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Crescer

Tão preocupados estamos em vencer as barreiras constritivas da infância que não percebemos o amadurecimento dos nossos próprios pais. Todavia, uma busca mais consistente pela memória e percebemos as nuances do crescimento que eles enfrentam. Meu pai aos 50 anos era muito diferente do que se tornou aos 90. Ele dizia, próximo do final da vida, uma de suas frases mais marcantes: “Não se passa um dia sequer que eu não escute o ruído estrondoso da queda de uma das minhas antigas convicções”. Ele não diria isso aos 50, mas aos 90 foi capaz de se postar de forma humilde diante do conhecimento e da verdade.

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SK8

Não romantizem demais o skate. Não acreditem que a “cultura do skate” é diferente das demais. Ora, não haveria porque ser assim. A nossa medalha de prata foi ganha por uma criança de 13 anos. O que ela diz é porque ela é uma garota pré adolescente, não por que o skate é “solidário”, “não competitivo” ou diferente dos outros esportes. O que hoje se diz do skate ontem era dito do surf, mas o tempo mostrou que não há uma “cultura” diferente quando existem disputas, vitórias, prêmios, fama, medalhas, glória… e dinheiro.

Olhem para o lado e vejam que entre os homens esse mesmo esporte se comporta como qualquer outra modalidade tradicional de competição. Isto é, brigas, tretas com publicidade, luta por espaço e exposição, favorecimentos, ressentimentos etc. Quando esses elementos todos se misturam a pureza toda se desbota e aparece a face menos fantasiosa do esporte.

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Não existência

Para uma criança, ser ignorada por sua mãe é a maior violência possível. Em seu mundo pequeno, onde o amor da mãe é a luz que lhe garante a vida, esse silêncio pode ser destruidor. Eu lembro do castigo mas grave usado em uma tribo africana que se resumia a ignorar peremptoriamente o condenado. Ninguém podia se referir a ele ou mesmo reconhecer sua existência. Segundo os pesquisadores nenhum condenado aguentava mais de 6 meses. Todos definhavam e morriam.

Acho que é exatamente que isso ocorre com as crianças quando são ignoradas por suas mães. Algumas não se matam apenas porque não saberiam como fazer

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Fim de festa

É verdade isso… Um dia você sai com seus amigos para jogar bola, soltar pipa, brincar de correr pelas ruas do bairro, tomar um sorvete no bar do seu João. Dão risadas, conversam, fazem “cabo de guerra”, se abraçam, trocam figurinhas e jogam bolinha de gude. Quando a noite se aproxima voltam todos para casa, sem se dar conta que aquela foi a última vez que todos compartilharam sonhos, alegrias e esperanças.

Talvez seja melhor que a gente não saiba, senão esse derradeiro encontro seria difícil de aceitar. É bom que estes laços se desfaçam sem que a gente perceba, para que o fim da infância não seja marcado por uma lembrança tão triste.

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Alteridade

Meus netos dividem o mundo entre o “bem”e o “mal”. Hoje em dia o mais velho pergunta de uma forma um pouco diferente: “esse cara é chato?”, que significa basicamente se ele representa as forças do Mal. O que ele pede quando começa o filme é que digamos a ele “em que lado do espectro eu o coloco?“. Para eles os personagens são benéficos ou maléficos. Para aqueles que representam o bem, só a felicidade poderá ser o prêmio a receber. Para os “chatos”, estes são merecedores dos piores castigos. Tipo o Gastón cair do penhasco na disputa por Belle ou como a “morte” trágica de Ernesto de la Cruz em “Coco”. No merci.

Mas eles tem 7 e 4 anos, e não conseguem vislumbrar matizes. Para eles a essência do sujeito é vil ou luminosa. O mais velho agora começa a entender que as pessoas são complexas; as vezes são más mas tem coisas boas dentro de si. Isso é desafiador para a cabecinha dele, mas faz parte do aprendizado da vida afastar-se das certezas e mergulhar corajosamente nas dúvidas.

Crescemos com essa perspectiva, pois libertar-se dessa visão de mundo é muito complicado. “Como ele pode defender o oposto do que defendo e mesmo assim encontrar nele qualidades morais?”. “Como posso enxergar virtudes em alguém tão diferente de mim quanto é possível entre dois seres?

O mais fácil é enclausurar-se no maniqueísmo e desreconhecer as semelhanças que nos unem a todos os outros seres humanos, mesmo que as circunstâncias e os contextos nos coloquem em posições políticas e sociais antípodas. O horror que nos faz odiar os diferentes é ver que nossas ações são quase iguais àquelas que tanto criticamos nos outros.

Meu neto mais velho diz: “e esse aí vovô, é chato ou é do bem?” e eu só de sacanagem respondo: “São que nem a gente, um pouco bons e um pouco maus”. Ainda acho que é de cedo que se planta a semente da alteridade

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