Transgêneros

Em um texto instigante a autora americana Lisa Marchiano, assistente social registrada, escritora e analista junguiana que atende na Filadélfia, em Quillette, questiona a liberalidade dos tratamentos de transição de gênero, e solicita que esta prática seja entendida como uma forma de contágio que se faz através do campo simbólico em que toda a sociedade está inserida. O texto pode ser lido AQUI.

Afinal, qual a diferença entre fazer uma troca de sexo e uma cirurgia de nariz? Por que nos importamos tanto com uma e somos liberais com a outra?
 
Bem, não há como comparar uma cirurgia para diminuir o nariz ou aumentar/diminuir as mamas com troca de gênero. São coisas que só tem uma semelhança: mexer no corpo imaginando atingir a alma. Eu li o texto com a mesma preocupação da autora: a possibilidade de um contágio através do campo simbólico, fazendo com que aos dramas existenciais inalienáveis da adolescência se ofereça uma solução facilitada pela cultura. Uma condição que atingiria uma porção ínfima da sociedade (o verdadeiro transgênero) subitamente se torna prevalente, nas MESMAS condições das memórias traumáticas dos anos 90. Contágio, epidemia.
 
Mutatis mutandis, a “falta de passagem”, condição em que o bebê é grande demais para nascer via vaginal, segue um sentido semelhante na cultura, em especial a ocidental. Perguntem para quase metade das mulheres no Brasil porque se submeteram à cesariana e elas lhe darão esse diagnóstico. Assim também pode estar acontecendo com os diagnósticos de disforia de gênero. Eles na verdade se adaptam a uma tendência social de afrouxamento dos limites de gênero, o que é justo, mas parecem ter ultrapassado limites perigosos. Da mesma forma o diagnóstico de DCP e a cesariana são justos e adequados, mas o contágio extrapolou em muito sua real necessidade.
 
O problema é que questionar o abuso de cesarianas o torna um “retrógrado”, “fanático pelo parto normal”, “anti-ciência” e tantos outros epítetos despejados exatamente pela corporação que lucra com a “ideologia da defectividade feminina”. Talvez seja possível dizer o mesmo dos que ousam questionar as transições facilitadas em nossa cultura e perguntar se o contágio do campo simbólico não está fazendo mais vítimas do que salvando sujeitos de um corpo inadequado e opressor
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Arquivado em Medicina, Pensamentos

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