A América vestiu-se de Azul

Hoje completam 33 anos em que a América foi pintada de azul. Eu fui testemunha. Assisti o jogo ao lado do meu primo Cesar Blumm. Os ingressos já se haviam esgotado há semanas mas entrei no estádio de uma maneira insólita e impensável nos dia de hoje. Desesperado para assistir o jogo resolvi dar a última cartada possível, apenas uma hora antes da bola rolar. Com a cara de pau que Deus me deu bati no portão de ferro da entrada de serviço da social do estádio Olímpico e avisei ao porteiro que eu era o médico escalado para o plantão do estádio. Na época eu tinha 23 anos e cara de 18. O porteiro – um senhor de idade – a princípio ficou confuso, mas deixou que eu entrasse por medo de alguma represália. Imagina se ocorre um acidente e ele impediu o médico de entrar? Ao lado do portão de ferro ficava o posto de emergência. Entrei ali para disfarçar e, quando o médico “de verdade” me perguntou o que eu queria, pedi para verificarem a minha pressão. 120 x 90. Aguardei uns minutos e saí de fininho, para o porteiro não se dar conta da minha malandragem

Depois de um tempo procurando na multidão que se aglomerava encontrei meu primo e assistimos o jogo quase sem respirar. Pela primeira vez um time do Rio Grande do Sul conquistava a Taca Libertadores, mas o fez ganhando do campeão da América e do mundo da época. Seria como vencer uma Libertadores ganhando do Real Madri. Foi épico, um momento inesquecível. Um jogo de pura raça Charrua. Os dois maiores copeiros da América em campo, isso antes da triste decadência econômica do futebol uruguaio.

O jogo foi pauleira pura. Nada do que se viu naquela partida sobrevive nos dias de hoje. Carrinho por cima da bola, sopapos, jogador sangrando em campo, repórter entrevistando o goleiro no tiro de meta, Renato Gaúcho debochando do adversário ao ser expulso mostrando nos dedos o placar do jogo. Tita e De Leon banhados em sangue. Torcida pulando o fosso e invadindo o gramado para comemorar. Nunca mais, nunca mais…

O futebol contemporâneo, civilizado mas asséptico, perdeu a efervescência testosterônica dos gramados. Trocamos gladiadores por barbies milionárias e sem amor pelos clubes que defendem. As arenas modernas aviltam a paixão do torcedor tanto quanto os salários estratosféricos agridem a pureza bravia do futebol.

Esse dia de glória para o futebol poderei contar aos meus bisnetos. Sim, há mais de 3 décadas vovô Ric estava presente quando o pavilhão tricolor subiu mais alto entre todos aqueles da América de Simon Bolivar.

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