longínquo chegasse à terra lhe assombrariam muito mais as nossas gritantes semelhanças do que nossas minúsculas diferenças”.

Quando vejo línguas tão distintas quanto enigmáticas sendo faladas, como tcheco, búlgaro ou mandarín, me encanto com as tentativas de decifrá-las pelas entonações, ênfases, silêncios e paradas. Percebo que todas elas não me são estranhas; o riso, o espanto, a alegria, a preocupação, a timidez, a paixão e a raiva me são todos familiares. Isso deixa claro que somos de verdade uma grande família cujos muitos filhos se separaram há pouco tempo, e nossas tímidas diferenças surgiram nos poucos minutos em que nos distanciamos do olhar da terra mãe que nos abriga.

Nosso idioma não falado mais ancestral – com o qual convivemos 75% da nossa historia – continua comum a todos nós. Por esta razão, por sermos tão semelhantes, parece muito tolo que ainda exista racismo. Se há uma coisa que o convívio com as aparências díspares pode oferecer é a capacidade de reconhecer-se no outro, mesmo quando a cor da pele e a sonoridade da língua parecem tão diferentes.

No meio dos diferentes nunca me senti tão igual.

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