Histórias

 

Terminei de contar ao meu neto Oliver uma mega história em capítulos que durou uma semana.

A história fui eu que inventei. É sobre um grupo de quatro  rapazes (todos tem os nomes de amigos do Oliver) que saem pela floresta atrás de uma lenda: a arca do tesouro que está no fundo de um lago dourado. No trajeto encontra-se com um grupo de quatro ursos falantes, que em verdade eram quatro rapazes que foram amaldiçoados pelas “Sombras” e tornaram-se ursos, e depois encontram-se com uma menina chamada Sophia que tem poderes mágicos e foi criada por uma matilha de lobos falantes – igualmente amaldiçoados pelas “Sombras“.

Os três grupos se juntam – os rapazes, os ursos e os lobos com Sophia – para juntos encontrar a arca, pois nela estão escondidas as poções mágicas que poderiam quebrar as maldições, o mapa para Sophia encontrar sua casa além de moedas de ouro que deixarão os rapazes muito ricos.

Quase no final da aventura Sophia é sequestrada pelas “Sombras” e a arca é encontrada no fundo do lago…. mas não sem antes receberem a ajuda de um gigante que os embarcou em um aviao de papel e os auxiliou para que encontrassem o caminho.

Sophia é a grande protagonista. Ela domina as magias e comanda todo o grupo na busca pela arca. Exatamente por ser a mais importante e a protagonista – a única que sabia como chegar até o lago dourado – ela foi sequestrada pelas “Sombras” e precisou ser resgatada pelos amigos nas masmorras do Castelo das Sombras. Houve um episódio em que a inventividade dos rapazes utilizou um balão cheio de xixi para facilitar o resgate. Essa foi a parte que o Oliver mais gostou.

Na minha história Sophia é a personagem central e enigmática. Tudo ocorria em torno dela. Pensei que seria bom o Oliver escutar histórias em que as meninas são importantes e centrais já que as histórias de heroísmo masculino virão com naturalidade daqui por diante em sua vida e no processo de castração e identificação com o pai.

Minha ligação com a contação de histórias surgiu porque os pais do Oliver se enganjaram em um esforço para diminuir ao máximo a exposição das crianças às telas – televisão, tablets e celulares – junto com outros país da escola Waldorf a que pertencem. Isso gerou (ao menos aparentemente) uma melhora no comportamento e agressividade das crianças. Por outro lado, as crianças precisam da fantasia oferecida pelas histórias para acalmar a ebulição do mundo psíquico a que são submetidas. Por isso Oliver literalmente implorava que contássemos histórias para ele.

Eu acabei sendo o encarregado mais constante de contá-las e resolvi contar as que eu mesmo inventava, para exercitar a minha imaginação e a dele ao mesmo tempo. Não havia um script fixo; a história era criada a medida em que era contada e com o auxílio das ideias que o próprio Oliver oferecia. Os nomes dos personagens foram todos criações suas (nomes de amigos da escola e de uma amiguinha da comuna). Resolvi também contar a história em capítulos para que ele treinasse a lembrança do que havia acontecido até então. Cada contação de história começava com o exercício de recapitular os episódios anteriores.

O nível de excitação dele para cada nova fase da aventura era impressionante. Seus olhos brilhavam a cada nova etapa e para cada solução que os personagens encontravam para os desafios. Era possível ver em seus olhos a construção das imagens e cenários que eram trazidos à história. Além disso ele incorporava conceitos e palavras novas (como “redemoinho”, “caule”, “muralha”, “rapto”, “poção”, etc).

A experiência foi tão agradável que resolvi escrever essas histórias para que sirvam de guia para outros contadores que acreditem na ideia de ajudar o crescimento das crianças estimulando sua imaginação.

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